Há pouco tempo, estive a matar saudades de Lipstick Jungle, uma das primeiras séries que me deixou verdadeiramente ansiosa pelo episódio seguinte. Já não é a primeira vez que revejo a série, ainda para mais porque é uma das que tenho em DVD, e fiquei com uma certa nostalgia daquelas noites em que me sentava no sofá, com a televisão ligada na RTP2, enquanto ouvia o genérico, à espera de ver mais aventuras destas três melhores amigas bem sucedidas de Nova Iorque.

1 – Amizade feminina: Lipstick Jungle é uma daquelas séries capazes de deixar uma pessoa com inveja porque a ligação que há entre Nico, Victory e Wendy é verdadeiramente especial. Trabalham em áreas diferentes e duas delas são casadas, mas arranjam sempre espaço nas suas vidas preenchidas para as amigas. Não é tudo perfeito – já houve uma ou outra zanga mais feia entre as personagens -, mas estão sempre lá umas para as outras quando é preciso. Kim Raver, Lindsay Price e Brooke Shields têm muita química no ecrã e são absolutamente credíveis como melhores amigas. Há uma crença generalizada de que as relações entre mulheres são excessivamente complicadas e muitas vezes venenosas, mas a amizade destas três tem tanto de terna, como de engraçada, genuína e saudável.

2 – Mulheres poderosas: É sempre bom ver mulheres em posições de destaque nas respetivas profissões, porque é sinal de que estamos a crescer, enquanto sociedade, até um ponto em que os homens deixaram de deter todos os cargos de poder. Nico é a editora de uma importante revista de moda, Victory é designer de moda e Wendy é a anterior diretora de uma produtora de cinema que passou a trabalhar com produções independentes. Quando a série começa, Victory ainda está a encontrar o seu lugar no mundo da moda e é interessante vê-la a crescer enquanto designer e mulher de negócios à medida que o seu sucesso aumenta. Nico e Wendy são mais velhas e as suas carreiras estão mais bem estabelecidas, mas também têm de lidar com umas quantas dificuldades. A posição de Nico parece ameaçada, por vezes, por um colega do sexo masculino, e a reputação de Wendy é abalada quando revelações pouco verdadeiras sobre a sua vida familiar vêm ao de cima, tentando pintar a imagem de que uma mulher não pode ser bem sucedida nas duas frentes: em casa e no trabalho. Lipstick Jungle é uma série girl power, mas que não se imiscui de mostrar a realidade do nosso mundo.

3 – Elenco reduzido: Muitas vezes as séries pecam por um elenco demasiado vasto, com a história a descentralizar-se do núcleo principal para dar espaço a personagens secundários com quem o público não se preocupa verdadeiramente. O elenco principal de Lipstick é pequeno e o núcleo recorrente, que também não é muito grande, não rouba espaço aos verdadeiros protagonistas.

4 – Kim Raver/Nico Reilly: Muitas vezes, quando revejo séries, as minhas personagens preferidas alteram-se, mas Nico foi sempre a minha favorita. É a personagem que mais drama traz à série e aquela que, a meu ver, é mais complexa. Os problemas no seu casamento, a dificuldade em entregar-se a uma nova relação que é, em tudo, mais feliz que a anterior fazem dela uma personagem interessante e que se revela muito relatable, não necessariamente pelos dilemas em si, mas pelo medo de lidar com a mudança e com a opinião dos outros. Kim é perfeita para este papel! Também gosto bastante de vê-la como Teddy Altman em Grey’s Anatomy, mas o papel de Nico Reilly parece ter sido feito à sua medida.

5 – Série engraçada: Lipstick Jungle é apresentada como uma comédia dramática, mas há tantas comédias sem piada nenhuma! Se tivesse que apontar apenas um género à série provavelmente iria incluí-la em drama (se bem que não muito pesado), mas é inegável que tem piada. Bastante, até. São várias as vezes em que me rio com vontade! Victory quando chega ao fundo, numa altura em que a sua carreira está a correr bastante mal, proporciona momentos bastantes engraçados e o namorado dela, Joe Bennett, também é uma boa fonte de comédia. Aliás, a relação dos dois é cómica que chegue! Nico no estado inicial da relação com Kirby também nos traz alguns momentos caricatos e depois há outras cenas mais pontuais, como quando Victory se vê quase envolvida num ménage à trois! Também há momentos de coscuvilhice entre as amigas que causam algumas risadas.

6 – Muito melhor que Sex and the City: As comparações são inevitáveis, porque, tal como Sex and the City, também Lipstick Jungle é inspirada na obra de Candace Bushnell, embora numa história diferente. O cenário nas duas é Nova Iorque e as protagonistas são grupos de melhores amigas. Outras parecenças mais pequenas se conseguiria encontrar, mas terminam aqui no que é essencial. Eu gosto das duas séries, atenção, mas nunca consegui ter uma ligação a sério com Sex and the City, contrariamente ao que sinto em relação a Lipstick. Também nunca consegui gostar de nenhuma personagem (nem sequer suporto a Carrie Bradshaw) da série da HBO e gosto imenso das protagonistas desta. Até porque é suposto que SatC seja uma série muito feminista, mas acho que é LJ que se destaca mais nesse sentido.

7 – Poucos episódios: Sabem quando querem uma série nova para ver, mas também não têm vontade de se comprometer com uma que tem um grande número de temporadas? Lipstick Jungle tem apenas duas temporadas, perfazendo um total de 27 episódios, e não é daquelas séries pesadas em que se tem que moderar a quantidade de episódios que se vê. É ideal para uma maratona durante as férias de Natal, por exemplo.

Diana Sampaio