#1 Boa noite e bem-vindos a mais uma rubrica de “Atores de Primeira à Segunda-Feira”, desta vez com Calista Flockhart, uma veterana do mundo do teatro que ficou conhecida pelo seu trabalho em televisão, tendo também passado pelo cinema. Preparados? Vamos então conhecer um pouco melhor a atriz por detrás da magnata, decretada pessoa mais poderosa de National City, Cat Grant.

#2 Calista Kay Flockhart nasceu a 11 de novembro de 1964 em Freeport, Illinois, Estados Unidos da América. Filha de Kay Honohan, professora, e Ronald Flockhart, empresário na Kraft Foods Inc., Calista tem apenas um irmão mais velho, Gary. A família deslocou-se bastante durante a infância da atriz, tendo passado pelo Iowa, Minnesota e Nova Iorque antes de se estabelecer em Medford, Nova Jérsia.

#3 Calista, nome de origem grega que significa “a mais bonita”, concluiu o ensino secundário na Shawness High School, onde fez parte do conselho estudantil e da equipa de cheerleading. A sua paixão pela performance, presente desde a infância, durante a qual escreveu e representou as suas peças para uma pequena audiência, levou-a a estudar teatro na Rutgers University, New Brunswick, Nova Jérsia. Durante o curso, a atriz participou numa aula de atuação especializada e competitiva que requeria uma entrega de doze horas diárias.

Calista Flockhart

#4 O seu talento para a arte da performance, a sua dedicação ao trabalho em palco, começaram desde logo a chamar à atenção. O seu acting coach, o célebre William Esper, chegou mesmo a abrir uma exceção à política da escola, convidando-a a participar em aclamadas produções no palco principal que, por sua vez, geraram ainda mais reconhecimento. Harold Scott terá sido um dos encenadores a insistir na exceção, querendo a atriz na sua produção de “Picnic”, uma peça de William Inge. Foi durante o segundo ano na Rutgers University que Calista conheceu Jane Krakowski, a atriz com quem mais tarde iria contracenar em Ally McBeal.

#5 Calista terminou o curso em 1988, tendo sido uma das poucas alunas a concluir o exigente programa com sucesso. Com o diploma em mãos, partiu para Nova Iorque em busca de oportunidades. A sua estreia profissional em palco foi em “Beside Herself” (1989), no Circle Repertory Theatre, ao lado de Melissa Joan Hart. No decorrer do mesmo ano estreou-se também em televisão, num pequeno papel em Guiding Light.

Beside Herself Calista Flockhart

#6 Seguiram-se várias peças e alguns pequenos, embora relevantes, papéis em televisão. Em palco foi Anita Merendino em “Wrong Turn at Lungfish” (1993), Robin Smith em “Sophistry” (1993) e Irina em “Three Sisters” (1994/95), entre outras. Já no pequeno ecrã vestiu a pele de Lillian Anderson em “Darrow” (1991), ao lado de Kevin Spacey, e a de Mary-Margaret Carter em “The Secret Life of Mary-Margaret: Portrait of a Bulimic” (1992), uma produção da HBO que a apresentou ao mundo, tanto das personagens principais como das audiências televisivas.

#7 Poderá dizer-se que o ano de 1994 deu início ao primeiro capítulo de uma carreira com um prólogo já extenso e notável. Calista estreou-se na Broadway como Laura em “The Glass Menagerie”, uma peça de Tennessee Williams, ao lado da veterana Julie Harris que, logo após a primeira audição, achou terem encontrado a pessoa indicada para o papel. A sua performance valeu-lhe um Clarence Derwent Award e um Theatre World Award. Embora tenha participado em Naked in New York (1993) e em Getting In (1994), foi em Quiz Show (1994), realizado por Robert Redford, que conseguiu o seu primeiro pequeno grande papel no mundo do cinema.

Calista Flockhart Julie Harris

#8 Em 1995 surgiu a oportunidade de contracenar com Faye Dunaway e Dianne Wiest em Drunks, um projeto de Peter Cohn. Foi também nesse mesmo ano que conseguiu um dos seus primeiros papéis principais em cinema, num filme de Paul Peditto intitulado Jane Doe. O ano seguinte ficou marcado pelo reencontro com Dianne Wiest em The Birdcage, onde interpretou Barbara Keeley ao lado de nomes como Robin Williams, Gene Hackman, Nathan Lane e Christine Baranski.

#9 Terá sido o seu trabalho na Broadway, especificamente a sua participação numa outra produção da peça de Chekhov, “Three Sisters” (1996), desta vez como Natasha, a captar a atenção de David E. Kelley, o criador de Ally McBeal.

#10 Foi preciso persuadir Calista a viajar até Los Angeles para fazer a audição. Embora a atriz admita ter desde logo gostado do guião, os palcos de Nova Iorque eram a sua casa. Com muito encorajamento por parte de amigos, acabou por ir, chegando ao teste cansada devido ao jet-lag. “Eu entrei e pensei: ‘Bem, aconteça o que acontecer, aconteceu’.”

#11 O papel foi-lhe oferecido na mesma tarde da audição, tendo David E. Kelley revelado que, embora já tivessem ouvido centenas de pessoas, assim que Calista entrara na sala da leitura fria era óbvio que ela se tornara Ally.

#12 A série, considerada vanguardista para o seu tempo, rapidamente conquistou uma audiência que encontrou em Ally não só um escape cómico à realidade presente, como também um palco de discussão de vários temas de extrema relevância em termos socioculturais, como o caso do feminismo.

