Classificação

9.2
Interpretação
9
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

A primeira temporada de Castle Rock chegou aos ecrãs em 2018, com uma história curiosa, bem construída, de evolução lenta, mas cativante. Stephen King não é nenhum estranho no mundo das adaptações televisivas, ainda que nem todas tenham sido de sucesso (como The Mist, que foi cancelada após a 1.ª temporada). Contudo, nesta parceria com J.J. Abrams, um nome de peso na arte da realização ficcional, esta série tinha tudo para dar certo. E deu. O facto de ser de antologia, abona a seu favor, uma vez que nos permite conhecer mais histórias do universo de King, com subtis ligações entre elas.

A 2.ª temporada de Castle Rock apresenta-nos a história de Annie Wilkes, a Enfermeira do Inferno. Let the River Run teve tudo o que um bom episódio piloto dever ter: introduz-nos as personagens principais sem nos revelar demasiado sobre elas, mostra as diversas storylines que decorrerão ao longo da temporada sempre com um fio condutor principal e deixa antever que todas se interligarão.

Nunca li um livro de King, portanto todas as adaptações que tenho visto até agora são sempre uma surpresa. Com exceção da série que mencionei acima, The Mist, todas as outras histórias têm sido de grande qualidade e permitem a alguém que nunca teve contacto com a narrativa perceber e apreciar o que está a ver. Foi este o caso com Shawshank e parece-me ser também com Annie.

O episódio está extremamente bom. Prende a atenção do espectador do início ao fim e creio que grande parte disso se deve à prestação de Lizzy Caplan. O olhar meio perdido, o andar esquisito de pinguim, as reações imprevisíveis. A juntar a isto o ambiente pesado que se sente em Castle Rock, o palco de todos os horrores, e as restantes intrigas das personagens que, de uma forma ou outra, estarão conectadas com Annie, assim como os flashbacks que aparecem e os sons inquietantes que se ouvem ao longo de todo o episódio, tornam este início de temporada bastante promissor.

Sendo uma série antológica, à partida não será necessário ter visto a primeira temporada para se ver esta segunda. Contudo, dado que a cidade de pano de fundo é a mesma, e pensando em American Horror Story, por exemplo, não me parece que King e Abrams perderão a oportunidade de conectar todas estas histórias de alguma forma. Espero apenas que o façam de forma a que quem nunca leu os livros as consiga perceber.

A 2.ª temporada de Castle Rock apresenta-se assim com um episódio forte, que promete mais uma história de terror magnífica de prender a respiração do início ao fim. A todos os fãs deste género, esta é uma série obrigatória a ver. Garanto que não se vão arrepender.

Beatriz Caetano