Classificação

8
Interpretação
7.3
Argumento
7.6
Realização
7.1
Banda Sonora

[Contém spoilers]

The Council of Wells

Pomos para trás o gigante filler da semana passada e voltamos à história principal nesta. “When Harry Met Harry…” caracterizou-se por ser um episódio divertido, com um tom leve e alguma ação. O que lhe faltou, no entanto, foi substância e impacto, algo que parece começar a ser comum nesta temporada.

Dos novos meta-humanos criados pela exposição do autocarro à matéria negra já conhecemos a identidade de quatro deles, sendo que neste episódio conhecemos o quinto elemento (lol). Mina Chayton aka Black Bison é uma ativista da preservação do património dos povos nativos dos Estados Unidos da América (neste caso os Sioux) e que defende que este património deve estar na posse do povo original e não em museus do povo conquistador. De ativista para homicida lunática, é uma prova viva de que realmente o poder corrompe. Foi interessante reparar que no topo do quadro dos novos meta-humanos a identificação passou a dizer “Victims”; parece que Barry mudou de opinião ao achar que todos eles eram criminosos de antemão.

Nas comics, Black Bison, mais conhecido por Black-Cloud-In-Morning, é um índio norte-americano que, numa visita a um museu de história, é possuído pelo seu avô, que lhe oferece um talismã com poderes mágicos. Black-Cloud-In-Morning é um conhecido arqui-inimigo de Firestorm. Na série televisiva optam por uma nova e refrescante abordagem na interpretação desta personagem mantendo, no entanto, muitos dos elementos do material de origem.

Os poderes de Mina são impressionantes de ver e os elementos escolhidos para as suas possessões foram fascinantes, com destaque para o manequim da polícia e, claro, para o T. Rex no final (repararam que o T. Rex apesar de ser apenas constituído por ossos rosna ao Flash quando aparece?). Os confrontos com Black Bison permitiram algumas cenas interessantes de ação, principalmente na cena de tributo ao filme À Noite, no Museu (2006); no entanto, as constantes fugas da vilã e a tentativa de ensinamento de Barry a Ralph sobre o papel do herói a proteger as pessoas saíram demasiado forçadas e repetitivas.

Nestes episódios um dos pontos altos tem sido a dinâmica entre Ralph e Barry; é simplesmente hilariante ver os dois a interagir. Também tem sido agradável ver a transformação de Ralph em Plastic Man. O seu novo disfarce é propositadamente o mais feio de sempre, mas esperemos que a versão a seguir ao protótipo seja mais ao género dos comics. Apesar disso, este fato fez lembrar uma versão rasca do pré-fato de Matt Murdock na 1.ª temporada da série Daredevil.

Quem também esteve em foco esta semana foi Cisco e, principalmente, Wells. Se um génio Harrison Wells não é suficiente para desmascarar os esquemas de DeVoe, então nada melhor do que chamar mais três Wells de outros universos e reunir o Council of Wells. Esta ideia de um conselho de Wells foi mais levada para o tom humorístico, mas acho que tem potencial para se tornar algo muito mais interessante se derem oportunidade aos outros Wells de serem mais do que apenas caricaturas. Já é da praxe em cada temporada aparecerem diferentes versões de Wells, mas era um enredo que já se pensava mais que gasto. No entanto, esta abordagem foi uma ideia original e eficiente de continuar a mostrar ao público que Tom Cavanagh consegue interpretar infinitas versões de Wells. A ideia do Council of Wells foi retirada da série Rick and Morty, onde existe um Council of Ricks, também formada por génios que preferem trabalhar sozinhos. Porém, cá para nós que ninguém nos ouve, nem Wells, nem DeVoe chegam aos calcanhares da genialidade de Rick Sanchez. Concordam?

Melhor personagem do episódio: Wells, the Grey – uma referência a Gandalf de O Senhor dos Anéis (entusiasmados com a nova série que pode vir a sair sobre esse universo?)

Melhor citação da semana, sem dúvida: “You’re a wizard, Harry” – referência à fala de Hagrid para Harry Potter no filme Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001)

E agora vamos à lição do multiverso. Após os acontecimentos no evento de Infinite Crisis, durante a recreação do Multiverso, 51 realidades divergentes ramificaram-se a partir do núcleo da New Earth. Dessas Terras, três novas foram referidas no episódio de hoje:

  • Terra-12: é mais conhecida por ser o lar de Terry McGinnis, o sucessor de Bruce Wayne a tomar o manto de Batman e cujas aventuras podem ter acompanhado na série Batman Beyond (1999–2001). A realidade nesta Terra passa-se a 55 anos no futuro comparativamente com a Terra-Prime.
  • Terra-22: é baseada na história de Kingdom Come (1996) e nesta realidade, após a separação da Justice Society of America e sem a formação da Justice League, os super-heróis mais jovens tomaram como exemplo um vigilante mais violento, Magog, e tornaram-se quase tão perversos como os criminosos que combatem.
  • Terra-47: curiosamente esta Terra não se assemelha nada ao que nos é transmitido pelo Wells 2.0. Teoricamente este é um cenário em que o espírito dos anos 60 vive para sempre. Paz e amor!

Um tom menos negro e mais divertido foi o que os fãs pediram e realmente não se pode dizer que os produtores não tenham entregue isso, mas a leveza em todos os episódios e por vezes o uso exagerado da “patetice” das personagens tira a seriedade, não só de alguns momentos mais dramáticos, como do enredo principal. Fica uma sensação no ar de que a maioria do que acontece não passa de filler e que a temporada nunca mais arranca a sério. Esperemos que agora que os planos de The Thinker parecem ter sido acelerados que se sinta uma maior pressão na Team Flash e uma tensão envolvente nos episódios que se seguem.

“Therefore I Am” promete ser um episódio interessante agora que temos Barry frente a frente com DeVoe e o passado deste misterioso vilão também será revelado. É capaz de ser exatamente o “empurrão” de que a temporada precisa. Até lá, boas corridas!

Emanuel Candeias