Classificação

8.7
Interpretação
8.6
Argumento
8.7
Realização
8.8
Banda Sonora

E chegou o primeiro episódio mais fraquito desta temporada de The Walking Dead. Depois dos primeiros três com a qualidade perto do nível máximo, um dos próximos iria diminuir de intensidade com toda a certeza. Calhou a Silence the Whisperers ser um quase “enche chouriços”.

Não há muitos momentos a destacar neste episódio. O que se desenrolou nestes minutos foi uma explicação do que tem acontecido com as restantes personagens enquanto ficávamos a par do backstage das ações dos Whisperers e assistíamos às alucinações de Carol. Nem todos os episódios podem ser espetaculares e com a narrativa a avançar a passos largos. Em 16 episódios, alguns terão de ser mais lentos e de contextualização, para que não nos percamos no meio de tanto local, tanta personagem e tanta storyline individual e coletiva.

O momento alto vai mesmo para a cena quase final em que Lydia é espancada e Negan, ao salvá-la, acaba por matar aquela senhora tão simpática. Achei que ele ficou genuinamente aborrecido por aquilo ter acontecido e creio que a sua mudança de personalidade nesse sentido se deu mesmo. Por outro lado, Lydia continua um pouco perdida no meio de tudo o que se está a passar e não encontrou ainda o seu lugar com as comunidades. A questão que se coloca é: será de todo capaz? Ou este seu misplacement será um trunfo nas mãos de Alpha?

Outro foco deste episódio foi Ezekiel que, tenho a dizer, já me chateia. Espero que estas cenas tenham servido para dar por terminado o luto pelo que perdeu. Acho que esta é uma personagem que já foi bem mais interessante e que agora é só chata. Quando tinha o seu reino e o seu tigre de estimação, assim como um temperamento complicado, Ezekiel era agradável de se ter no ecrã. Contudo, o seu desenvolvimento depois de, aos poucos, perder aquilo que o definia coloca-o quase lado a lado com a evolução de Morgan. E esperemos que aquele romance com Michonne tenha sido mesmo só uma coisa do momento.

Daryl ocupou o lugar de pai, ou de guia, para com Lydia. E consegue ainda ficar do lado de Negan, mesmo depois de tudo por que passou nas mãos dele. Ao contrário de Aaron. Disse numa outra review que gostava muito desta nova atitude de Aaron, que não está para se rebaixar perante mais ninguém nunca mais, mas espero que não perca a voz da razão no meio de tanta raiva. Tivemos ainda um pequeno foco no grupinho mais recente e mais uma vez a decisão de lutarem da forma menos ineficaz contra os walkers. Até agora não se têm destacado. Vamos ver se isso muda entretanto.

E voltamos a vislumbrar a perspetiva de Siddiq quando se encontra em momentos de pressão. Creio estar para breve a revelação do que realmente se passou naquele dia fatídico com os Whisperers e porque foi que ele sobreviveu. Avi Nash, o ator que dá vida à personagem, referiu na Comic Con Portugal deste ano, aquando de uma pergunta de um membro da audiência, que não, Siddiq não estava a trabalhar para os Whisperers. E disse-o com convicção. Na altura acreditei mesmo que Siddiq não poderia ter nada a ver com estes demónios. Agora tenho a certeza de que teve. (Podem ler o resumo do painel de Avi Nash aqui)

Na próxima semana antecipo um episódio misto: um pouco de ação e um pouco de contextualização. Talvez fiquemos a saber para onde foi Negan e talvez tenhamos até a sorte de ver um primeiro encontro entre ele e os Whisperers (é pedir de mais?).  E vocês, o que acharam deste episódio e o que pensam da temporada até agora? Eu estou a gostar.

Beatriz Caetano