#13 A sua performance como Ally McBeal foi bastante aclamada, tornando-a num ícone dos anos noventa. Calista não foi apenas aplaudida pela audiência com um People Choice Award para Favorite Female Television Performer em 2000, como também por várias instituições ligadas à arte da performance. Foi diversas vezes nomeada para os Emmy Awards, para os Screen Actors Guild Awards, que ganhou em 1999 na categoria de Outstanding Performance by an Ensemble in a Comedy Series, e para os Golden Globes Awards, onde arrecadou o prémio pela categoria de Best Actress in a TV Series – Comedy or Musical em 1998.

#14 Ally McBeal teve cinco temporadas durante as quais Calista continuou a trabalhar em outros projetos, alguns em cinema e outros em palco. No grande ecrã, a atriz contracenou com Michelle Pfeiffer numa adaptação ao cinema de A Midsummer Night’s Dream (1999), e com Glenn Close, Cameron Diaz, Amy Brenneman e Kathy Baker em Things You Can Tell Just By Looking At Her (2000).

#15 Também em televisão, mas filmado em palco, participou numa produção do controverso trabalho de Neil LaBute intitulado Bash: Latter-Day Plays (1999). Algumas críticas mencionaram uma Calista Flockhart versátil e soberba, muito maior que a sua personagem em Ally McBeal. No ano seguinte, a atriz juntou-se ao elenco de “The Vagina Monologues”, na Broadway. Os dividendos foram doados para instituições ligadas à luta contra a violência para com as mulheres, causa a que Calista dedica especial atenção.

Calista Flockhart Paul Rudd

#16 Quando Ally McBeal chegou ao fim, em 2002, Calista retirou-se do mundo da performance para se dedicar à família. O seu próximo grande papel viria a ser o de Kitty Walker em Brothers & Sisters, mas no entretanto a atriz não só recebeu propostas, como aceitou certos papéis em filmes. Foi Valerie Weston em The Last Shot (2004), ao lado de Matthew Broderick, Alec Baldwin e Toni Collette, e Amy Nicholls em Fragile (2005). Foi também durante o seu intervalo que lhe foi oferecido o papel de Susan Mayer em Desperate Housewives, mas recusou, algo de que afirma não se arrepender.

#17 Foi então em 2006 que Calista voltou ao pequeno ecrã com Brothers & Sisters, uma série de Jon Robin Baitz. O elenco sofreu muitas alterações desde a primeira filmagem do episódio piloto, mas o trailer que se segue, ainda sem Sally Field, é uma boa introdução à história da disfuncional família Walker.

#18 Uma das coisas que Calista confessou mais ter gostado no projeto fora ter o prazer de fazer parte de um elenco que rotulou de maravilhoso, a possibilidade de encarnar uma personagem tão diferente dela própria e de Ally McBeal, num contexto tão real e relevante. A atriz afirmou muitas vezes durante entrevistas ter aprendido muito ao olhar o mundo de uma perspetiva que de outro modo possivelmente não teria conhecido.

#19 Brothers & Sisters chegou ao fim em 2011, tendo sido cancelada após cinco temporadas. Seguiu-se um novo hiatus do mundo do pequeno e grande ecrã, tendo Calista regressado em 2014 como April Keating em Web Therapy, com Lisa Kudrow.

#20 Foi em 2015 que Calista voltou aos elencos regulares. Não só foi Ellen Kelly-O’Rourke em Full Circle, como acabou depois por se juntar a Supergirl a convite de um dos criadores da série, Greg Berlanti, com quem já tinha trabalhado em Brothers & Sisters.

#21 Calista é Cat Grant, uma engenhosa magnata do mundo da comunicação social. Tendo começado a sua carreira como assistente no Daily Planet, jornal onde também trabalha Clark Kent, Cat foi escalando até ao topo, acabando por abandonar Metropolis para construir o seu próprio império, a CatCo, em National City. Kara Danvers, a identidade secreta da Supergirl, é a sua assistente.

#22 Cat Grant é uma personagem polivalente. Não só oferece comic relief a argumentos discretamente pesados, como também veste o papel de conselheira, ainda que muitas vezes disfarçadamente. Não pede desculpa por ser quem é e aborda temas socialmente relevantes com uma leveza racional que abre muitas portas para lá de pertinentes.

#23 Embora a mudança da produção para Vancouver tenha levado muitos a questionar a permanência de Calista na segunda temporada, a atriz já mostrou estar interessada em continuar na série. A sua presença será certamente mais reduzida, mas a por muitos considerada most valued player de Supergirl não está definitivamente de saída.

Calista Flockhart

#24 Calista, cujo nome pode, desde maio de 2003, ser encontrado no Hall of Distinguished Alumni da Rutgers University, nunca foi grande amante da televisão, embora tenha sido o pequeno ecrã a revolucionar a sua carreira. A sua grande paixão é o palco ao qual espera poder voltar em breve. Umas das personagens que gostaria de interpretar é Martha em “Who’s Afraid of Virginia Woolf?”.

#25 E assim acaba a nossa rubrica. Esperamos que tenham gostado de conhecer melhor a atriz Calista Flockhart e até para a semana! P.S.: A decisão final de seguir uma carreira como atriz resultou de uma audição falhada. O realizador ligou-lhe pessoalmente a informar que não tinha ficado com o papel, mas que muitos outros certamente a encontrariam no futuro pois o seu talento, embora juvenil, era notável.

Calista Flockhart