Classificação

7.2
Interpretação
6.8
Argumento
6.4
Realização
7.6
Banda-Sonora

Estamos de volta à base de treino do FBI em Quantico, Virgínia. Os recrutas são desafiados com um exercício de encontrar provas em diversos cenários, aparentemente ligados com terroristas, ao mesmo tempo que vão desvendando segredos uns dos outros. Nove meses depois, após a sua fuga, Alex Parrish continua à procura de quem a incriminou por um ataque terrorista, no qual alega não ter qualquer tipo de envolvimento.

A ação palpitante que vai alternando entre passado e futuro, muito ao estilo do que podemos ver na recente How to Get Away with Murder, parece estar a juntar as peças de um puzzle em que quase todos os intervenientes escondem uma ligação suspeita e que poderá estar na origem do nome do terrorista responsável pelo evento catastrófico do futuro. Não comparando a qualidade entre as duas séries, até porque a aposta de Shonda Rhimes é bem mais vívida e bem mais trabalhada, Quantico acaba por conseguir surtir um efeito aproximado, ainda que tenha um longo caminho a percorrer.

Conhecemos uma nova fração de recrutas, os analistas, que parece ter recebido um antigo formando da agência, Caleb Haas, depois de ter presenciado uma cena que deixaria qualquer um em choque. Ficamos também a conhecer Elias Harper, um advogado homossexual que desenvolve uma estranha curiosidade por Asher. Nisto, vamo-nos embrenhando nos segredos que estes recrutas do FBI que, mesmo não dando ainda muitas pistas, vão dar certamente que falar num futuro próximo.

O piloto de Quantico lançou uma premissa interessante envolta num enredo vertiginoso que se torna confuso a certo ponto, com tantas viagens entre passado e futuro, e no invulgar desenvolvimento de personagens que chega a causar uma certa indignação no espectador. Em “America”, a premissa continua a desenvolver-se, o espectador não deixa de se sentir confuso, mas começa a familiarizar-se com o ambiente e atmosfera da série. Mesmo que todas estas reviravoltas e twists sejam forçados e empurrados com rapidez na narrativa, o público acaba por se sentir mais interessado nos objetivos da história, especialmente com a ajuda de uma protagonista carismática e de um elenco secundário competente.

Priyanka Chopra, cujo talento está a olhos vistos, parece ter sido escolhida a dedo para interpretar Alex Parrish, ao mesmo tempo que vemos um Rick Cosnett desprender-se do universo da DC e explorar um personagem que poderá tornar-se importante na projeção da sua carreira. A banda-sonora, que vai “injetando” uns temas engraçados nos momentos-chave do episódio contribui também para que o espectador comece a aceitar os personagens e o seu propósito no enredo, ainda que os conheça de forma muito superficial. As maiores falhas do episódio estão intrinsecamente ligadas ao ritmo acelerado, quer de guião, quer de realização, que não permitem ao espectador assimilar os factos com tempo necessário nem processar e captar os nomes dos imensos personagens da história. Sabemos quem é Alex Parrish e vamos conhecendo as caras dos outros, mas os nomes nem por isso.

Realizado por Stephen Kay, “America” funciona como um prolongamento do piloto, mas deixa em aberto uma questão que, se for bem trabalhada, poderá tornar Quantico numa das mais promissoras séries da ABC deste ano. Sendo que o estilo e ambiente da série possuem o elemento entretenimento de que o público necessita, apenas algumas arestas precisam de ser limadas para que se torne em algo bem mais profissional e interessante e, enquanto espero pelo próximo episódio, vou tentar pesquisar os nomes dos personagens que, por serem tantos e o seu tempo de antena passar a correr, acabei por não conseguir decorar.

Jorge Lestre