Para quem não teve oportunidade de acompanhar a nossa rubrica em direto no facebook, aqui temos a edição desta semana:

#1 Boa noite e bem-vindos a mais uma rubrica de “Atores de Primeira à Segunda-Feira” com Gillian Anderson, uma multifacetada atriz, realizadora, produtora e escritora. Preparados? Vamos então conhecer um pouco melhor a pessoa por detrás da famosa Dana Scully dos The X-Files.

#2 Gillian Leigh Anderson nasceu a 9 de agosto de 1968 em Chicago, Illinois, Estados Unidos. Irmã mais velha de Aaron e Zoe Anderson, é filha de Rosemary Anderson, analista de sistemas, e Edward Anderson, dono de uma empresa de pós-produção cinematográfica. Pouco após o seu nascimento, a família mudou-se para Porto Rico, onde permaneceram 15 meses antes de se mudarem para Inglaterra. A atriz cresceu nos subúrbios do norte da cidade de Londres, tendo passado por Stamford Hill e Crouch End, acabando em Haringay, enquanto o pai completava um curso na London Film School. Gillian tinha apenas 11 anos quando a família se mudou de novo para os Estados Unidos, desta vez para a cidade de Grand Rapids, Michigan.

#3 “Desde o início, Gillian mostrou um verdadeiro dom para o dramático”, recorda a mãe. Traduzindo-se primeiramente numa fase descrita pela sua mãe como punk rocker, a atriz chegou a fazer um piercing no nariz (durante a aplicação do qual desmaiou) e a ser presa por invadir a sua escola antes de cair nas mãos de Shakespeare. Foi a performance de um excerto da peça Romeo and Juliet aos 14 anos que lhe revolucionou a vida. “A Gillian não tinha qualquer experiência com Shakespeare, representação ou qualquer outra coisa do género. (…) Mas ela estudou a cena e dominou-a sem qualquer esforço. Quando ela a reproduziu para mim caiu-me simplesmente o queixo.”

#4 Após terminar o ensino secundário, e abandonando o seu sonho de ser bióloga marinha, Gillian Anderson inscreveu-se em aulas de representação na escola de teatro da Universidade de DePaul. No verão do seu primeiro ano foi escolhida para participar num workshop do National Theatre of Great Britan em Nova Iorque, cidade à qual retornou aos 22 anos, logo após ter concluído o seu curso. O seu primeiro grande papel foi numa produção off-Broadway de Absent Friends (1991). A sua performance como Evelyn na peça de Alan Ayckbourn valeu-lhe um Theatre World Award. A atriz participou ainda em The Philanthropist, no Long Wharf Theater em New Haven, e no filme de baixo orçamento The Turning (1992), antes de se mudar para Los Angeles com o intuito de continuar a sua carreira no mundo do cinema.

#5 “Em primeiro lugar, eu tinha jurado que nunca iria mudar-me para Los Angeles e, quando o fiz, jurei que nunca iria fazer televisão.” A atriz só começou mesmo a ir a audições para televisão após estar quase um ano sem trabalho no mundo da representação. Antes de conseguir o papel que lhe alterou a vida por completo, Gillian Anderson participou num episódio da série Class of 96 (1993). O título do episódio é, ironicamente, “O Acusado”.

#6 Foi em 1993 que Gillian foi a uma audição para um projeto da Fox Network – na altura uma rede televisiva a dar os primeiros passos – chamado The X-Files. “Não conseguia largar o guião”, relembra a atriz. O processo de seleção não foi nada fácil. Na altura com 24 anos, Gillian mentiu acerca da sua idade na esperança que os seus falsos 27 a ajudassem a encaixar melhor no retrato que os produtores procuravam. Eles queriam alguém com mais sex-appeal para interpretar Scully, mas Chris Carter, autor e realizador do piloto, insistiu que a atriz tinha a integridade necessária ao papel. “Naquela altura eu basicamente apostei o meu piloto e a minha carreira na Gillian”, recorda Carter.

#7 Com o último cheque do desemprego chegou também a notícia de que Gillian iria então interpretar o papel da agente Dana Scully. Ela voou para Vancouver, Canadá, imediatamente após a receção da notícia para filmar o episódio piloto e acabou por lá ficar durante uns quantos anos. “Eu não previ, nem de longe, nem de perto, que [a série] se iria tornar tão popular como se tornou. Muitas vezes pensei, ‘Em que é que me meti?’ O primeiro ano foi o mais complicado em termos de me habituar aos horários fatigantes e à privação de sono e a ter que representar constantemente, todos os dias.”

#8 O ano de 1997 foi um grande ano para a atriz, tendo a sua performance como Dana Scully em The X-Files valido um Emmy na categoria de Melhor Atriz em Série de Drama, um Golden Globe para Melhor Performance em Série de Drama, e um Screen Actor Guild Award para Melhor Performance Feminina em Série de Drama.

