Classificação

7.8
Interpretação
6.0
Argumento
6.5
Realização
7.0
Banda Sonora

The Enemy Within é a nova aposta da NBC, trata-se de um drama policial, focado na espionagem e terrorismo. Como premissa central, estamos num momento onde acabaram de ocorrer 3 ataques terroristas que parecem estar relacionados e a pessoa com mais informação, e que poderá ajudar esta investigação é nada mais nada menos que uma condenada, ex-CIA, por traição do seu próprio país.

Imaginem que um agente do FBI tem de unir esforços com uma agente da CIA, algo improvável. Agora imaginem que essa agente da CIA deixou de o ser porque traiu o seu país revelando informações que culminaram na morte de 4 agentes… Finalmente imaginem que um desses 4 agentes era noiva do agente do FBI – trata-se de uma dupla no mínimo incompatível – mas parece ser a única alternativa para evitar que os ataques terroristas prossigam impunes e que os mortos se vão somando – a relação complexa de pessoas obrigadas a trabalhar juntas contra a própria vontade poderá ser um dos elementos de interesse a acompanhar.

Pelo piloto, percebe-se claramente que o ponto forte de Enemy Within é Jessica Carpenter (Dexter), que desempenha a ex-agente condenada e que aparece em excelente “forma”, carregando a série às costas. Todas as cenas que me empolgaram de algum modo, foram devido a ela, que consegue ao longo do episódio deixar a dúvida sobre as suas motivações e se temos uma vilã, uma anti-heroína ou uma vítima!

Com recurso a flashbacks, que julgo que se repetirão ao longo dos episódios para ajudar a compreender os ataques em que Erica esteve envolvido e que culminaram na sua prisão, é possível ver o seu passado e temos 2 pessoas totalmente distintas. O grande ponto de interrogação é o que levou aquela pessoa, aparentemente inofensiva e bondosa a fazer algo tão mau… a série começa a responder a esta pergunta no final do episódio e facilmente terá colocado os espectadores do lado da personagem principal.

As cenas na prisão e o twist final foram para mim os melhores momentos do piloto. No entanto, tudo o resto é algo muito visto, a série tem um formato muito semelhante a Blacklist, e pertencendo ao mesmo canal seria desejável que trouxesse algo de novo face às demais. E se em Blacklist temos contracenas fortes em torno de um brilhante James Spader, aqui falta um parceiro e equipa à altura de Erica.

Tendo Erica informações sobre “infiltrados”, os episódios poderão seguir exatamente o conceito de Blacklist com uma perseguição, semana a semana, de cada nome na “lista”. Parece também previsivel que até a sua própria equipa deverá ter uma “toupeira” infiltrada.

Confesso-me dividido porque gostei bastante do desempenho de Jessica e já tinha saudades desde Dexter, mas sinceramente, a fórmula “repetida” esmorece o interesse em prosseguir com a série. A componente de “terrorismo” poderia ser a diferença face a Blacklist, como se este tivesse um filho com “Homeland”, mas pelo piloto, não tenho muitas dúvidas que o filho não chegaria aos calcanhares dos pais.

André Borrego