Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
8.2
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Team Kid Flash ou Team Vibe?

Com o boom de series de super-heróis a testar a saturação, a importância da casa da CW destaca-se ao despertar-nos uma certa nostalgia, um carinho especial que, de certa forma, nos faz sentir como se tudo tivesse começado ali. Não são poucos aqueles que tiveram o seu verdadeiro primeiro contacto com super-heróis através desta estação televisiva e é por tudo isso e muito mais que dizemos com alegria: bem-vindo de volta, Arrowverse.

Por esta altura já os ávidos fãs puderam acompanhar o regresso não só de The Flash, mas também de Supergirl e de Legends of Tomorrow. Num panorama geral, o regresso de The Flash foi bom, mas não ótimo. Decidiram apostar numa fórmula mais básica, e dessa forma também mais previsível. Ao jogarem pelo seguro, perderam a oportunidade de criar uma história muito mais cativante e envolvente, para a qual não faltariam fontes de inspiração nos comics.

Seis meses passaram em que a Terra girou aceleradamente sem ter nela o homem mais rápido do mundo e não só como seria de esperar, mas, como o próprio Barry pediu a Iris, a vida continuou e a antiga Team Flash, agora com nome indefinido e sob a liderança de Iris, continuaram a “lutar a boa luta” e a proteger Central City. Enquanto o papel de Iris como chefe de equipa foi convincente, já a mágoa pela perda de Barry não foi projetada da maneira mais convincente. Dessa forma acabámos com uma Iris carrancuda a fazer lembrar o tom mais negro da temporada passada.

A dinâmica do duo Wally e Cisco foi um espetacular início de episódio, mas que terminou tão de repente que mais pareceu uma miragem. Tinha esperança que a ausência de Barry se prolongasse até ao final do segundo episódio, dando oportunidade para realmente sentirmos a sua falta, assim como dando a possibilidade de outros provarem o seu valor. Infelizmente, a perseguição a Peekaboo foi só a que tivemos direito para observar o funcionamento da nova Team Kid Flash (Team Vibe!!!), numa cena bem realizada, com bons efeitos especiais, ação emocionante e em que Joe teve direito a mandar cenário; com óculos de sol e arma na mão, quase parecia um agente dos Men in Black. Apesar de apressada, houve partes bem exploradas da nova equipa, nomeadamente a sua taxa de eficácia ser inferior à da Team Flash e mostraram que o problema era não só terem um homem a menos, mas que a experiência e o carisma de Barry são realmente importantes. Também aqui Iris mostrou ter desempenhado um bom trabalho, pois, apesar do ar sisudo dela, conseguiu manter a equipa unida e com um espírito em alta e se compararmos com a equipa que existia na versão do futuro em que Iris morreu pode-se dizer que estavam muitíssimo melhores.

A ausência de Julian foi facilmente explicada por este ter voltado para Inglaterra, o que deixa a porta aberta para o regresso possível da personagem no futuro. É verdade que não fazia muito sentido ter a personagem como regular em mais uma temporada, mas acho que todos ficaríamos contentes se, para o meio da temporada, Tom Felton aparecesse para uma visita. Uma surpresa agradável foi o novo status quo de Caitlin Snow. Adotando um visual ao género de Coyote Bar, parece haver um meio-termo entre a antiga Caitlin e a temível Killer Frost. Tendo voltado rapidamente para os STAR Labs, pelo menos sabemos que a história dela não fica por aqui e que não só Killer Frost está dormente dentro de Caitlin como os negócios com a misteriosa Amunet ainda darão que falar.

O regresso à pista foi uma das partes mais emocionantes do episódio e a mais marcante do salvamento de Barry, trazendo boas recordações de tudo o que já passámos desde que o nosso velocista preferido estava a aprender a dar as primeiras corridas. A parte científica da esfera Quark também esteve ao nível a que estamos habituados da vertente mais sci-fi da série. Porém, fica por saber se os misteriosos símbolos que Barry escrevia, o que se passou enquanto estava na Speed Force e se realmente foi salvo – ou se o seu castigo foi cumprido e como tal libertado da punição – serão aspetos explorados nos próximos episódios.

Por fim, aponto ainda as saudades que tinha das fantásticas referências geek de Cisco (e até Caitlin conhece a resposta para o universo e para tudo. Já agora, vocês sabem qual é?) e o visual do Samuroid também esteve interessante, assim como a luta dele e de Flash no campo de ventoinhas eólicas.

Não tivemos direito a um Wally com um protagonismo relevante, nem à história que muitos esperavam que acontecesse com o Flash do futuro; no entanto, Iris teve direito a brilhar, Caitlin/Killer Frost parece que vai ter direito a um enredo bastante interessante e o grande vilão da temporada parece não só já ter sido revelado logo no primeiro episódio como felizmente não é um velocista. O que esperam vocês para esta temporada? Que acharam do novo fato de Flash? E as primeiras impressões de The Thinker? No próximo episódio, Barry terá que lidar com as consequências do tempo que esteve separado de Iris e Flash vai voltar à ação a proteger Central City de meta-humanos, neste caso um que consegue controlar tecnologia; não percam em “Mixed Signals”. Até lá, boas corridas!

Emanuel Candeias