Classificação

7.5
Interpretação
6
Argumento
6.5
Realização
7
Banda Sonora

Este artigo contém spoilers!

Olá, malta! Cá estamos nós para falarmos um pouco sobre o quarto episódio desta temporada. Sim, eu sei! Está toda a gente a falar do twist final, mas, como sempre, vamos por partes.

The Mother of Exiles é o título deste episódio! Curiosamente, ou não, este é também um nome dado à Estátua da Liberdade. Podemos daqui tirar uma conexão com a nossa Dolores, que, de certa maneira, veste a pele de mãe dos exilados, que neste caso são os hosts no nosso mundo. Pelo menos é o que ela afirma ser porque como descobrimos no final do episódio. Dolores confia apenas e só em si própria. DOLORES É TUDO E TODOS!

Hoje confesso que vou ser bastante crítico, pela negativa, do episódio. Parece contraditório tendo em conta tudo o que sempre escrevo sobre Westworld, mas este episódio deixou-me desiludido!

Este episódio serviu para fazer alinhar todas as narrativas no mesmo tempo e assim confirmar que todos estamos na mesma altura, mas pareceu-me tudo muito feito em cima do joelho. Começo por Maeve. Ela conversa com Serac, que basicamente a intimida a caçar Dolores. A cena começa logo com um erro de continuidade que me incomodou bastante. Maeve pede uma bebida e no plano a seguir, a bebida, como por magia, aparece em frente a ela. Westworld não nos habituou a este tipo de erros e, portanto, a minha primeira reação foi que talvez aquilo fosse um sinal de que era tudo uma simulação, mas os erros continuaram. Mais tarde, Maeve descobre que Dolores anda a distribuir aquele líquido branco para fazer hosts e tem uma espécie de fábrica para os criar. Essa ideia é bem interessante e vai ao encontro do que sabemos de Dolores. Maeve vai atrás do manda-chuva daquilo tudo e descobre que é Musashi! Sim, esse mesmo do Shogun World. Até Maeve se questiona até lhe dizer – e atenção que vai ao encontro do grande plot twist do episódio – que ele é na verdade Dolores.

Sim, todas as pérolas que Dolores levou do parque são cópias dela mesma. Inteligente, não é verdade? A questão é por que raio é que Dolores iria criar de memória o corpo de Musashi para usar? Sim, eu sei que Hiroyuki Sanada é um ator do caraças, mas não faz sentido ela ter criado um corpo que nunca viu na vida. Sinceramente, toda essa sequência não fez sentido para mim. Inclusive a forma como Musashi/Dolores “mata” Maeve. Dolores diz a Maeve que vai criar um mundo onde ela poderá viver com a filha e logo a seguir mata-a? Pelo que vejo, mais dois minutos de conversa e Maeve aceitava ficar do lado da Dolores, uma vez que ela pode dar-lhe exatamente o que sempre quis, estar com a filha.

Como podem ver, hoje estou picuinhas, mas a verdade é que estou mal habituado porque a série geralmente não dá ponto sem nó e infelizmente o meu desagrado não fica por aqui! Bernard e Stubbs chegam ao mundo real. Voltamos a ter um momento como o do copo, com a Maeve, quando num plano vemos atrás de Bernard um foguetão a chegar à terra e no plano a seguir o foguetão a sair. Ok, Westworld, por favor diz-me que isto é de propósito. Pior, Stubbs comenta que eles vieram a nadar até ali. A NADAR? DESDE WESTWORLD? Malta, a sério, isto não pode ser verdade. Daqui a nada Stubbs trouxe Bernard às costas como Camões trouxe Os Lusíadas.

Dolores e Caleb…

Malta, eu adoro a Dolores versão Wyatt que mata tudo à volta dela, mas isso sou eu que a conheço desde a 1.ª temporada. Vendo isto do ponto de vista de Caleb, ele conheceu uma rapariga que diz que vai mudar o mundo, que muitas vezes refere vir de um mundo diferente, que não tem problemas em matar pessoas à luz do dia e Caleb, UM EX-SOLDADO, não se questiona. Neste episódio, ela ataca um homem no meio da rua, rouba-lhe o sangue, injeta-o nas veias de Caleb e a seguir vão roubar todo o dinheiro de Liam e, mais uma vez, ele não se questiona. Sabemos também que no futuro não existem DST e que assaltar um banco é bastante fácil. Mais à frente, descobrimos que Stanley Kubrick estava mesmo dezenas e dezenas de anos à frente! Quando Liam vai a um leilão de prostitutas aquilo parece ter saído do Eyes Wide Shut. Atenção, aqui até acho que foi uma homenagem e até gostei, como bom cinéfilo que sou.

