Classificação

6.5

Contém SPOILERS!

E assim chegou ao fim uma série cancelada logo nos episódios iniciais! Com uma premissa ambiciosa, The Messengers prometia reviver, mais uma vez, o apocalipse cristão no pequeno ecrã (algo que tem sido explorado esporadicamente tanto no cinema como na tv). No entanto, graças a um guião mal desenvolvido, e alguns erros de casting, The Messengers entrou numa espiral destrutiva, perdendo qualidade, a partir do segundo episódio, fazendo com que os seguidores da série fossem demonstrando desinteresse e concordando com o cancelamento prematuro de que foi alvo.

Começando por ressaltar a participação de Diogo Morgado na série, foi, provavelmente, a melhor parte! O sarcasmo e a energia com que Diogo prendou Lucifer, preencheu alguns dos melhores momentos, ora vejamos o seguinte diálogo:

Lucifer: Your son is an archangel.

Vera: What’s that supposed to mean?

Lucifer: What do I look like, a theology professor? Read a Bible.

Tivemos então um Diabo que não foi mau de todo, capaz de ajudar os anjos na luta contra a ação dos cavaleiros, com a desculpa que o apocalipse seria uma chatice de tão aborrecido que se tornaria a eternidade. Ao longo de toda a série, Lucifer faz-nos questionar sobre quem é o grande vilão da história: se ele próprio por ser manipulador e andar a prejudicar tudo e todos em seu próprio proveito; se o próprio Deus, já que, geração atrás de geração, testa a Humanidade com os cavaleiros do apocalipse. Temos de aceitar, que apesar do seu caráter duvidoso, ele acabou por manifestar atos altruístas, ora vejamos o caso de ter revelado o local onde Vera poderia encontrar o seu filho, quando o poderia ter morto para não ter de se confrontar com ele quando se tornar um arcanjo adulto e poderoso.

O grupo está a todo o vapor na procura dos cavaleiros, sobretudo após Joshua ter uma visão sobre a destruição de Houston com recurso ao elemento genesis e aos drones de Mark, o cavaleiro da fome… e, consequentemente, a morte dos sete anjos. Apesar de todos os esforços, o grupo acaba prisioneiro de Cindy e não consegue parar o lançamento dos drones e, ao que parece, o quinto selo vai ser quebrado. Numa última tentativa, os anjos estão dispostos a sacrificar as suas próprias vidas de forma a que Zahir, com os seus poderes, possa destruir o sistema de forma a impedir a chuva que executará milhares de vidas. Começam a correr e, um a um, começam a cair perante os disparos do exército de Cindy. Com os mensageiros mortos, nada poderia acabar com a quebra do quinto selo. Não fosse o cliché em que, no último segundo, Deus aceita o sacrifício altruísta dos seus anjos, para a destruição quando ela iria começar e, em vez disso, liberta chuva que vai fazendo milagres onde toca! Invertendo a situação, quem acaba morto são os cavaleiros, com Rose a dizer que a situação ainda não estava resolvida! De todos os efeitos especiais da série, este foi o que mais gostei!

Como seria de prever, os sete mensageiros ressuscitam, Vera reencontra o filho e tudo termina bem no icónico bar, “The Last Supper”, onde cada um deles decide o caminho perfeito que vai seguir. No entanto, Joshua semeia a desconfiança na mente de Vera, afirmando que Amy é o anticristo e que ainda têm poderes para protegerem Michael, o arcanjo, para que cresça e possa eventualmente salvar o mundo. Quando as duas crianças brincam cá fora (estranho que Vera deixe o seu filho recém-resgatado de um rapto de longa duração brincar no exterior de um restaurante), Lucifer aproxima-se e Amy, com a cara invertida, cumprimenta-o como “pai”.

O episódio, apesar de apresentar bastantes falhas, acabou por dar um final razoável a uma série que, no seu todo, foi fraca. Apesar dos clichés, dos diálogos forçados e de alguns erros de casting, o finale satisfez e resolveu a problemática apresentada para a temporada. Não me arrependo de ter seguido a série, mas não sentirei saudades ou ficarei triste por não existir uma segunda temporada!

Nota: 6.5/10

Rui André Pereira