Classificação

8.5
Interpretação
8
Argumento
8.5
Realização
8.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Depois de muita espera e algum desespero, Vikings dá finalmente mostras daquilo que sabemos ser capaz. Os inícios de temporada têm sempre tendência a ser mais parados e de qualidade mais fraca por alguma razão que não vou chegar a descobrir. A três episódios da última mid-season finale da série será que a fasquia se continuará a elevar?

Death and the Serpent será um dos episódios mais especiais da série, mesmo que não seja dos melhores. Tal como All His Angels (04×15) ficará marcado na memória dos fãs como a despedida de Ragnar, este sexto capítulo da última temporada de Vikings marca-nos pela morte de Lagertha e aquilo que esperamos ser o seu reencontro com o amor da sua vida em Valhalla.

Foram seis anos a acompanhar as suas aventuras, os seus muitos altos e alguns baixos, a vê-la passar de uma simples agricultora a Shieldmaiden e Rainha de Kattegat. O seu nome será para sempre lembrado, assim como a prestação da magnífica Katheryn Winnick. Sem ela, certamente que a personagem não seria a mesma coisa. É visível o bocadinho de si que a atriz deu para trazer aos pequenos ecrãs uma figura lendária como Lagertha.

Começando pelo fim, confesso que sempre soube que esta temporada nos traria o final da série e o de Lagertha. Apenas pensei que não seria tão cedo nem da forma que ocorreu. Mais uma vez a profecia realizou-se e nesse aspeto estou contente com o argumento. Mas ter sido Hvitserk a matá-la enquanto estava a alucinar que ela era uma serpente gigante composta por parte de Ivar não me deixa de todo satisfeita. Acho que ser o próprio Ivar a matar Lagertha faria mais sentido, mas talvez fosse demasiado óbvio. Portanto, estou dividida em relação a esta despedida que, na minha opinião, poderia ter sido muito mais.

Em relação a Hvitserk, fico na dúvida sobre o que significará este homicídio (involuntário?) para o seu futuro. Descobrirão que foi ele o responsável? Confessará ele a Björn que lhe matou a mãe, mesmo que tenha sido durante um surto psicótico? Doenças mentais e as suas definições ainda não eram temas debatidos na altura e parece-me que caso Björn descubra o verdadeiro culpado da morte da mãe não poupará Hvitserk. Ou será que é desta que o irmão Lothbrok mais desprezado acordará do limbo e contribuirá de alguma forma positiva para a restante história? A ver vamos, mas espero mesmo que façam com esta personagem algo que valha a pena ver e não aquilo que nos têm apresentado até agora, caso contrário ter sido ele a matar Lagertha será um desperdício completo.

Ainda sobre Lagertha e a sua derradeira batalha. Continuo a achar que todo o plot dos outcasts não foi bem explorado nem bem explicado. É verdade que já tivemos diversos hints de que os vikings lutam entre si por todas e nenhumas razões e que o objetivo da eleição de um rei para todo o país é acabar com isso mesmo e instaurar a paz entre os povos. Ainda assim, a sensação com que fico é que estes ataques foram forçados e que esta história serviu apenas justificar a morte de Lagertha. Não senti que fosse uma coisa que acontecesse com naturalidade e cujo desfecho fosse imprevisível e chocante. Não desgostei desta última batalha, mas também não adorei.

Passando a outras paragens, falemos agora de Ivar e de Oleg. Continuo bastante dividida em relação a Katia, mas a balança pende agora mais para o lado em que acho que ela é Freydis. Se realmente for ela não percebo porque voltou. Deveria ter fugido para bem longe. É óbvio que Ivar conseguirá virar o jogo a seu favor no que toca a Oleg, é só uma questão de tempo, e quando ele descobrir que ela se estava a tentar vingar de certeza que se assegurará que ela desta vez morre mesmo. E que raio de cena foi aquela do vestido e do ato em cima da mesa?! Também aqui espero que avancem com o enredo e nos revelem mais do plano de Ivar.

Por fim, a eleição. A produção sempre optou por seguir o rumo da história e coroar Harald como o rei de toda a Noruega. Até aqui nada de extraordinário, só não pensei que Finehair fosse um traidor. Björn esteve do seu lado durante os últimos tempos, partiu de Kattegat para o resgatar das mãos do Conde Olaf e é assim que ele agradece. Boa forma de dar início à paz entre os vikings. Já agora, fiquei mesmo sem perceber qual foi então o propósito do Conde em raptar e aprisionar Harald. Vamos ver o que significará esta traição de Finehair e o regresso de Ketill Flatnose ao lado de Björn (ou será realmente?), assim como a introdução de uma nova personagem que prontamente resgatou o Rei de Kattegat.

Vikings apresenta assim o seu primeiro episódio sólido na última temporada. Tem sido um início fraco, especialmente sendo o desfecho da série, mas com certeza que nos próximos episódios a qualidade aumentará e teremos oportunidade de ver desenrolar uma grande história.

Beatriz Caetano