Classificação

9.5
Interpretação
9.8
Argumento
9.6
Realização
9.1
Banda Sonora

“Best Team-up Ever!”

O tão esperado crossover da CW e do Arrowverse, partido em três partes e envolvendo as quatro séries, The Flash, Arrow, Legends of Tomorrow e Supergirl, finalmente chegou e que excelência de episódio foi esta primeira parte!

Todo o evento começou com uma certa confusão e desilusão devido a informação errada dada ao público. Muitos, como eu, devem ter assistido ao episódio de Supergirl à espera que o conflito começasse lá, como tinha sido anunciado que seria. No entanto, após chegarmos ao fim do episódio temos apenas 2 minutos que ligam ao crossover e os quais são repetidos no episódio de The Flash. Ou seja, quem só quer assistir ao crossover não precisa de todo de assistir a Supergirl. Embora, num aparte, apesar de não ter nada a ver com o evento, foi um bom midseason finale para a série.

E assim, o crossover intitulado “Invasion!” começa aqui em The Flash! A história para a tv é baseada na dos comics de 1988 com o mesmo nome e que foi um dos primeiros grandes crossovers da DC Comics, quando ainda não eram assim tão comuns estes acontecimentos anuais no mundo das bandas desenhadas. Um dos aspetos em comum da narrativa tanto nos comics como na tv é a novidade das invasões por aliens. Apesar de sabermos que Kara Danvers é uma alien e na série da Supergirl estarmos mais habituados a ver diferentes espécies alienígenas, na Terra dos outros heróis o conceito de vida extraterrestre ainda não estava bem definido, quanto mais uma invasão ao seu planeta. Outra semelhança que permite a esta história funcionar tão bem é que na história original as personagens principais não foram os super-heróis mais famosos (Superman, Batman, Wonder Woman, Aquaman), permitindo assim um ótimo encaixe no contexto das personagens do Arrowverse.

Um dos grandes pontos fortes do episódio foi que este conseguiu com sucesso ser tanto um episódio de The Flash como um episódio de crossover. Se estiverem lembrados, no crossover do ano passado tivemos os nossos heróis contra Vandal Savage e também a construção das bases que permitiram o lançamento da série Legends of Tomorrow. Enquanto nesse caso sofremos com um arrastar ao longo de vários episódios da apresentação de personagens e conflitos para o novo spin-off, e em particular The Flash sofreu pela primeira parte do crossover ter tido um ritmo bastante mais lento, sendo a conclusão muito mais excitante, este ano muito desses problemas foram corrigidos. O episódio está bastante equilibrado e muito mais focado, não deixando de ser uns 40 minutos muito intensos em que não podemos nem piscar os olhos para não perder nada. A dimensão do vilão também é muito maior, fazendo lembrar o filme da Marvel, The Avengers (2012), e dando uma razão mais que válida para haver um team-up de super-heróis de forma a salvar a Terra, sem falar que pode ainda servir como um preview daquilo que esperamos para o filme da Justice League (2017).

O episódio começa como um episódio normal de The Flash e continuamos a seguir o crescimento de Wally em Kid Flash. O drama da família Wells penso que foi feito na dimensão correta de forma a não tirar demasiado tempo de antena ao crossover, mas permitindo aos fãs que assistem apenas a The Flash a terem um certo desenvolvimento da história. “Eu só estava a tentar proteger-te” é uma desculpa que começa a ficar muito gasta e “mais uma mentira entre amigos” põe em causa toda a palavra “amigos”. Joe e Iris não só não entendem o ponto de vista de Wally ou consideram os seus sentimentos, como nem sequer o respeitam por ter a coragem de querer enfrentar aliens monstruosos sem pensar duas vezes. Wally teve a oportunidade de brilhar no episódio pelo salvamento a Barry e Oliver e ainda pelo raspanete a Iris. Enquanto no Flashpoint eles eram uma dupla de irmãos contra o crime, nesta linha temporal a confiança dela no irmão é próxima de zero. Enquanto todos os outros continuam a ignorar HR, resta a questão do que trará o treino de Wally com este misterioso Wells.

Após a queda da nave alienígena em Central City é que o episódio começa mesmo a aquecer. Para quem acredita nessas coisas, a referência de Joe a Redmond, Oregon, é um exemplo de um caso verídico bastante bem documentado sobre um encontro entre a Força Aérea americana e OVNIS. Também na série vemos o governo rapidamente a abafar todo o caso e entre as várias agências temos A.R.G.U.S., liderada por Lyla. E é ela que nos introduz aos Dominators, extraterrestres com super-força que vieram anteriormente à Terra para raptar humanos e juntar informação. Apesar do governo querer que os super-heróis e vigilantes fiquem de fora do assunto dos aliens, a ameaça que os Dominators representam e a incapacidade dos militares de os impedirem caso eles se tornem agressivos leva Barry a decidir ir por um plano B e juntar uma equipa de resposta.

Uma rápida viagem a Star City e um salvamento aos ataques de Vigilante junta à equipa Oliver, Diggle, Felicity e Thea (nem a reforma é capaz de a deixar afastada quando se trata de extraterrestres). De seguida temos o recrutamento das Legends e a aparição do Hall of Justice! O hangar pertencente aos S.T.A.R. Labs e se onde Barry reuniu toda a equipa vos pareceu um lugar conhecido é porque é uma das famosas bases da Justice League, criada originalmente para a série animada Superfriends (anos 70 e 80). Irá esta base ser usada no futuro pela Team Flash já que HR quer transformar os S.T.A.R. Labs num museu?

