Se em setembro e outubro muitos de nós nem sabem para onde se virar no meio de tantas séries para ver, há alturas do ano bem mais paradas, como o Natal e os meses de verão, em que as opções não são assim tantas. Essas são boas alturas para pegar em séries que tínhamos deixado de ver por falta de tempo ou para espreitar outras que nos suscitaram curiosidade, mas às quais ainda não tínhamos dado uma oportunidade. Para aqueles de nós que querem apenas preencher um buraco numa altura mais livre, o ideal são séries curtas, com poucos episódios. Assim sendo, vamos sugerir algumas séries com menos de 20 episódios e que, para nós, valem a pena ver.

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11.22.63: Esta série, baseada num livro de Stephen King com o mesmo nome, centra-se num professor de inglês, Jake Epping (James Franco), que descobre uma máquina do tempo que lhe permite voltar sempre para o mesmo dia em 1960. Vendo que as coisas no futuro não estão nada bem, decide começar uma aventura para mudar o mundo e tentar impedir o assassinato de Kennedy, alguém que tinha imenso potencial para ser um grande presidente. Assim, Jake prepara-se, descobrindo tudo sobre um dos maiores mistérios da história americana e parte nesta demanda. Esta história tem tudo, desde drama, amor e ação. Acima de tudo, é uma maneira muito divertida de aprender mais sobre este período da história. E não ter tempo para ver não é uma desculpa, uma vez que a série tem tão poucos episódios! Número de episódios: 8.

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666 Park Avenue: Às vezes há séries que fogem bastante ao protótipo daquilo que costumamos ver e gostar, mas que não deixam de nos surpreender pela positiva e esta série é exemplo disso. Já não me recordo aquilo que me levou a vê-la, mas eu via tantas séries na altura que é fácil concluir que na altura não era muito seletiva. No centro da trama está um casal jovem, que se muda para um novo apartamento em Manhattan, e os restantes inquilinos de 999 Park Avenue, com especial destaque para o casal de proprietários do edifício. No entanto, como podem imaginar, este não é um prédio comum e coisas estranhas nunca deixam de acontecer. A trama adensa-se ao longo dos episódios e revelações inesperadas sobre os personagens fazem com que a vontade de continuar a ver não se perca. Número de episódios: 13..

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Band of Brothers: Esta minissérie é uma recriação da Segunda Guerra Mundial sobre um conjunto de soldados e o percurso deles na Europa e é considerada por muitos uma das melhores séries de guerra de sempre. É uma história curta com apenas dez episódios, mas que são mais do que suficientes para criar uma ligação, ajudar-nos a entender um pouco o ambiente extremo que estes soldados viviam e como se ajudavam entre eles. O título não podia estar mais bem atribuído. Afinal de contas, depois do que passam juntos, os soldados desta companhia acabam por ser um conjunto de irmãos de armas. Vale a pena ver, garanto que vão gostar, e ação não falta! Número de episódios: 10.

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Secrets and Lies – 1.ª temporada: O melhor das séries de antologia é que ver uma temporada não nos ‘obriga’ a acompanhar as seguintes e foi precisamente o que fiz com esta. A história da temporada de estreia deixou-me curiosa desde que foi anunciada e a da segunda nem por isso, aliada a um elenco que considerei desinteressante. Nesta 1.ª temporada acompanhámos então o caso de um menino de cinco anos que foi assassinado. É Ben, o vizinho, quem encontra o corpo. Não tarda muito a que Ben seja o principal suspeito da morte da criança e a investigação vai-se desenvolvendo à medida que conhecemos novos pormenores sobre o caso e sobre o passado dos personagens, que têm algumas ligações entre si que não teríamos previsto. A história é intrigante e daquelas que agarram ao ecrã a cada episódio. O elenco não é fantástico, mas é bom e a revelação do assassino é surpreendente, mas não aquele tipo de surpreendente absurdo. A história é bem contada e o final é a cereja no topo do bolo. Número de episódios: 10.

