Classificação

8.2
Interpretação
7.7
Argumento
8.6
Realização
7.5
Banda Sonora

Contém spoilers!

Even in the darkest times, hopes cuts through

Wow, este evento tem sido uma montanha-russa de emoções e o sonho para qualquer fã da DC. É preciso reconhecer que a DC conseguiu realizar aquilo que a Marvel até agora tem tido dificuldades em manobrar, e que é uma integração com sucesso dos seus vários projetos.

Nesta 3.ª parte da Crisis on Infinite Earths o plano principal seria resgatar o máximo de pessoas de outras Terras para a Terra-1, enquanto se descobriam os restantes Paragons e uma forma de parar o Anti-Monitor. Será que correu tudo como os super-heróis esperavam?

Um dos pontos altos na história principal foi a revelação da transformação de Nash Wells em Pariah. Ao tentar parar Mar Novu (Monitor), o suposto “Deus” herói, Nash libertou o mais destrutivo vilão que o multiverso já viu.

Outro destaque do episódio foi a resolução do caso do desaparecimento de Flash na Crisis. A profecia acabou por se realizar, mas o Barry Allen a desaparecer foi o da Terra-90 e não o da Terra-1. O Flash dos anos 90 acaba por ser o eterno sacrifício já que é a segunda vez que toma o lugar de Barry/Grant Gustin num evento crucial, embora isso não tire o valor da sua decisão nem o mérito de como a cena foi realizada, conseguindo um momento realmente dramático, onde na memória deste Flash com Tina McGee é dado um desfecho aos fãs dessa série que ficam a saber que os dois acabaram por se casar e viver felizes durante um tempo. Para quem seguiu a história original de Crisis on Infinite Earths (Abril 1985 – Março 1986) o que acharam da morte de Flash? Mesmo no ponto, não?

Já em pontos baixos, a descoberta dos Paragons, tirando a revelação de Ryan Choi que vem adicionar mais uma conhecida personagem da DC (nas comics Choi é um protegido de Ray Palmer que acaba por herdar o manto de Atom) ao Arrowverse, foi completamente anti-climática, pois a surpresa criada à volta de quem seria acabou por se revelar fictícia e os Paragons eram aqueles que já se esperavam.

What is it you desire?

Fãs de Lucifer façam-se ouvir! Os rumores de que Lucifer também marcaria presença na Crisis e que tinham sido desmentidos por Tom Ellis acabaram por se verificar mesmo verdadeiros. O Diabo mentiu, estou chocado! A visita à bem nomeada Terra-666 foi uma interessante paragem, que transmitiu na perfeição a maneira de ser de Lucifer Morningstar assim como também ajudou ao plot da Team Constantine que deram mais um passo na direção da ressurreição de Oliver. Da Terra-666 para o Purgatório somos introduzidos à personagem de Jim Corrigan (que muitos podem conhecer como o anti-herói Spectre) e a um possível vislumbre do futuro de Oliver Queen. [possíveis major spoilers] Ao que tudo aponta o Kapiushon irá sofrer uma nova transformação e “become someone else, become something else”. Ou seja, enquanto Mia irá herdar o manto de Green Arrow, Oliver Queen poderá vir a tornar-se o Spectre do Arrowverse, permitindo a sua futura e repetida aparição em qualquer série deste universo.

Where’s the future?

Black Lightning era até agora a série esquecida do Arrowverse, indo já na sua 3.ª temporada, mas nunca tendo estando presente em nenhum crossover, nem nunca tendo sequer uma única referência. No entanto, Jefferson Pierce conseguiu em poucos minutos criar um impacto memorável. Desde a demonstração dos seus poderes para conter a onda de anti-matéria, ao diálogo com Barry e a forma como conseguiu pôr de parte a perda da sua família para ser um super-herói e ajudar a salvar o multiverso, até ao seu icónico discurso motivacional que utiliza nas suas aulas, esta foi sem dúvida uma estreia em grande para Black Lightning e esperamos voltar a vê-lo a interagir com os outros heróis. Quem gostou da participação do super-herói também é aconselhado a ver o episódio de Black Lightning – 03×09 – The Book of Resistance: Chapter Four: Earth Crisis, que serve como complemento ao crossover.

