Classificação

8.4
Interpretação
7.6
Argumento
7.4
Realização
7.8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Inocente até mesmo quando provado o contrário

The Flash regressa das férias com a adaptação de uma das mais icónicas histórias dos quadradinhos do super-herói. “The Trial of Flash”, nome tanto do episódio desta semana como do evento nos comics, apela-nos por vermos o super-herói a enfrentar um perigo do qual não pode simplesmente correr e da mesma forma que alguns vilões utilizam a velocidade de Flash contra ele, neste caso são utilizadas as excelentes capacidades de Barry Allen, que por vezes esquecemos que é um dos melhores CSI da polícia de Central City.

Curiosamente, a história do julgamento de Flash já estava prevista desde o final da 1.ª temporada, onde pudemos ver um teaser do evento.

O episódio falha na execução, tanto da investigação policial, que com tantas séries do género de CSI o público já está mais que treinado em análises forenses convincentes, como também na apresentação das provas e no processo de julgamento em si. São sem dúvida as partes mais fracas do episódio que o impediram de ter sido excelente. A acrescentar a isto está o apressar a que já estamos habituados (como aconteceu no caso de Flashpoint), em que compactaram uma história gigante apenas num episódio.

Kim Engelbrecht esteve perfeita no papel de lobo com pele de vítima inocente e Mark Valley também se safou bastante bem na acusação. Já Cecile Horton, é certo que estava de mãos atadas e Barry não ajudou muito recusando todas as propostas dela, mas, para melhor advogada da cidade, deixou bastante a desejar.

Ainda me custa a partida de Neil Sandilands, que estava a fazer um papel fantástico como de The Thinker, mas Kendrick Sampson vai aos poucos conquistando com as suas habilidades, que não são de deitar fora.

Iris e Barry são referidos há muito como o melhor casal do Arrowverse, mas só há pouco tempo é que começaram realmente a transmitir isso e agora realmente merecem essa designação. Este episódio representa mais uma dura prova para o casal recentemente casado, mas que não deixa dúvidas que juntos irão conseguir ultrapassar tudo.

“You’re my rock

You’re my rod
We’re Flash”

O novo poder que Barry desenvolveu e que permitiu Iris mover-se à mesma velocidade que ele enquanto todos os outros pareciam parados foi não só visualmente impressionante como será uma ferramenta que dará certamente muito jeito daqui para a frente. No entanto, um poder que Flash tem nos comics e parece não ter aqui é imunidade a poderes telepáticos. DeVoe no novo corpo de Dominic Lanse é capaz de ler os pensamentos a Barry, tornando-se muito mais perigoso do que já era anteriormente. Se Flash irá eventualmente conseguir criar ou não imunidade à telepatia é algo que teremos de esperar para ver.

Quem também foi posto à prova foi Joe e a forma como os escritores utilizaram Ralph foi genial, trazendo uma profundidade à personagem que sabemos que existe, mas que é poucas vezes aprofundada, sendo ele na maioria das vezes apenas o pateta do grupo. Se bem se lembram, Dibny foi expulso da polícia por “plantar” provas em criminosos que ele sabia serem culpados, mas que iriam fugir à justiça. Como ele diz a Joe quando este pensa em fazer o mesmo para ajudar Barry, é algo que à primeira vista e mesmo muito tempo depois de ocorrer parece certo, mas que quando nos apercebemos que traímos aquilo que somos, vemos que foi errado e que o caminho correto era outro. Sem dúvida este foi um ponto altíssimo do episódio.

Fallout, o novo meta-humano da semana, foi uma adição simples, mas que trouxe uma abordagem refrescante de não termos um vilão, mas apenas uma pessoa assustada com poderes que não percebe e nem sabia que tinha. Proporcionou ao episódio a parte ação e também permitiu termos na história o paralelismo entre a sentença do juiz e o prémio que Singh dá a Flash, que de todo o julgamento é provavelmente a cena que funcionou melhor, realçando a frustração que é vermos um inocente a ser preso e principalmente um herói que arrisca tudo para salvar a sua cidade. Ficou a faltar um simples background da personagem, dizendo-nos por exemplo onde este adquiriu os seus poderes.

Como vemos no final, Barry, propositadamente ou por obra do destino, vai parar à mesma cela ou o seu pai passou parte da vida também ele a cumprir pena por um crime que também não cometeu. E é também interessante que a pena sentenciada a Barry seja exatamente a mesma do seu pai pelo assassinato de Nora Allen.

Para a semana, em “The Elongated Knight Rises”, poderemos ver a nova vida de Barry na prisão e o papel de protetor de Central City irá recair sobre os ombros de Ralph. Esperemos que a oportunidade seja aproveitada para fazer crescer esta personagem e que não a desperdicem como no caso de Kid Flash. E falando em Kid Flash, depois de andarem tanto tempo às voltas com a personagem sem saberem o que fazer com ela parece que irá então mudar-se para a série Legends of Tomorrow. A saída tanto de Jax como de Stein deixam vagas abertas para preencher e que decerto trarão um renascimento da equipa das lendas e da sua dinâmica. Até lá, boas corridas!

Emanuel Candeias