Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
7.9
Realização
7.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Schway, XS (excess) ou aquém?

Depois de duas temporadas muito boas e uma terceira boa, The Flash começou a dar alguns sinais de desgaste na temporada passada, o que é bastante comum em séries que começam a ter um grande número de temporadas, mas cuja tendência precisa de ser rapidamente combatida para manter o público entretido. Como tal, é com alguma ansiedade e expectativas moderadas que começamos esta 5.ª temporada, esperando que o glamour do nosso velocista preferido volte, assim como o entusiasmo para semanalmente seguir as suas aventuras.

E agora, sem mais demoras, deem as boas vindas à “fastest woman alive”, Nora West-Allen! O season première começa imediatamente no ponto em que fomos deixados na temporada passada e, se bem se lembram, a rapariga mistério que foi fazendo algumas aparições ao longo da 4.ª temporada revelou-se ser a filha de Barry e Iris vinda do futuro. Sem dúvida que este foi o aspeto que nos deixou com maior antecipação para o novo arco e demonstrou ser também o ponto mais interessante deste episódio.

Nora West-Allen, aka XS, é adorável e Jessica Parker Kennedy foi a escolha ideal para o papel. Desde a sua personalidade eletrizante e trapalhona, aos spoilers do futuro – como o Flash Museum, a atitude geek para com todos os factos sobre o Flash, a relação com Barry e a possibilidade de ver o arco da Crisis finalmente a acontecer são tudo razões para nos deixarem mais que excitados.

Infelizmente alguns problemas comuns mantém-se e veem não só estragar o nosso entretenimento como lançam ainda uma sombra sobre o resto da temporada. Destacamos assim como pontos negativos:

  • a sucessão dos fatos do Flash a rasgarem-se foi ridícula e a única coisa que se aproveitou foi o termos a introdução do anel do Flash com o seu fato lá dentro, assim como pela primeira vez temos na série o fato escarlate com peças amarelas nos ouvidos que é tão típico dos comics. Gostaram deste novo look?
  • o possível vilão da temporada parece já ter sido introduzido, mas vem trazer mais do mesmo. A voz dos vilões é sempre a mesma, assim como o plano de usar um exército de meta-humanos.
  • a tensão e o cansaço da Team Flash é completamente palpável, mas também não admira, uma vez que eles nunca têm uma pausa onde possam apreciar um momento de felicidade. Torna-se de algum modo desgastante não os vermos a apreciar a vida e a evoluir nas suas vidas pessoais (nem que seja fora de ecrã).

O episódio caracterizou-se também por algumas gafes, tanto a nível de continuidade de história como a nível científico. O primeiro é um erro menor, enquanto que os outros são um bocado mais difíceis de engolir. Para começar, quando Iris diz que Barry viajou para 2020 para descobrir a identidade secreta de Savitar, na verdade ele viajou, sim, para 2024. Depois temos Caitlin a dizer que em zero-G não existe energia cinética e, como tal, Gridlock não terá os seus poderes, no entanto esta afirmação é falsa. E por fim, o phasing do avião sem um diminuir da sua velocidade tê-lo-ia destruído por completo quando atingisse a água. Ok, ok, isto é só uma série, mas é uma série de ficção científica e as produções de qualidade são aquelas que conseguem fazer-nos crer que o impossível é quase possível.

Por outro lado, um pormenor muito interessante e uma peça importante no puzzle maior da continuidade é a prova de que antes do Flashpoint, Ralph Dibny tinha morrido na explosão do acelerador de partículas. Na primeira temporada, Wells tinha dado essa informação e neste episódio Ralph confirma isso mesmo quando teoriza que podem existir vários universos, um deles por exemplo em que ele tenha morrido nessa explosão.

“Earth two = Earth also”

Falando de Ralph, a sua confusão por todos os conceitos do que implica viajar no tempo foi uma patetice hilariante que para além de nos deixar dar umas risadas também serviu como um resumo de conceitos importantes no que toca a viagens no tempo, linhas temporais, diferentes Terras e o multiverso (ou manyverse).

Factos do Channel 52:

– sabiam que o termo “schway” foi originalmente introduzido na serie de animação Batman Beyond, que também se passa no futuro?

– Ryan Choi, que Nora diz ter sido o criador do fato do Flash que dá a Barry, nos comics é a terceira pessoa a herdar o manto do herói Atom.

Daniel Cudmore, que interpreta o vilão Gridlock, tinha interpretado para a Marvel o papel do herói dos X-Men, Colossus, nos filmes X2, X3, e Days of Future Past.

Em conclusão, não foi um mau regresso da série, mas, como público exigente, nós queremos mais e assim esperamos que os problemas referidos sejam corrigidos e esta temporada traga algo de verdadeiramente novo e fantástico. Cá vos esperamos na próxima semana para discutir o episódio Blocked. Sabem quem é Cicada? Acreditem, vão querer saber, por isso não percam o próximo episódio. Até lá, boas corridas!

Emanuel Candeias