Classificação

6
Interpretação
6
Argumento
7.5
Realização
7
Banda Sonora

Contém Spoilers!

Temporada: 1

Nº de episódios: 3

The ABC Murders é uma nova série com uma história já muito antiga, uma das histórias de Hercule Poirot. Sim,  trata-se de ainda mais uma adaptação da personagem criada por Agatha Christie, desta vez já com o conhecido detetive na reforma, quando começa a ser provocado por um assassino em série que assina todas as suas cartas como A.B.C. Esta provocação mexe com algo que, qualquer leitor de Agatha sabe que Poirot tem em demasia, o seu ego. Ao ser lançado um desafio, Poirot tem que mostrar a todos e a si mesmo que consegue resolvê-lo e que é mais inteligente que todos os outros. Nesta mini série protagonizada por John Malkovich e com a participação de Rupert Grint, ator que ficou imortalizado como Ron Wesley nos filmes de Harry Potter.

Esta história tem os elementos todos de um bom policial, sendo que o primeiro episódio é o momento em que o desafio é lançado e somos intelectualmente desafiados, o segundo é quando as coisas não parecem famosas para o nosso protagonista, e por fim o terceiro apresenta-nos a resolução e o plot twist a que Agatha sempre nos habituou.

No entanto, não considero que a série tenha sido um sucesso, no sentido em que é apenas mais uma e, num mundo onde a concorrência é muita, daqui a alguns anos ninguém se vai lembrar deste Poirot, pelo menos não como toda a gente se irá lembrar do Sherlock de Benedict Cumberbatch. A primeira falha para mim, é no processo de resolução dos pequenos enigmas que vão acontecendo. A série Sherlock consegue fazer o espectador sentir-se parte integrante do processo, como se fosse uma corrida entre nós e ele para ver quem chega primeiro à solução. Claro que a personagem já sabe, mas a presença de um fiel companheiro que não é tão rápido faz com que isto seja possível e haja uma aproximação entre espectador e televisão. Ora, nesta versão do Poirot não está muito presente esta componente de alguém com um intelecto superior, apenas alguém que tem essa reputação, e que de vez em quando lá explica alguma coisa. A diferença é subtil, mas está lá e é o suficiente para a série não ter grande impacto.

Outro ponto fulcral de uma série é o seu vilão. O nosso antagonista, apesar de ter ideias curiosas sobre o mundo e de eu ter apreciado a última conversa entre ele e Hercule, não é particularmente cativante. Além de que o grande plot twist já era antecipável a milhas, algo que me deixou um pouco desiludido, uma vez que esse momento pode ser decisivo para a qualidade de um episódio e de uma série. Não me arrependo de ter visto, mas por mim ficaria por aqui.

Nem tudo é negativo, atenção. Havia muitos detalhes que nos punham mesmo no cenário de um livro da Agatha Christie, desde algumas personagens um pouco exageradas e irrealistas, a pequenos detalhes que roçam o genial. Achei particularmente curiosa a assinatura do assassino e as diferentes teorias que se foram desenvolvendo ao longo da série sobre o porquê desta assinatura, ABC. Acho também que a série podia ter sido melhor se estivesse dividida em apenas dois episódios. A divisão quase não se nota, sendo que na prática é um filme de 3 horas que se pode ver aos poucos. Creio que certas partes foram estendidas para cumprirem a quota dos 3 episódios, e se tal não fosse necessário não teríamos esse problema.

Melhor episódio: Episode 1

Foi para mim o melhor episódio porque foi aquele que cumpriu melhor o seu papel e aquele que tinha o papel mais difícil. Já Stephen King dizia, sobre os seus livros, que um bom livro tem que prender o leitor logo desde a primeira frase, e nas séries acontece o mesmo. Se o começo não for bom vão perder logo imensos espectadores. Este primeiro episódio apresenta-nos o crime, o mistério e as personagens, naquilo que foi uma hora bastante agradável, e que tornou o segundo episódio pior, estando sempre a ver quando é que acabava. Torna-se melhor que o último episódio pelo simples facto de que por essa altura já tinha adivinhado o final, e isso tira a surpresa e o impacto do plot twist. É verdade que este Poirot não é marcante, mas não é horrível.

Em suma é uma série para qualquer fã de Agatha Christie ou do género de mistérios e policiais. Sabendo à partida que não é marcante não deixa de se ver bem. São 3 horas, o que não é um compromisso demasiado grande para a qualidade que tem. Até porque não nos podemos esquecer que Poirot já teve muitas interpretações diferentes; é uma tarefa bastante dificultada voltar a pegar na personagem. Aplaudo que o tentem porque a qualidade da história está lá.

O que acharam?

Raul Araújo