Classificação

7
Interpretação
6.2
Argumento
7.2
Realização
6.4
Banda-Sonora

Snowfall acompanha a ascensão da epidemia de cocaína em Los Angeles nos anos 80. Seguimos o jovem Franklin, que tenta a todo custo evitar aderir a uma “moda” que parece afetar todos à sua volta. A vida de Franklin está longe de ser monótona e a seu lado vamos conhecendo inúmeras personagens problemáticas que vão enriquecendo a narrativa da série. Gustavo Zapata é um luchador mexicano cuja carreira está em declínio e envereda por uma vida criminosa para conseguir uns trocos para sobreviver. Teddy é um agente da CIA que comete um crime para ajudar um amigo e Lucia Villanueva é filha de um chefe da máfia mexicana. Todas estas personagens vão revelando os seus quotidianos atribulados que estão conectados através dos malefícios da toxicodependência da altura.

Snowfall é uma série interessante ainda que com falhas narrativas que poderão comprometê-la a longo prazo. A história é fluente, mas as personagens não nos agarram imediatamente e vamos perdendo o interesse à medida que avançamos no episódio. O argumento procura recuperar algumas das ideias de Traffic – Ninguém Sai Ileso (filme de culto de Steven Soderbergh), mas não consegue imitar a sua tonalidade. Apesar de ter momentos de filmagem verdadeiramente assombrosos (há algumas sequências que são mesmo interessantes), Snowfall não consegue ser forte o suficiente para chocar nem nos deixa maravilhados ao entrecruzar as diferentes histórias que conta.

 A nível performativo, destaca-se o jovem Damson Idris, que tem aqui uma estreia empolgante e que se torna o epicentro de toda a narrativa. A realização também tem os seus momentos, mas Snowfall quer desesperadamente marcar pela diferença e cai em clichés frequentes e sem necessidade. Ainda assim, os próximos episódios poderão ser cruciais para a sobrevivência da série, visto que o de estreia ficou muito aquém do esperado.

Ou seja, a série de John Singleton peca por não conseguir trazer carisma à sua narrativa e, mais grave ainda, à maioria das suas personagens, que são o ponto de contacto imediato do espectador. Não é, de todo, péssima, nem deplorável, mas podia chegar um pouco mais além. Afinal de contas, a própria temática permite desenvolver linhas de história bem cativantes sem se tornar repetitiva (veja-se o caso de Narcos). As personagens podem ser enriquecidas e espera-se que isso aconteça nos episódios que se avizinham, caso contrário, Snowfall será apenas mais uma série sem graça ou originalidade.

Jorge Lestre