Classificação

7.5
Interpretação
7.5
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

Este artigo contém spoilers!

Quem lê as reviews de Westworld sabe que a semana passada fiquei bastante desapontado com o episódio e confesso que fui para este com algum receio do que iria ver. A verdade foi que acabei o mesmo com mixed feelings, passo a expressão. Não foi dos melhores episódios de Westworld, mas também não foi tão mau como fora o anterior.

Começando pelo nome do episódio, que como sabem é sempre importante no que toca a informações sobre a trama! Genre é o nome do alucinogénio que Liam injeta em Caleb e que o faz “viajar”. Para quem não entendeu, este tipo de droga faz a pessoa viver como se estivesse em diferentes géneros de filmes. Caleb passa pelo cinema noir, por filmes de ação, terror e romance. A acompanhar estes momentos temos uma brilhante banda sonora que vai buscar temas como Ride of the Valkyries, do filme Apocalypse Now (1979), ou a música Space Oddity, de David Bowie. E toda esta viagem alucinante termina numa cena onde Caleb segura Liam ao som do tema do filme The Shinning (1980). Confesso que achei toda esta sequência poética e uma bela homenagem a alguns dos grandes clássicos da sétima arte.

Neste episódio tivemos também uma visita ao passado do Serac. Descobrimos que ele e o irmão construíram a Rehoboam porque, segundo eles, o mundo precisava de um novo Deus para controlar todas as calamidades que estavam a existir no mundo. Eles decidiram convencer Liam Sr. a investir porque ele como proprietário da Incite tinha as informações de todas as pessoas, uma vez que tudo isto foi antes da lei da privacidade. Isto leva-nos ao ponto mais interessante do episódio. Ora bem, a Rehoboam consegue, como já sabemos, prever tudo sobre a vida das pessoas. Inclusive sobre a forma como se vai morrer. Eles fazem isso usando dados e supostas previsões cujo espaço de erro é bastante reduzido, mas existem certas pessoas que são consideradas anomalias. Por esta ou aquela razão, elas não são consideradas úteis na sociedade, uma vez que não conseguem ser lidas. O irmão de Serac é uma delas. Ele ficou tão alucinado com tudo aquilo que Serac foi obrigado a fechá-lo numa cela muito parecida com as celas dos hosts no parque. Mas não foi só o irmão dele que foi lá fechado, todos os outliners do planeta foram colocados lá e ou ficam aí fechados ou são mandados para a guerra ou usados como experimentos. Serac basicamente tem assim controlo do mundo e de tudo o que se passa. Desde a economia até às eleições dos presidentes dos países. Um exemplo disso foi a ameaça que ele faz no início do episódio ao presidente do Brasil, ameaçando retirá-lo do cargo nas próximas eleições. A propósito, muito mau cast para a personagem! Deviam ter arranjado um ator que falasse um português melhor. Vincent Cassel falou dez vez melhor!

Quanto à Odisseia de Dolores e Caleb, a parte de que mais gostei foi quando ela tornou as projeções do Rehoboam livres para que todos a possam ver. Foi muito curioso perceber as reações das pessoas ao saber que tudo o que fazem e tudo o que fizerem está programado por uma máquina gigante. Ver aquela mãe no metro que descobre que a filha vai morrer por causa de problemas com drogas sendo que a filha pequena está lá sentada à beira dela foi bastante emocional.

Começou assim o caos com as pessoas a revoltarem-se contra a sociedade em que estão inseridas. Um momento interessante é quando Caleb vê todo o caos e pergunta qual é o género que está a ver (por causa da droga) e o amigo dele diz-lhe que é apenas a realidade. Outro ponto interessante foi Bernard a confrontar Martin/Dolores sobre por que razão ele segue à risca tudo o que Dolores manda. Martin diz que é o trabalho dele e nem o questiona, acabando mesmo por morrer neste episódio, mas fica aqui o sinal de que veremos mesmo, pelo menos, uma Dolores a revoltar-se e acho que está bem claro que vai ser Charlotte.

Confesso que este episódio foi melhor do que o anterior e acho que a série está a caminhar para um final que certamente vai ser explosivo e surpreendente. Mesmo assim tenho algumas coisas que me custam a perceber e mais uma vez vou ter de ser exigente. Na cena da morte de Liam, ele leva um tiro no abdómen como se tivesse sido Caleb a disparar. Logo a seguir vemos que quem disparou foi a amiga de Caleb que não tinha como lhe acertar naquele lugar. Mais tarde, quando Liam morre nos braços de Caleb, este tem de estancar a ferida da bala no peito de Liam. Ou seja, existem alguns pormenores que não estão a bater certo e começo a acreditar que tudo isto, tal como os erros da semana passada, serão pistas que talvez não nos façam ver exatamente as coisas da forma como elas aconteceram. Sabemos já pelo trailer que o próximo episódio vai conter muita informação e nós cá estaremos para o debater. Até para a semana!

Carlos Real