Classificação

6.6
Interpretação
7.8
Argumento
8.2
Realização
8
Banda Sonora

De uma temporada composta por apenas nove episódios espera-se que o rumo dos acontecimentos siga sempre em velocidade cruzeiro, com twists constantes, com muita acção e descobertas semana após semana. Por muito que se possa discutir algumas inconsistências e algumas fragilidades, esta sequela tinha sido bem sucedida nesse aspecto, quanto a mim, até agora. Mas Phaecia esteve longe de cumprir esse propósito, revelando-se um episódio morno que não posso deixar de considerar um desperdício num evento de tão curta duração e, no fundo, um desaproveitamento do potencial do fenómeno que é Prison Break.

E apesar da qualidade do argumento já ter sido posta em causa por várias vezes, a verdade é que não parece que o problema esteja aí. Aliás, acho que o argumento combina bem elementos novos com homenagens a cenas características das temporadas anteriores. A meu ver, o que tem tornado a série menos consistente é a mediocridade de algumas personagens e sobretudo do desempenho de alguns atores. Se, por um lado, alguns personagens como Whip e principalmente Ja têm vindo a crescer na trama; por outro lado, temos visto desempenhos muito aquém, como o de Sara; personagens que apareceram por aparecer como Sucre e a mediocridade tem-se visto sobretudo nos vilões. Prison Break ganhou notoriedade, para além da dupla emblemática Michael e Lincoln, pelos vilões carismáticos, implacáveis e com enorme presença que enchiam as cenas com um brilhantismo reconhecível. Quem não se recorda do simbolismo e força quando Abruzzi, T-Bag, Kellerman, Gretchen, Mahone ou o General da Companhia entravam em cena? Nesta sequela querem levar-nos a crer que os vilões são “piores” ainda: terroristas, gente muito influente e com imenso poder, mas depois esses papéis são desempenhados sem a mestria que seria exigida, originado personagens ocas, cujo impacto não condiz com a sua teórica dimensão, nem concretizam uma real ameaça para os heróis.

Dois dos mais fracos vilões a que me refiro são os capangas de Poseidon, que vimos neste episódio serem libertados da prisão, o que reforça a ideia de que Jacob só os colocou lá para iludir Sara.

Mas entrando no episódio propriamente dito, os quatro fugitivos, depois de verem as suas opções de saída bastante reduzidas, confiam na ideia de Lincoln de recorrer a Omar, conhecido de Sheba. Apesar de não parecer confiável, Omar era a melhor hipótese deles, arranjando-lhes veículos e guiando-os rumo a Phaecia, onde poderiam ter uma oportunidade de embarcar rumo à Europa.

Uma amostra do exército do Daesh seguiu no seu encalce e alcançou-os numa bomba de gasolina. Apesar de poucos eram bem mais que os fugitivos e tinham um poderio armado muito superior, mas uma única bala saída da pistola de Whip rumo a um camião com conteúdo inflamável resolveu esta desigualdade e recolou-os em fuga. Antes da resolução do conflito, o Daesh roubou a vida ao guia e deixou Michael, Lincoln, Whip e Ja entregues a uma travessia pelo deserto. E, nesta travessia, nova ameaça e, mais uma vez, o mais improvável dos terroristas é o que surge mais perto de ser bem sucedido, Cyclops, um terrorista que não transmite nenhum terror, não é nada temível nem, tão pouco, credível. Michael e os seus companheiros seguiam em dois carros, mas face à incerteza quanto ao caminho rumo ao destino e tendo em conta que Cyclops teria mais combustível, teriam de armar um plano para o travar, caso contrário seria inevitável que fossem apanhados e o inimigo tinha uma metralhadora que mais uma vez desequilibrava a luta. O grupo dividiu-se com recurso à sorte, sorte essa que é bem capaz de ter sido manipulada por Michael, uma vez que foi ele o organizador do sorteio e foi a ele que calhou o sacrifício de lidar com Cyclops. Parece estranho Lincoln aceitar este cenário, sendo que o motivo de tudo o que tem feito até agora é salvar a vida do irmão.

Se quatro, com os recursos de que dispunham, não teriam grandes hipóteses, Michael sozinho menos teria. Mas como sempre, uma ideia das que costumam sair daquela mente resolveu o problema: Michael saiu do carro e colocou uma pedra sobre o acelerador para iludir Cyclops (suponho que houvesse alguma duna que tenha tornado isto possível) e surpreendeu-o quando este se preparava para invadir o carro e atacá-lo. O confronto corpo a corpo nunca foi o forte de Michael, mas o adversário também não era nenhum “lutador” e Scofield acabou por levar a melhor e furou o olho de Cyclops que sobrava. No entanto, Scofield não saiu ileso da luta, ficando gravemente ferido e longe de ajuda.

Lincoln consegue conduzir Ja e Whip até à cidade que procuravam e, depois do cair da noite, ao contrário do habitual, foi uma ideia sua que pode ter salvado a vida a Michael. Quando este se arrastava à deriva, na noite, no deserto, foi o fogo de artifício lançado pelo irmão que o guiou até Phaecia. Mas com a sua vida em risco, a sua única hipótese de salvação poderá passar pelo regresso a Saná e ao centro do conflito terrorista. Se este cenário se concretizar, confirma-se também que este episódio de pouco ou nada serviu.

André Borrego