Classificação

8.8
Interpretação
8
Argumento
9
Realização
8.2
Banda Sonora

[Contém spoilers]

A quebra do ódio, o sacrifício do herói

Com algumas falhas ao longo da temporada, o final da 3.ª temporada de The Flash conseguiu de toda a maneira dar-nos um episódio emocional que fechou com sucesso a missão de Barry mudar o futuro e ser o derradeiro herói ao assumir as consequências dos seus erros.

Quem apoiava a teoria de que o salvador de Iris seria HR (nos comentários de episódios passados tivemos alguém a sugerir isso mesmo) então acertou em cheio! Mais do que dar um desfecho grandioso à personagem, imortalizando-a com o seu sacrifício, a construção de como HR trocou de lugar com Iris também foi bem pensada e realizada. Todas as peças ficaram bem encaixadas, com até “HR” estar no topo do edifício com uma arma na mão, tal como Cisco tinha previsto. O mais frustrante em relação a HR foi o facto de os produtores terem-nos provocado com um plot misterioso por detrás da personagem que nunca chegou a dar em nada. Depois de três Harrison Wells diferentes em cada temporada se calhar também seria a altura de pararem com esta rotação e se fixarem no melhor Wells. O Harrison Wells da Terra-2 podia mudar-se definitivamente para a Terra-1 e apoiar diariamente a Team Flash.

O que este season finale também provou de vez é que o futuro pode de facto ser mudado e isso poderá ter repercussões importantes no que está para vir. A vitória com Iris tem assim um sabor agridoce e se é normal a felicidade de Barry, Joe e Iris também foi muito bom o contraste representado por Tracy e cujo romance com HR vem dar frutos neste final ao realçar o efeito da perda da personagem.  O sacrifício de HR veio no entanto trazer um problema que felizmente foi também tratado no episódio e deu a Barry o estatuto de herói que parece por vezes faltar-lhe. Porquê? Na derrota de Reverse Flash esteve o sacrifício de Eddie Thawne, no salvamento de Central City esteve o sacrifício de Ronnie e agora no salvamento de Iris esteve o sacrifício de HR. Mesmo na situação em que Flash derrotou Zoom este acaba por manchar as suas ações ao alterar o passado e criar o Flashpoint. Ou seja, analisando bem as batalhas de Flash sem ser com os vilões da semana, ele tem uma tendência para permanecer numa zona cinzenta e não no estabelecimento claro de super-herói. Isto é então resolvido neste final de temporada em duas fases: primeiro Barry decide quebrar o rancor contra Savitar e voluntariar-se para ajudar a salvá-lo do paradoxo temporal. Apesar de não ter sido culpa da versão presente da Team Flash, a raiva que controla Savitar deveu-se em como ele foi tratado pelas versões futuras dessas personagens, pelo que Barry decide assumir essa culpa e tratar Savitar como um verdadeiro elemento da equipa, como se se tratasse, por exemplo, de Killer Frost. Claro que a longo prazo se Savitar tivesse escolhido o lado dos bons teria que ter sido julgado e castigado pelos crimes e mortes que provocou, mas, de qualquer maneira, a atitude de Barry foi a mais heroica; e, segundo, com o derradeiro sacrifício de Barry. Ao tomar o lugar na prisão da Speed Force, ele fecha o círculo e é absolvido do pecado de ter criado o Flashpoint. Depois de finalmente conseguir tudo o que queria, Barry tem que abandonar aqueles que ama para os salvar e ao resto da cidade.

Cisco alinhar no plano de Savitar e fingir que o ajudava para depois salvar Jay foi um golpe que “matou dois coelhos de uma só cajadada”. Jay foi salvo e não esquecido e Cisco revelou ser um génio e, ao contrário do que ele afirma, também demonstra ser um herói.

Gypsy, que foi introduzida nesta temporada, proporcionou-nos grandes momentos em muitos episódios, apesar de por vezes o envolvimento da personagem no enredo ser explicado de forma desleixada. Porém, a sua ligação emocional com Cisco clarifica bem o porquê de ela aparecer neste episódio quando sentiu que este estava em perigo e fortalece os laços que existem entre os dois. A sua aparição também permitiu uma fantástica luta final de Vibe e Gypsy vs. Killer Frost.

Killer Frost teve uns momentos finais de redenção ao salvar Cisco e encontra-se agora num estado muito interessante entre Caitlin e o seu lado meta-humano. Após ter recusado a cura, descoberta pela sua mãe e por Julian, é crítico que os produtores na próxima temporada desenvolvam Killer Frost e nos elucidem sobre o turbilhão de sentimentos que lutam dentro dela.

