Classificação

6
Interpretação
8
Argumento
5
Realização
4.5
Banda Sonora

[Este artigo contém spoilers]

A nova série da RTP segue a linha escolhida pela estação pública na aposta por séries nacionais. Depois de Madre Paula, Sara ou 3 Mulheres, estreou na passada sexta-feira Teorias da Conspiração, da autoria de Paulo Pena e Artur Ribeiro e produzida por Leonel Vieira.

Como premissa da série temos a investigação tanto policial como jornalística à queda de um banco privado nacional que aqui vai ser o Banco Popular e Comércio. É inevitável a sua colagem à atualidade, o que torna o interesse pela série quase automático. Começamos o episódio com uma abertura cheia de elementos que simbolizam várias instituições como a justiça, o Estado, a imprensa e os bancos, o que representa bem todos os paramentos que serão tratados na série.

Este primeiro episódio começa por apresentar esses principais sectores, com uma festa dos acionistas do banco onde rapidamente percebemos que se preparam mudanças na instituição. Os acionistas querem que o presidente caia, em função dos maus resultados financeiros do banco. Depois temos um polícia que recebe informações de uma fonte para uma investigação que mais tarde percebemos serem as contas dos tais acionistas do banco. Tenho a dizer que o polícia foi o personagem de que menos gostei, por ser muito estereotipado. Aquele típico polícia que vemos caracterizado em outros produtos televisivos, que vive sozinho, desacreditado no sistema e revoltado, mas que continua a fazer o seu trabalho porque acredita que pode mudar o estado das coisas. Outro núcleo que vamos seguindo é o de Maria Amado, a jornalista que recebe anonimamente provas das transações fraudulentas feitas pelos acionistas do banco, mas que não quer usar por medo de represálias que possa haver para si ou para o jornal. Percebemos que há uma ligação entre ela e o inspetor, o que também não deixa de ser muito típico neste tipo de produto e que se torna desnecessário em função das principais premissas da série. Além do que o enredo da série já é bastante complexo, não havendo necessidade desta pseudo-relação.

Uma das opções tomadas pelos argumentista de que mais gostei foi a introdução da influência que o poder político tem em decisões de instituições privadas. As conversas que aconteceram no gabinete do Primeiro-Ministro entre este e os seus assessores foram dos melhores diálogos vistos neste episódio, lembrado os espectadores da influência e do poder que a política e os cargos políticos podem ter em vários aspetos, sobretudo na manipulação da opinião pública. Mas naquilo que nos é apresentado, a melhor arma que a série nos traz são as semelhanças com a realidade de um caso que marcou a atualidade nacional nos últimos anos. A questão da falência do sistema bancário, as influências políticas e o aproveitamento do Estado para financiar instituições privadas, o dia a dia entre jornalistas que preferem trabalhar com ética do que em favor do dinheiro e ainda a influência que o Estado tem nas investigações da polícia.

Quem segue a atualidade com alguma atenção não pode ficar indiferente às temáticas da serie. A expectativa para os próximos episódios é saber como vão desenvolver a premissa sem cair em soluções que já foram usadas noutras séries. Sem dúvida que podemos ficar cada vez mais entusiasmados com as produções nacionais!

Catarina Lameirinhas