E a próxima paragem trata-se de “combater fogo com fogo” ou alien com alien. !uem melhor para combater os Dominators do que uma Kryptonian? A mulher “mais forte do que uma locomotiva”, Supergirl! Ficamos ainda a conhecer que Kara pertence à Terra-38. A numeração desta Terra provavelmente é só uma simples referência ao ano da criação do Superman, em 1938, mas se quisermos aprofundar sobre o que o guia para o multiverso da DC (Multiversity, por Grant Morrison) nos diz sobre esta Terra, basicamente é centrada no Superman e no Batman e que o tempo passa da mesma forma que o nosso tempo real e as pessoas e os heróis envelhecem normalmente, ou seja, em 2016 já não temos nem o Clark Kent nem o Bruce Wayne original, mas sim os seus legados. Nada para considerarmos a sério, apenas factos engraçados, embora saibamos que na Terra da Supergirl realmente existem tanto o Superman como o Batman.

Já agora para os curiosos, “Faster than a speeding bullet. More powerful than a locomotive. Able to leap tall buildings in a single bound” era a introdução do programa de rádio dos anos 40, The Adventures of Superman.

Depois da equipa criada e definido que Barry seria o líder, com momentos de humor de Supergirl a apresentar todos os heróis e o treino de todos contra ela, o episódio segue um rumo ambicioso e bastante surpreendente. Para além da ameaça dos Dominators, os produtores decidiram também explorar o impacto do Flashpoint. Jax e Stein decidem pôr Barry ao corrente da mensagem que o seu eu futuro deixou para Rip Hunter e o conflito entre Cisco e Barry leva a que todos saibam não só a mensagem como tudo o que aconteceu com a tentativa de Barry mudar o passado. A mensagem não é animadora e revela que Barry mudou a linha temporal e que não se deve confiar nele. De realçar:

  • Cisco está novamente amargurado com Barry como no início da temporada, após Killer Frost lhe ter revelado que o irmão Dante ainda estava vivo na linha temporal pré-Flashpoint, e parece que a amizade dos dois está em risco de ser severamente fraturada
  • A amizade entre Oliver e Barry é bastante focada aqui; desde Oliver entregar a liderança a Barry, que foi quem juntou a equipa, como manter-se fiel a ele mesmo quando todos se voltam contra Barry após ouvirem a mensagem e saberem sobre Flashpoint. “You made a mistake, Barry. It’s part of the job”. A amizade entre eles pareceu real e os laços profundos, apesar de raramente vermos os dois heróis juntos. O momento em que Barry mostra a notícia do jornal do futuro é um momento dramático, com Oliver a desabafar sobre a perda dos dois pais e que é humano querer mudar as coisas e trazer de volta aqueles que perdemos. Devem também ter reparado que a autora da notícia muda da Iris West-Allen para Julie Greer. E quem é esta personagem? Nos comics ela é uma jornalista de Keystone City que trabalha para uma estação televisa pouco ética embora ela tente manter o nível profissional e digno do jornalismo (mais ao menos como Ben Urich que trabalha para o Daily Bugle, no universo da Marvel)
  • Outra grande revelação diz respeito às visões que o professor Stein tem tido. Pelos vistos, o Flashpoint também o afetou e agora ele tem uma filha! As memórias deles só agora estão a ser reescritas, pois ele andava a viajar no fluxo temporal com o Waverider
  • Sara e Ray a defenderem que não se deve mudar as linhas temporais caiu bem, tendo em conta o seu papel como novos Time Masters, e revela algum crescimento principalmente por parte de Sara, que antes queria matar Damien Darkh para ressuscitar Laurel.

Para além de tudo isto ainda tivemos uma incrível mini Guerra Civil entre os nossos heróis quando são mentalmente controlados pelos Dominators e assistimos Green Arrow e Flash vs. todos os outros. A ação esteve no pico, em especial a luta entre Supergirl e Flash (Supergirl estava um bocado overpowered na minha opinião, quando nem os raios de Atom nem o relâmpago de Flash a afetaram minimamente) e as setas de Green Arrow a acabarem e ele entrar em luta corpo a corpo contra White Canary. Após vencido o controlo, acabamos o episódio a gritar por Barry: “Run, Barry, run”, para ele conseguir salvar Oliver, mas tanto ele como todos os não meta-humanos são raptados pelos aliens.

Este início do crossover apresenta-se claramente superior ao do ano passado, com um sólido argumento e uma excelente realização. Esta primeira parte focou-se mais em explorar o que acontece quando se juntam tantos super-heróis no mesmo sítio, assim como foi incorporado o enredo do Flashpoint. Esperamos que nas próximas partes haja um maior desenvolvimento dos Dominators em si e fica a curiosidade do que aconteceu com os heróis raptados. Ainda bem que não temos que esperar uma semana para ter as respostas.

Desculpem pela longa review, mas estes crossovers envolvem tantas personagens e enredos que não é fácil abordar tudo. O que acharam desta primeira parte? Podem seguir as reviews da 2.ª e 3.ª parte aqui no site em Arrow e Legends of Tomorrow. No próximo episódio teremos o midseason finale de The Flash e Barry irá fazer uma viagem à Terra-3 para pedir conselhos a Jay Garrick. Até lá, boas corridas!

Emanuel Candeias