Em termos de ação, o pico foi atingido com a grande batalha de speedsters: Flash (Barry), Flash (Jay) e Kid Flash vs Savitar. Para terminar em grande, esta lendária batalha acabou com Barry a expulsar Savitar da sua armadura e a assumir o seu controlo criando o Savitar vermelho. Wooow! Inesperado mas fatalista foi Iris ter morto Savitar. Ela que seria uma das pessoas mais afetadas pelo vilão foi capaz de lhe dar a oportunidade de se redimir, mas após este a recusar – e ainda por cima tentar assassinar o seu noivo pelas costas – penso que fez o que tinha de ser feito.

A grande dúvida que fica com o cliffhanger é de quanto tempo ficará Barry preso na Speed Force? Ao contrário do que se passou com Wally e Jay, que viveram um inferno na prisão ao reviverem continuamente o pior momento das suas vidas, penso que o que se passará com Barry será diferente. A ligação de Barry com a Speed Force é única e tendo ele parado Savitar sem criar time remnants, nem mexido mais com o tempo e tendo-se voluntariado para ocupar o lugar na prisão parece-me que será considerado que ele pagou o suficiente pelos seus pecados. Sendo assim, o tempo passado na Speed Force poderá servir para ele compreender melhor esta misteriosa dimensão e quem sabe adquirir novos poderes e conhecimento de ameaças futuras.

Coisas que queremos para a próxima temporada de The Flash:

  • Um tom mais leve e toneladas de humor: esta temporada caracterizou-se por um tom bastante negro que se adaptou bem ao tema da temporada e a Savitar, mas que contrasta com o positivismo de Barry Allen e da Team Flash
  • Um papel mais relevante de Iris e não apenas suplementar: nos últimos episódios Iris teve um papel ativo e Candice Patton pôde mostrar as suas qualidades de atriz. No entanto, no geral, a sua personagem fica em segundo plano e serve de pouco mais do que a “lightning rod” de Barry. Se Lois Lane consegue por si própria ter o carisma de suportar histórias interessantes, o mesmo pode ser feito com Iris West-Allen.
  • Que o grande vilão não seja um speedster: em três temporadas tivemos três vilões velocistas. Se nas duas primeiras fez todo o sentido, Savitar talvez tivesse sido melhor recebido numa 4.ª ou 5.ª temporada após um intermédio com outro tipo de vilões. E a questão nem é a falta de escolha, pois o Flash possui nos comics uma grande variedade de vilões diferentes e perigosos.
  • Que a revelação da identidade do vilão não seja mais uma vez guardada para o final da temporada. DeVoe foi referido neste episódio pela segunda vez na temporada, sendo que o tom que lhe é dado é o de uma grande ameaça e que trará grandes complicações à Team Flash. Será que podemos ter tido já a revelação de quem será o grande vilão da próxima temporada?
  • Que a Team Flash pare de guardar segredos, um erro recorrente que depois de toda a gente admitir não o dever ter feito não faz sentido continuar a ser usado.
  • Uma história focada em Wally. Com Barry preso na Speed Force, o início da próxima temporada é a situação ideal para o foco ser mudado temporariamente para Wally e ele assumir o manto de Flash (pode até ter direito a um novo fato com a cor vermelha!). Após ter sido praticamente ignorado neste season finale e não tendo ainda a oportunidade de se estabelecer como um super-herói e personagem relevante, é essencial que os produtores o desenvolvam.
  • Com o desaparecimento de Flash também poderá ser a altura ideal para o museu do Flash finalmente ser criado

Tal como aconteceu com Arrow, a season 3 de The Flash, e especialmente o season finale, fica num patamar inferior ao das duas primeiras temporadas. Personagens mal aproveitadas, um vilão arrastado e desperdiçado e plots que começam a ser repetitivos são as principais razões para esta perda de qualidade. De qualquer maneira, The Flash continua a ser considerada uma das melhores séries de super-heróis da atualidade e este ano foi a segunda melhor do Arrowverse. Esperemos que limando algumas pontas os produtores para o ano tragam a glória do homem mais rápido do mundo de volta. Até lá, boas corridas!

Já agora, o que acharam do final de Supergirl? Apesar de no geral ter achado a temporada bem estruturada, estes últimos episódios foram muito apressados, de certa forma confusos e com plot holes.

Nota final da temporada: 8

Emanuel Candeias