Destiny could use a little rewrite

Depois deste episódio Jon Cryer sobe ao pódio como um dos Lex Luthors mais detestáveis de sempre, o que mostra como a escolha do ator para o papel foi acertada. Após já ter o público todo a odiá-lo quando no episódio passado partiu com o Book of Destiny pelo multiverso a assassinar diversos Supermen, desta vez consegue superar-se quando destrói por completo o Superman de Kingdom Come (versão alternativa do Superman aqui representada por Brandon Routh e que nos foi apresentado no filme Superman Returns – 2006). Lex Luthor é um génio, é maquiavélico e é completamente frio e apático, no entanto o Monitor disse que ele teria um papel importante a desempenhar e Lex como personagem não é alguém que deixaria o multiverso ser destruído já que isso implicaria também a sua destruição e das suas ambições. Esperamos para ver algo que justifique a sua ressurreição agora que ele é um dos sete Paragons.

Para além de toda esta panóplia de acontecimentos explosivos tivemos ainda: um easter egg da série Birds of Prey (2002-2003) com Ashley Scott e Dina Meyer nos papéis de Huntress e Oracle, respetivamente (esta série estreou numa época pré-CW e Arrowverse quando tínhamos Smallvile ainda no ar); o regresso de Vibe – será temporário ou permanente?; participações relevantes tanto de Iris – a convencer Choi a aceitar o seu destino, como de Lois Lane – a desenterrar um pouco do passado de Mar Novu; um momento de Batman vs Superman (neste caso Batwoman vs Supergirl) que realça a relação de atrito, mas também amizade entre os dois super-heróis e que agora vemos refletida nas duas heroínas; a aparição por fim do grande vilão, Anti-Monitor (o que acharam do design do vilão? Faz lembrar um pouco o Apocalypse de X-Men, não?); e claro a destruição de Mar Novu, da Terra-1 e de quase tudo que existe no multiverso. Seguidores de Legends of Tomorrow, ainda se lembram do Vanishing Point da 1.ª temporada da série? Onde as legends tiveram a sua luta final com os Time Masters? Foi um local muito bem pensado para funcionar como santuário dos Paragons agora que nada mais existe no multiverso.

Apesar da classificação de 8, pessoalmente, penso que esta 3.ª parte foi a mais fraca do evento até agora. Acho que começou bem, superou-se na 2.ª parte e sofreu um pouco com a sua grande magnitude nesta última parte de 2019. Agora que o número de personagens foi reduzido significativamente esperemos que se veja um maior foco em cada um dos Paragons sobreviventes e que muitas das infinitas questões que estão a pairar sejam respondidas. É crucial haver tempo para perceber a história e as intenções do Anti-Monitor (Mobius), assim como são precisas luzes sobre as escolhas e o desencadear desta resposta à Crisis pelo Mar Novu. Este crossover está a ser um sucesso da CW e da DC, com conquistas inimagináveis até há uns dias atrás (só o número de cameos e atores convidados é de nos deixar de boca aberta), porém tudo isto pode ser avassalador para quem não conhece todas as personagens novas que estão a aparecer, para além de tentar acompanhar todos os plots a ocorrer em paralelo, grande razão pela qual esta 3.ª parte sofre e que pode deixar alguns fãs meio perdidos. Outro aspeto vital é a forma como o evento irá terminar e tudo repousa nos ombros das últimas duas partes a estrear em 2020, em Arrow (08×08 – Crisis on Infinite Earths: Part 4) e Legends of Tomorrow (05×00 – Crisis on Infinite Earths: Part 5). Crisis on Infinite Earths parece-me ser daqueles casos em que uma segunda visualização ao evento, depois de este ter terminado por completo, trará uma claridade muito maior do que na primeira vez.  O que é certo é que depois da Crisis o Arrowverse nunca mais será o mesmo!

Emanuel Candeias