#9 Já em termos de trabalho, 1998 ficou marcado, não só pelo salto dos The X-Files do pequeno para o grande ecrã em The X-Files: Fight the Future, como também pela diversidade de outros papéis que a atriz interpretou. Gillian vestiu a pela de uma rapariga de vinte anos em Chicago Cab e de uma alcoólica biker de meia-idade em The Mighty. A escolha de papéis tão díspares serviu de testemunho à versatilidade de Gillian como profissional.

#10 Dois anos mais tarde, em 2000, Gillian voltou a dar provas da sua versatilidade e prestígio, tornando-se a primeira mulher a ter escrito e realizado um episódio de The X-Files. All Things foi o título do seu episódio, o décimo sétimo da sétima temporada, que estreou a 9 de abril de 2000, focando-se no desenvolvimento da personagem Dana Scully. “Foi uma experiência fantástica,” confessou a atriz.

#11 Foi também em 2000 que Gillian surpreendeu mais uma vez o mundo da crítica de cinema com a sua participação em The House of Mirth. O projeto, escrito e realizado por Terrence Davis, teve como base o romance do mesmo título de Edith Wharton. Passado na alta sociedade de Nova Iorque no final do século XIX e início do século XX, Gillian vestiu a pele de Lily Bart, uma jovem mulher que perde o apoio da sua família, encontrando consolo num triste final. O filme foi considerado um dos dez melhores do ano pelos críticos da Rolling Stone, Entertainment Weekly, Film Comment, Newsday, the New York Daily News, the Village Voice, e the New York Press. A atriz ganhou um British Independent Film Award para Melhor Atriz pela sua performance.

THE HOUSE OF MIRTH Gillian Anderson

#12 Quando The X-Files chegou ao fim em 2002, Gillian voltou a Londres e ao teatro com a peça What the Night Is For, que lhe valeu um Whatsonstage.com Theatregoers’ Choice Best Actress Award em 2003. Foi também por esta altura que a atriz começou a dar mais a cara por certas causas, nomeadamente a da transmissão do vírus do HIV, que a levou a África em dezembro de 2003.

#13 Em 2004 encontrou mais uma vez o palco com a peça The Sweetest Swing in Baseball, tendo a sua performance como Dana Fielding recebido críticas fantásticas. Em 2005 participou na premiada adaptação da BBC do romance Bleak House de Charles Dickens, projeto que a atriz afirma tê-la feito apaixonar-se novamente pela arte, e pelo qual foi nomeada para um BAFTA. Entrou ainda no filme The Mighty Cell, onde contracenou com Robert Carlyle (Once Upon a Time). Em 2006 contracena no poderoso The Last King of Scotland com Forest Whitaker (Criminal Minds: Suspect Behavior), James McAvoy (Shameless UK) e Kerry Washington (Scandal).

#14 É em 2008, seis anos após o último episódio de The X-Files ter ido para o ar, que Gillian Anderson volta à pele de Dana Scully em The X-Files: I Want to Believe. O filme recebeu críticas dos mais diversos géneros, algumas boas e outras muito más, sendo que, em geral, embora não muito convencidos com a história em si, os fãs pareceram reagir bem ao retorno das suas personagens favoritas.

#15 Entre 2009 e 2013, a atriz passou regularmente tanto pelo palco, como pelo pequeno e grande ecrã. No palco será importante referir a sua participação na produção A Doll’s House (2009), pela qual recebeu uma nomeação Laurence Olivier. Já no pequeno ecrã, interpretou Wallis Simpson e a Duquesa de Windsor em Any Human Heart (2010), pelo qual foi também nomeada para um BAFTA; Mrs. Castaway em The Crimson Petal and the White (2011); Elizabeth em Moby Dick (2011) e Miss Havisham em Great Expectations (2011). Pelo cinema, Gillian foi Jean Maclestone em Boogie Woogie (2009), Pamela em Johnny English Reborn (2011), Kristin Jansen em L’enfant d’en haut (2012), e Karen Morgan em Mr. Morgan’s Last Love (2013), onde contracenou com Michael Caine (Inception, Batman Begins).

#16 Foi em 2013 que a atriz começou a aparecer um pouco por todo o lado e, ao mesmo tempo, teve duas personagens diferentes a serem apresentadas ao público no mesmo mês de maio: Dr.ª Bedelia Du Maurier em Hannibal e Stella Gibson em The Fall.

#17 Hannibal, criada por Bryan Fuller, explora a relação entre um psiquiatra de renome, o Dr. Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) e o seu paciente, Will Graham (Hugh Dancy), um profiler do FBI que é perseguido pela sua estranha capacidade de sentir empatia por assassinos em série. Gillian interpreta então a Dr.ª Bedelia Du Maurier, a psiquiatra do próprio Hannibal. Originalmente um arco de apenas três episódios, a personagem Bedelia cresceu e chegou a ser promovida a regular na terceira e última temporada da série. “Com uma presença marcante no palco e na tela, [Gillian] traz carisma, elegância e inteligência a todos os papéis que representa. Escrever guiões é muito mais fácil quando se é inspirado por um grande ator e a Gillian encheu a sala de escrita de Hannibal de uma inspiração maravilhosa”, disse Fuller aquando da promoção. Ao que parece, a atriz terá lido para o papel de Clarice Starling no filme Hannibal (2001) de Ridley Scott, mas o contrato com The X-Files não lhe permitia interpretar mais nenhuma agente do FBI.

