Classificação

5.5
Interpretação
4.5
Argumento
5
Realização
5.5
Banda Sonora

Fazendo uma apresentação rápida da premissa da nova série da Netflix, Shadow, nome da série e alcunha do protagonista, traz-nos uma uma história crua e fria de um detective e ex-especialista em forças armadas de Johannesburg. Shadrach “Shadow” Khumalo, após o terrível homicídio de uma jovem, deixa o emprego para se tornar numa espécie de hitman e assim ajudar pessoas que como ele, foram reprovadas e mal tratadas pelo sistema judicial. Shadow tem uma característica rara. Devido a um acidente no sistema nervoso central, ele é imune à dor.

Neste primeiro episódio, Shadow tenta ajudar uma série de mulheres que vêm sendo chantageadas por um criminoso reles da noite. Ele pede dinheiro em troca de fotografia íntimas que ele guarda das vitimas. Shadow aceita ajudar uma destas mulheres desesperadas, Mary, pois, mais ninguém, como a policia, parecem estar interessados em ajudar. Para além disso, Shadow vive com a irmã e uma nova colega de casa com quem desperta um interesse amoroso.

Não gostei muito da série. Para mim, quando começamos a ver uma série nova, ou seja, o piloto, acho importante que se tente criar uma ligação entre as personagens e o espectador. De certo modo, é importante que o espectador se reveja ou se espelhe na história principal. Neste caso, sinto que a série faz precisamente o contrário. Parece que entramos a meio de um dia na vida destes personagens sem os conhecer nem perceber a razão do que está a acontecer. É engraçado que quando li a premissa da série, a coisa que mais me chamou à atenção foi a questão de Shadow ser imune à dor. Achei algo curioso uma vez que existe mesmo essa condição e bem explorada, poderia dar pano para mangas. A verdade é que isso é meio que ignorado durante todo o episódio tirando uma cena onde a nova companheira de quarto dos irmãos aperta o braço de Shadow e pergunta-lhe se dói. Uma cena que para mim transpareceu mais mostrar os músculos e a força de Shadow do que verdadeiramente a condição de não sentir dor. A própria backstory é inexistente. Falam um pouco disso mas muito levemente. Temos claro a questão racial que também acaba por ser levemente falada dizendo que a polícia não trata a sério os casos de pessoas negras, daí a necessidade de haver um vigilante como Shadow para salvar o dia.

Bom, muitos clichés, muitos estereótipos e pouco conteúdo. Foi o que retirei de Shadow. A Netflix acaba por ter este “problema”. Lança muita coisa. Talvez demais! É verdade que muitas vezes saem coisas excelentes e dignas de grande louvor mas depois vêm estes projectos que pouco ou nada acrescentam. Shadow tem oito episódios disponíveis na Netflix para quem quiser tirar as suas próprias conclusões.

Carlos Real