Classificação

5.5
Interpretação
4.5
Argumento
4
Realização
3
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

Chucky, o boneco assassino, está de regresso, mas desta vez veio assustar no pequeno ecrã com este primeiro episódio. Mas será que vale mesmo a pena continuar a insistir no pequeno boneco assustador?

Qualquer fã de terror que se preze, conhece ou pelo menos já ouviu falar de Chucky, o boneco possuído pelo espírito do assassino em série, Charles Lee Ray, que se tornou um verdadeiro ícone do terror nos anos 80. Don Mancini é o criador do boneco assustador e regressa agora para dar continuação ao filme de 2017, Cult of Chucky, também criado por ele. Se por um lado este sinal de continuação agrada, uma vez que dá ideia de existir uma linha contínua na história, por outro, visto que falamos de uma transição do cinema para a televisão, estaria aqui uma boa oportunidade para dar uma nova roupagem à história.

O primeiro episódio de Chucky traz-nos o cliché habitual. Um jovem, por um acaso narrativo qualquer, acaba por receber o boneco, coisas estranhas começam a acontecer e, claro, mortes. Muitas mortes! Outro ponto comum é a afinidade criada pelo jovem com o boneco mesmo depois de perceber que o boneco está possuído. Bem, nada de novo e atenção, não me levem a mal, eu sei que muitas vezes no terror estes clichés acabam por ter um encanto diferente, mas é preciso que sejam bem feitos e, no caso deste primeiro episódio, é tudo muito previsível. Diria mesmo que se torna chato de ver.

Começando pela realização, achei tudo muito forçado. Existem planos desnecessários e informativos demais. Nós já conhecemos Chucky. Não precisamos que a realização nos esteja a mostrar consecutivamente que o boneco se mexe. Gosto muito mais da abordagem que vemos no primeiro filme, por exemplo, onde o boneco se mexia em segundo plano. Isto é, víamos o boneco a andar de um lado para o outro ou a mexer-se enquanto decorria uma outra cena. Nesta altura do campeonato nós já sabemos que o boneco vai matar pessoas. Não precisam de fazer tanta questão de nos dizer que ele está vivo. A isto junto o tom cómico completamente falhado da série. Sim, é certo que Chucky ganhou fama por ser um boneco sarcástico e que fazia rir, mas isso acontecia por ele e não da forma como tentaram criar uma história com piadas más e que, vejam só, nem uma é dita por Chucky. A única parte cómica desta saga não é engraçada no episódio.

Mais, o que dizer da desastrada banda sonora? Mais particularmente a música a meio de cenas onde não faz qualquer tipo de sentido estarem e que em nada acrescentam. Dá ideia que pesquisaram sobre jovens na Internet, meteram os maiores clichés que encontraram e, para finalizar, meteram uma música de Billie Eilish por cima e pronto, a série já está de acordo com os jovens de hoje em dia. Simplesmente ridículo!

Para terminar esta analise que me deixa realmente triste, tenho de falar das mortes. Eu sei que é televisão e não cinema, mas mesmo assim, parece que se esqueceram que isto é uma série de terror. Tivemos uma morte e não foi nada de especial. Mal a vimos e o gore, bem, esse não existiu. Como não ficar desiludido com isto?

Concluindo, Chucky foi uma grande desilusão. É certo e sabido que em clássicos o melhor é não mexer e ficarmos sempre pelo original, mas o terror tem esta característica de tentar recriar o impossível. Se no cinema não deu, muito menos agora em televisão. Serão dez episódios desta série e, infelizmente, não vejo maneira de melhorar. Espero que um dia percebam que não vale a pena tentar reviver almas do passado (perceberam a joke?), mas até lá temos de ir vendo e revirando os olhos sempre que aparecem tentativas destas. Que desilusão!

Carlos Real