Classificação

7
Interpretação
8
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Pilot, o primeiro episódio de Yellowjackets, é uma brilhante estreia para uma série que parece ser simultaneamente macabra, divertida e cativante. Com uma cronologia que se divide em dois tempos, nos anos 90 e na atualidade, esta série repleta de emoção e personagens interessantes parece ser uma forte candidata a tornar-se numa das nossas preferidas deste ano. 

Yellowjackets segue a história de um grupo de raparigas nos anos 90, mais propriamente no ano de 1996, membros da equipa de futebol de uma escola em New Jersey, que são convocadas para participar num torneio a nível nacional. Infelizmente, mal sabiam elas, este torneio nunca se viria a concretizar: têm um trágico acidente de aviação e ficam perdidas durante meses numa floresta em Ontário. Em paralelo, a narrativa acompanha estas raparigas já adultas, no ano de 2021. Contudo, as histórias que guardam são as mesmas de há 25 anos. E é claro, para nós que estamos a ver, que essas histórias não são apenas aventuras, mas sim segredos há muito guardados e verdades proibidas. Apesar de se terem passado mais de duas décadas desde o trágico acidente, estas raparigas parecem não conseguir seguir em frente com as suas vidas porque, em conjunto, partilham um segredo fatal.

A nível de construção narrativa, todo o episódio me pareceu consistente e fluído. As oscilações entre o passado e o presente são feitas de forma muito subtil e que nos deixa a desejar saber mais sobre as personagens e o que lhes aconteceu durante os 19 meses em que estiveram perdidas no meio de uma floresta no Canadá. Além disso, o casting é, para mim, das melhores partes. As atrizes mais novas e as atrizes mais velhas têm semelhanças deveras curiosas e os trejeitos e maneirismos foram adotados de uma forma brilhante. Adicionalmente, a diversidade parece-me bastante interessante também: apesar de serem uma equipa de futebol, os estereótipos desportivos associados aos corpos atléticos das raparigas são arrasados nesta série. 

Em termos narrativos, apesar de fazerem parte da mesma equipa, a amizade entre estas jovens não é necessariamente um dado adquirido. De tal forma que, nas vésperas do torneio, o ambiente entre todas parece tenso, pesado e desconfortável.

Tudo parece ter início quando Taissa (Jasmin Savoy Brown) decide pedir ajuda à equipa para que impeçam Allie (Pearl Amanda Dickson) de jogar durante o torneio nacional. Isto causa, inevitavelmente, mal estar entre as raparigas, que maioritariamente discordam da abordagem e admitem que não é uma atitude correta. Ainda assim, e para grande espanto de toda a equipa, Allie fica gravemente ferida num dos treinos para o torneio e as culpas recaem sobre Taissa. Assim, a capitã, Jackie (Ella Purnell), é obrigada a tomar medidas e exigir que a tensão que paira entre elas tenha fim de uma vez por todas. 

No presente, percebemos que algumas das raparigas não sobreviveram ao acidente e que aquelas que sobreviveram tentaram ao máximo reduzir o contacto que tinham ao mínimo indispensável. Contudo, ao serem contactadas por uma repórter com vontade de contar a história do acidente que tiveram, as raparigas veem-se obrigadas a reunir-se e encarar, de frente, os traumas do passado. 

Através de pequenos pormenores que nos vão sendo mostrados ao longo deste episódio, percebemos que, quando o avião caiu, as raparigas foram encontradas por habitantes locais, possíveis membros de uma tribo. No entanto, estes habitantes aparentavam levar um estranho e peculiar estilo de vida. Entre decapitar raparigas nuas, sangue, neve, peles de animais e círculos que mais parecem saídos de rituais satânicos e cultos macabros, tudo aponta para que esta tribo se alimente de carne humana. Será essa a verdade e será esse o grande trauma que une o pequeno grupo de sobreviventes das Yellowjackets? Teremos de esperar para ver.

Com apenas dez episódios, esta série assegura ser um thriller que nos deixará presos ao ecrã e enjoados com as mil e uma hipóteses de desenlace. Por que razão terá caído aquele avião? E quem são as pessoas por detrás do trauma daquele grupo de raparigas inocentes? Com Melanie Lynskey, Tawny Cypress, Juliette Lewis, Christina Ricci, entre outros, Yellowjackets promete mesmo perturbar, cativar e chamar a atenção de todos.

Inês Ribeiro