Classificação

7
Interpretação
6
Argumento
7
Realização
5
Banda Sonora

[Pode conter vestígios de spoilers]

Após a estreia em Israel, Tehran tem agora a oportunidade de estreia global com o serviço de streaming Apple TV+.

A série israelita segue Tamar Rabinyan (Niv Sultan), uma hacker dos Serviços Secretos israelitas. Em Teerão, está envolvida numa missão com o objetivo de desativar o sistema de defesa aéreo do Irão, para que os israelitas sejam capazes de lançar um ataque aéreo. Quando as coisas não correm como esperado, Tamar vê-se “presa” na sua cidade natal de Teerão, enquanto tenta escapar aos seus inimigos iranianos, ao mesmo tempo que se volta a conectar com o seu passado na cidade.

O episódio é uma autêntica montanha russa, criando tensão desde o início, quando um casal de israelitas embarca num avião com destino à Índia e este é forçado a parar em Teerão. O casal entra em pânico quando percebe que vai ter de entrar em território iraniano, e por isso, podem ser presos ou ver-se incapazes de voltar a casa. Esta cena foi das mais marcantes, porque, apesar de felizmente não haver (quase) restrições para alguém que é português viajar, a aflição de poder ficar presa num qualquer país desconhecido, onde a possibilidade de não voltar para casa é muito provável, revela-se como um pesadelo que podia muito facilmente ser real. Foi uma cena que psicologicamente me perturbou, sendo claramente esse o objetivo dos criadores.

A tensão continua a escalar e a série adquire um tom de thriller de perseguição quando o plano de Tamar é descoberto e a equipa de investigação do Irão tenta seguir os seus passos para chegar à sua localização. Apesar de considerar que o episódio é capaz de manter a tensão, esta direção da série não me entusiasmou muito. Talvez porque o género de perseguição não seja o meu género de thriller favorito, mas também porque não tive tempo para conhecer melhor as personagens e as suas motivações. Sei que os episódios piloto nem sempre conseguem mostrar tudo, mas neste caso, faltou mesmo alguma coisa. O episódio foi muito “ação, ação, ação” e eu precisava que ele respirasse um pouco e me desse pistas acerca de quem eram as personagens e as suas principais motivações. Tive a sensação que as histórias das personagens estavam muito desconectadas entre si, não dando tempo para compreender a história geral, nem dando tempo para criar empatia com as personagens principais.

Um dos aspetos positivos que se nota desde o início é o facto de apesar de esta ser claramente uma série israelita que é contra o Irão, a crítica é sempre direcionada ao regime opressivo e não às pessoas. Achei que o episódio tentou humanizar tanto as personagens israelitas, como as iranianas, mostrando que ambas têm os seus problemas e as suas qualidades. Não me sinto na posição de comentar o assunto, mas qualquer série com exposição internacional que tente humanizar nações e criticar apenas os regimes é algo positivo.

Acredito que a série tem potencial, tanto a nível dos atores, como da realização, e que o meu caso foi um de preferência pessoal. Por isso, se thrillers de perseguição com um background histórico for a vossa praia, recomendo que espreitem esta série!

Ana Oliveira