Classificação

7
Interpretação
6
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

Este artigo contém spoilers!

Depois de um episódio que eu até considerei bom, The 100 regressa para o segundo episódio com mais ação, mas sem respostas. Se calhar vou começar por aí mesmo. Eu acho que The 100 precisava de um upgrade. Eu não acho que a série seja má, de todo! É uma série com pontos de vista muito interessantes, até mesmo sobre a questão ambiental do planeta Terra e como sobreviver com poucos recursos, acho que tem personagens com conteúdo, mas sinto, já desde a temporada passada, que andamos sempre a enrolar e no final temos uma mão cheia de nada. A história repete-se sempre e até com os mesmos protagonistas. Todos gostamos de arroz, mas se nos derem de comer arroz todos os dias vai haver um dia em que nos vamos cansar. É o que sinto com The 100.

Este episódio, na minha opinião, devia ter dado mais explicações sobre o que é este novo mundo, que na verdade é uma lua onde as pessoas expostas ao oxigénio acabam por ficar com comportamentos agressivos. O que vimos neste episódio foi basicamente os personagens que estão na lua a terem alucinações e a atacarem-se uns aos outros. Tudo bem que em termos de ação é interessante e temos lutas e até um jogo psicológico no interior das personagens, mas mesmo assim acho pouco porque tudo o que aconteceu era muito previsível. Até mesmo a luta entre o Bellamy e a Clarke foi chata. Já passamos a fase de os ver zangados. Não faz sentido o Bellamy querer matar a Clarke. Ainda assim, nesta premissa das alucinações, tenho de elogiar o trabalho de câmara. Basicamente transportou o espectador para dentro da alucinação quase como se também nós estivéssemos a alucinar. E o jogo de cores que o facto de estarem numa lua vermelha permite fazer também resulta muito bem e visualmente fica muito bonito. Muito bom!

Não gostei também do que aconteceu na nave. Acho que eles precisaram de uma desculpa para trazer a Diyoza e a Madi de volta e usaram toda aquela trama para justificar o regresso delas e o consequente retorno das personagens da nave à Terra. Mesmo o momento em que a Raven descobre que o Shaw morreu é muito rápido. Ela deixa cair uma lágrima e corta para a cena a seguir, onde eles encontram Clarke e companhia. Basta um piscar de olho e perde-se a cena. Estava à espera de melhor.

Hoje fui um bocado mais crítico do que tenho sido. Não por achar que a série está mal, mas por ver tanto potencial sempre no mesmo registo. Já sabemos que nisto The 100 é bom e resulta, mas, assim como o próprio público da série cresce, penso que a série devia crescer também. Deviam sair desta zona de conforto que deixa tudo previsível. Aquilo que sinto é que vamos andar a temporada toda nestes jogos de “O que é a lua?” ou “Porque é que estamos a alucinar?”, “Será possível viver aqui?” e só perto do fim é que vamos de facto ter evolução na história. Ainda por cima, a série conta com atores muito bons. A Eliza Taylor é uma atriz fantástica, o Bob Morley a mesma coisa. A Marie Avgeropoulos, por exemplo, deu à Octavia uma personalidade inimitável. Mas no final parece que todos eles podiam dar mais porque não estão a ser aproveitados. The 100 não é uma má série, mas está estagnada e, por isso, hoje o meu texto acaba por ser mais um desabafo e um desejo que daqui para a frente sejamos surpreendidos. O final do episódio mostra uma menina pequena, habitante da lua, a pedir a Clarke para os levar para casa, coisa que deixa Clarke muito surpreendida, uma vez que ela achava que aquela era a casa deles. Talvez seja algo que venha dar ritmo à série. Espero bem que sim!

Carlos Real