#18 The Fall, criada por Allan Cubitt, é descrita da seguinte maneira na página do IMDb: “Dois caçadores, um frio, deliberado e altamente eficiente, e outro, um forte e atlético homem com uma esposa, duas crianças e um trabalho de mediador… um deles é assassino em série e o outro é polícia.” Se a personagem Stella Gibson parece servir que nem uma luva a Gillian é porque foi realmente escrita com ela em vista. “Simplesmente pensei que ela era a melhor pessoa para o papel tal como o tinha idealizado,” disse Cubitt. A liderar um elenco que conta com nomes como Jamie Dornan (Fifty Shades of Grey, Once Upon a Time) e Archie Panjabi (The Good Wife), Gillian confessa que Stella Gibson é talvez uma das suas personagens favoritas. “Ainda me sinto intrigada por ela e quero conhecer a sua jornada. Isso interessa-me.” Pouco se sabe acerca da terceira e última temporada da série, que se espera que estreie ainda este ano, mas ao que parece irá revelar um pouco mais sobre o passado de Gibson.

#19 2014 foi mais um ano de desdobramentos. A atriz apareceu dividida entre duas novas personagens, fora as restantes ainda em cena, sendo desta vez uma delas no pequeno ecrã e outra em palco. Enquanto era possível vê-la interpretar Meg Fitch em Crisis, Gillian Anderson encontrava-se em Londres a encarnar Blanche DuBois, uma personagem que a atriz já desejava ‘vestir’ desde os seus 16 anos. Aliás, terá sido a própria a dar asas ao projeto numa conversa com o produtor Joshua Andrews. Andrews estava interessado em trabalhar com a atriz e ela mencionou que gostaria imenso de interpretar Blanche antes de se tornar demasiado velha para o fazer. A produção de A Streetcar Named Desire, peça de Tennessee Williams, esgotou em pouco mais de 72 horas aquando da sua apresentação no Young Vic em Londres, seguindo agora para Nova Iorque com estreia marcada para 23 de abril no St. Ann’s Warehouse. A sua performance valeu-lhe uma outra nomeação para um Laurence Olivier Award.

#20 Em 2015 foi anunciada a décima temporada de The X-Files. Ao que parece terá sido necessário convencer a atriz a voltar a calçar os sapatos de Dana Scully passados vinte anos da estreia da série. Quando questionada em relação ao porquê da sua hesitação, Gillian referiu o facto de ter andado a fazer muita televisão, de estar ligada a muitos projetos e por ao princípio se falar em 24 episódios. “E, para nós, fazer televisão significava abrir mão das nossas vidas, e isso não ia acontecer outra vez.” Agora, após uma estreia bem sucedida em termos de audiências, ela não põe de lado a hipótese de voltar. Também já em 2016 foi possível ver a atriz encarnar Anna Pavlovna Scherer na minissérie War and Peace.

#21 É incrível como no meio de tanta actividade, a atriz ainda conseguiu encontrar tempo para co-assinar a saga Earthend com Jeff Rovin. A Vision of Fire é o primeiro livro da trilogia de ficção científica que nos introduz uma personagem principal que em muito faz lembrar Scully. Entre conspirações, eventos sobrenaturais e possíveis aliens, é quase como entrar num The X-Files alternativo. O segundo livro, A Dream of Ice, foi lançado no ano passado, sendo esperada a chegada do terceiro, The Sound of Seas, às prateleiras internacionais em setembro deste ano. Outro dos projetos literários em que a atriz participou, desta vez com Jennifer Nadel, é o WE: A Manifesto for Women Everywhere. Este é descrito na Amazon como sendo “uma visão realmente inspiradora de um mais feliz, e emocionalmente mais recompensador, futuro que podemos criar juntos.” A escrita não é de todo novidade na vida da atriz, tendo já concluído guiões que pensa um dia trazer a público.

Gillian Anderson A Vision of Fire

#22 De momento, Gillian Anderson poderá ser vista em Sold, um filme que estreou em festival em 2014 e que chega agora ao público mais generalizado. Baseado numa história verídica, o projeto aborda o tema do tráfico humano. A atriz participou recentemente num grupo de discussão com o título ‘The Role of the Arts in Helping to End Human Trafficking’, organizado pelas Nações Unidas. Gillian é conhecida por combater por causas em que acredita, entre elas a disparidade social entre géneros, a importância da educação da juventude, a erradicação do vírus do HIV e a luta com a neurofibromatose, doença para a qual perdeu o irmão.

#23 E assim acaba a nossa rubrica. Esperamos que tenham gostado de conhecer melhor a atriz Gillian Anderson e até para a semana! Fiquem com a música Extremis, em que a atriz colaborou com Hal.