Classificação

9
Interpretação
8
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Como seria de esperar, a reta final da primeira parte da 6.ª temporada de Vikings dá mais cartas do que os episódios iniciais e o enredo começa a agitar-se. Podemos já adivinhar algumas coisas que vão acontecer antes da série entrar na habitual longa pausa e só espero que o que se sucede não desiluda como a maior parte dos episódios passados.

Valhalla Can Wait revelou-se surpreendente e cativante, o que me agradou bastante. Foi uma quebra com o que vimos no episódio anterior, pautado pela tristeza, e nos seis antes desse, repletos de aborrecimento. Deixou-me expectante e a ansiar pela mid-season finale. Uma vez mais Alexander Ludwig está de parabéns pela sua performance – levou-me a sentir a sua raiva, o seu luto, a sua infelicidade, a sua desilusão para com a maré de azar que os deuses lhe enviaram.

Este episódio foi realizado pela fantástica Katheryn Winnick, que dava vida a Lagertha, estreando-se assim no mundo que está por detrás das câmaras e demonstrando que brilha tanto à frente delas como ao seu leme. Não creio que tenham havido muitas diferenças em termos de realização entre este oitavo capítulo e os que o precederam, mas notei que tanto Ludwig como Marco Ilsø (Hvitserk) deram mais de si nas suas interpretações das respetivas personagens. Se foi devido às indicações de Winnick ou apenas corresponderam ao que o enredo pedia deles não sei dizer, mas posso afirmar que adorei aquilo que vi de ambos os atores.

Já sabia que a decisão de Björn seria vingar a morte da mãe, mesmo que isso significasse tirar a vida ao irmão. Björn é assim mesmo, esperava somente que Ubbe se tivesse pronunciado sobre a decisão do irmão mais velho. Afinal de contas, Hvitserk é 100% do seu sangue e nem que fosse uma pequena objeção tinha-lhe ficado bem. Contudo e porém, Björn Ironside tinha outros planos que eu não antevi de todo. Pensava mesmo que o primogénito Lothbrok iria avante com a sua decisão tomada em público. Naqueles segundos antes de ele dar ordem para que acendessem a pira pensava para mim “Björn, pensa melhor. Esta é uma decisão com a qual vais ter de viver o resto da tua vida.” e qual não é o meu espanto quando Ubbe lança o machado que solta Hvitserk.

Claro que o discurso seguinte de Björn fez todo o sentido – interliga-se com a cena de flashback que víramos quando o único filho de Lagertha decidira partir com a mãe ao invés de ficar com o pai. “When the time comes, think with your head, not your heart” dissera-lhe Ragnar, e Björn assim fez. Nem vou falar na avalanche de sentimentos que foi este flashback. Ver Ragnar traz-me sempre umas lágrimas ao canto do olho. Ainda tenho esperança que Travis Fimmel faça uma derradeira aparição na série antes do fim desta. A decisão de Björn pode ser o turning point necessário à história de Hvitserk do qual falo desde o início. Duvido que lhe tenham dado tanto tempo de antena e que Björn o tenha poupado para que morra de hipotermia na floresta. Posso estar enganada, mas o irmão mais ensonso terá um papel fulcral na derradeira batalha da série.

Noutras paragens tivemos uma revelação que me deixou de queixo caído. Sempre pensei que Ivar se aproximara de Igor pela estratégia política, mas aparentemente criou mesmo uma ligação com a criança. Ou será apenas fingimento? Com Ivar nunca consigo ter a certeza de nada, mas a verdade é que Oleg faz muita menção ao facto de o irmão Lothbrok mais novo ter tido um filho (supostamente). Não sei o que vem aí no que toca a este plot, mas diria que um dos possíveis outcomes é Igor matar o tio. Psicologicamente o miúdo não é do mais saudável (quem seria, dadas as circunstâncias?) e depois da cena com a marioneta… Bem, a ver vamos, mas até que seria interessante Oleg ter um fim triste às mãos do sobrinho.

Com apenas um episódio nesta primeira parte da última temporada restante, a investida de Dir, o irmão de Oleg brutalmente torturado às suas ordens, não deve estar longe e dado que o nono episódio se intitula Resurrection há grandes hipóteses de se referir a uma ressurreição hipotética do irmão russo que se vem vingar e reclamar o que é seu. Isto poderá levar à execução do plano de Ivar que provavelmente recai em colocar Igor no poder para que ele possa governar através do miúdo ao mesmo tempo que faz a investida na Noruega e reclama o trono de Kattegat e se vinga dos irmãos. Estou também curiosa por ver o que fará o Rei da Noruega, Sua Alteza Real Harald Finehair, aos raiders de Oleg que começam a invadir as terras vikings. Quero também ver onde afinal pretendem levar a história de Olaf e o porquê de o continuarem a adicionar às cenas. Na minha opinião, é desperdício de tempo.

Por fim, Ubbe e Torvi partem finalmente para a Islândia e que viagem rápida e sem percalços foi a deles! Ironia à parte, não faço ideia o que nos vai trazer este plot. Não sei o que vão descobrir sobre Floki, se morreu mesmo dentro daquela caverna ou se de alguma forma sobreviveu e vagueia pela ilha ou se os colonos, liderados por Ketill, lhe fizeram alguma coisa… Bom, esta parte do enredo é uma completa incógnita e só espero que não cometam o mesmo erro que cometeram na temporada passada ao se focarem tanto em Floki e na sua história completamente sem nexo.

O que estão a achar da 6.ª temporada até agora?

Beatriz Caetano