Outra coisa da qual tenho de me queixar. Não estou a gostar das lutas! De repente isto ficou Matrix demais. No mau sentido! É só porrada e tiros. Eu gosto de Westworld quando me faz pensar e questionar a realidade da minha existência. Não gosto quando me transporta para um filme de ação cheio de lutas e explosões. Fica muito básico!

Talvez a melhor sequência do episódio tenha sido mesmo a de William. Ver as suas alucinações e delírios e toda a manipulação feita por Charlotte foi muito interessante. Claramente, William ainda está perdido todos estes anos depois e, de certa forma, isso faz sentido. Ele é real, mas, ao mesmo tempo, tudo o que viveu foi uma espécie de mentira na odisseia de se tentar encontrar. A revelação de Charlotte como Dolores foi poética. A forma como Charlotte lhe faz a barba da mesma forma como Dolores fez a barba de William no último episódio da 1.ª temporada foi o momento deste episódio. A imagem comunicou connosco sem precisar de dizer uma única palavra. Claro que depois valeu a pena ver a cara de William quando Charlotte lhe diz ser a Dolores. Só espero que apesar de ter sido internado e de todo o seu poder na Delos ter passado para Charlotte/Dolores, que não tenha sido o fim de William. Ed Harris é um ícone e um ator sensacional.

Claro que o grande plot twist foi mesmo a revelação de que todas as pérolas pertencem a Dolores. Das cinco pérolas que ela trouxe do parque, uma era o Bernard e as outras quatro ela própria. Sabemos que uma pérola está em Martin, a outra em Musashi e uma outra em Charlotte. Logo, só falta uma. Será que Dolores reconstruiu a filha de William como host para o atormentar? Ou será que é alguém de quem não estamos à espera? Espero que esse seja, sim, o grande twist da temporada. Acredito também que esta questão de existirem várias Dolores vá dar asneira e muito provavelmente o grande final da temporada vai ser uma batalha de Dolores. O grande tema desta temporada é o livre-arbítrio, mas até que ponto existe livre-arbítrio quando todos os hosts são uma cópia de Dolores e basicamente têm de obedecer e seguir as ordens da original? No cartaz desta temporada temos uma foto de um host derrotado e, se repararem bem, conseguimos ver pequenos pedaços de tecido azul a sair do corpo despido do host. Quem usava um vestido azul? Dolores! Mais, na intro vemos um pássaro a voar em direção ao sol e a queimar as suas asas numa clara referência a Ícaro. Na mitologia, Ícaro tentou dominar o ar ao voar e, apesar do aviso de perigo, ele foi demasiado ambicioso e acabou queimado pelo sol. Talvez isto seja um sinal de que as coisas não vão correr bem para Dolores.

Malta, para terminar, quero dizer que não achei que o episódio fosse mau vendo-o de forma isolada, mas achei que não esteve ao nível a que estamos habituados dentro do contexto da série. Talvez seja eu que tenho o olho treinado e vá apanhando algumas coisas que não fazem sentido, mas acreditem que escrever estes pontos menos positivos custa-me um pouco. Mas, claro, é o meu trabalho e não vou estar sempre a elogiar algo quando senti que houve um pouco de descuido neste episódio. Francamente foi o pior episódio que me lembro de ver em Westworld, ao ponto de me ter deixado aborrecido em certas partes. Vejam de novo a cena toda do banco e de Maeve com Musashi. Aquilo não é Westworld, aquilo é pouco para Westworld. Aquilo é despachar em cima do joelho. Uma parte de mim quer acreditar que foi de propósito e todos estes erros são um sinal de que algo não está bem e que aquilo é uma simulação ou o tal sexto parque, mas infelizmente penso que não será o caso. Se o for, então tiro o chapéu a Westworld e prometo que escreverei a pedir desculpa por todas estas queixas. Espero que percebam o meu desabafo. Até para a semana!

Carlos Real