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Thirteen: Esta é a história de Ivy Moxam. Ela desapareceu quando tinha 13 anos e agora, aos 26, voltou a casa. Durante treze anos foi mantida em cativeiro, viu-se privada da família, dos amigos e da vida normal que qualquer jovem deveria ter. No entanto, à medida que a investigação para descobrir o seu raptor avança, novas questões se levantam e a polícia começa a duvidar da veracidade das declarações de Ivy. O que distinguirá esta série de outras do mesmo género é o facto de não se esforçar em criar enredos mirabolantes para causar efeito surpresa, como é tão típico das produções americanas. A série não é previsível, não é isso, mas… a história simplesmente evolui em sentidos diferentes, talvez seja mais justo dizer assim. Thirteen parece uma série sobre pessoais reais, com problemas reais e com reações humanas em relação ao turbilhão das suas vidas. Além disso, é muito interessante ver a jornada de adaptação de Ivy ao mundo real depois de ter estado fechada durante metade da sua jovem vida. A única coisa negativa que tenho a apontar à série é a extensão dos seus episódios. Teria sido preferível aumentar o número de episódios para que cada um tivesse uma duração mais curta. Número de episódios: 5.

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The Family: Em comum com Thirteen, esta série tem o facto de ser acerca de miúdos que desapareceram para voltar muitos anos depois, mas as semelhanças acabam aí. As séries americanas parecem ter sempre a necessidade de se ‘esforçarem’ mais, de inventar intrigas que não lembram ao diabo e The Family acaba por ir nesse sentido. No centro da trama está Adam Warren, que desapareceu de um local público, onde estava com a família, há dez anos atrás. Todos pensavam que estava morto, mas um Adam de 19 anos regressa. Só que Adam não parece realmente Adam. Detestava ovos e agora come-os com vontade, só se parece lembrar de acontecimentos ou pormenores saídos de fotografias expostas… Será ele na verdade quem diz ser? Se não é, então porque é que o teste de ADN deu resultado positivo? Estarão as ambições políticas da mãe por detrás de tudo? Ou será o pai, que chegou a ser pensado como o responsável pela sua morte? Nada é o que parece, a verdade é essa! Sou sincera, dentro do género, Thirteen é uma série muito melhor, mas há qualquer coisa de mais viciante em The Family. Também é pena que esta tenha terminado com grandes questões por explicar, mas no geral não foi nada má. Número de episódios: 12.

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War & Peace: Esta minissérie de 2016 é mais uma adaptação do conhecido romance Guerra e Paz, de Tolstoi. Constituída por apenas seis episódios, vê-se muito bem, dando a conhecer esta trama a quem se deixa assustar pelo tamanho do livro. Esta história dá-nos a conhecer cinco famílias e o modo como a guerra iminente pode alterar o seu estilo de vida. Com um bom elenco, temos a hipótese de conhecer a sociedade russa numa cultura muito diferente da atual. Além disso, é mais uma boa oportunidade para aprender um pouco sobre um período histórico, desta vez a altura de Napoleão. Experimentem ver! Número de episódios: 6.

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Wonderfalls: De Bryan Fuller, o criador de Pushing Daisies, esta série remete um pouco para um universo em tudo semelhante ao nosso, mas com uma pitada de elementos ‘estranhos’. Aqui não temos um pasteleiro que ressuscita os mortos, mas sim uma empregada de uma loja que é surpreendida quando animais de plástico ou estampados começam a ganhar vida e a falar com ela, dando-lhe conselhos – pouco claros e um bocado enganadores – sobre o que fazer com a sua vida. Wonderfalls não é tão interessante visualmente como Pushing Daisies, mas tem tudo para agradar aos mesmos fãs. Com uma protagonista um tanto ou quanto doida, embora bastante relatable, com uma família igualmente muito engraçada, é uma série leve capaz de faltar soltar umas quantas gargalhadas. Apesar de ter terminado ao fim de 13 episódios, tem um final perfeitamente satisfatório que não deixa nada propriamente em aberto. Wonderfalls tem ainda o mérito de ser bastante atual – apesar de já ter sido emitida há mais de dez anos – ao ter como protagonista uma jovem licenciada numa boa universidade e que acabou num trabalho que em nada tem a ver com as suas qualificações. Acho que o ponto menos positivo da série é o facto de seguir um ‘caso’ diferente a cada episódio e vários desses casos não serem assim tão interessantes, roubando tempo à deliciosa interação entre os vários elementos da família Tyler. Número de episódios: 13.

Já agora, aproveitem também para espreitar uma crónica já lançada há bastante tempo, mas na qual se falou de séries de uma temporada e que acaba por se enquadrar também aqui.

Diana Sampaio e Raul Araújo