Classificação

7
Interpretação
7.5
Argumento
7
Realização

[Não contém spoilers]

Chegou à Amazon Prime Video Utopia, uma série que acompanha principalmente Samantha (Jessica Rothe), Grant (Javon “Wanna” Walton), Wilson Wilson (Desmin Borges), Ian (Dan Byrd) e Becky (Ashleigh LaThrop), um grupo de fanáticos pela banda desenhada Dystopia, que segue a história de Jessica Hyde. Quando um casal encontra uma cópia rara de Utopia, o seguimento dessa banda desenhada, e tenta vendê-la durante a realização da FringeCon, as coisas começam a dar errado e logo nos apercebemos que há muita gente interessada neste livro e inclusive pessoas que não estão a olhar a meios para obter essa cópia. Dessa forma, em Life Begins conhecemos o contexto da banda desenhada Dystopia e ficamos a saber que Utopia é bastante cobiçada por diversos grupos (se assim se pode chamar), de entre eles o composto por Samantha, Grant, Wilson, Ian e Becky, que acabarão, assim, sem saberem, por se tornar um alvo a abater.

Escrita por Gillian Flynn (conhecida maioritariamente – pelo menos por mim – pelo livro Gone Girl, que deu origem a um filme), Utopia é um reboot de uma série britânica de 2013 com o mesmo nome (caso tenham interesse em saber mais sobre reboots e remakes existe um episódio do podcast dos Seriólicos Anónimos sobre este tema). Eu não vi a série original, o que por um lado pode ser um ponto positivo, uma vez que não fui com ideias e expectativas pré-estabelecidas; contudo, há um ponto negativo, dado que não poderei fazer uma comparação com o original, o que poderia enriquecer ainda mais a review, especialmente para os leitores que tivessem visto a primeira série e estivessem com dúvidas relativamente a se vale a pena ver esta ou não.

Contudo, posso desde já dizer que pelo aquilo que fui lendo e me fui apercebendo relativamente a este primeiro episódio, é que muita gente que viu a série original não gostou deste. Talvez tenha sido porque estavam à espera de um remake de Utopia em que a história é exatamente a mesma, mas numa nova versão (por assim dizer), mas saiu-lhes um reboot, em que se pega no mesmo universo, especialmente personagens, mas faz-se uma história diferente, que não segue taxativamente a original. Isto aliado ao facto, pelo que li, de a série original ser bastante boa, e, portanto, as expectativas dos fãs serem muito elevadas, levaram a que muitos espectadores não tivessem gostado de Life Begins (e quer-me parecer que da restante série também). Porém, são só suposições, uma vez que, como já mencionei, não vi o original e, como tal, não tenho maneira de saber se estes foram efetivamente os motivos para esse desagrado ou não.

Agora eu gostei bastante do episódio. Não estava à espera de que a história me conseguisse cativar tanto, ainda para mais sendo que o episódio tem aproximadamente 50 minutos, mas a verdade é que conseguiu. Considero que tem um piloto bastante bom, que consegue dar-nos boas bases, não só relativamente à história que se vai desenrolando ao longo do episódio, mas também da própria história da banda desenhada Dystopia. Da banda desenhada Utopia ainda conhecemos muito pouco, a não ser umas quantas imagens desconexas, mas quer-me parecer que vamos ficar a saber ao longo desta temporada, à medida que os próprios protagonistas vão descobrindo. Para além de ter umas boas bases, tem a capacidade de nos prender a atenção e até mesmo surpreender num ou noutro momento.

Posto isto, resta-me dizer que tenho intenção de ver os restantes sete episódios de Utopia – e talvez até veja a série original – e que recomendo que deem uma espreitadela a Life Begins. Caso tenham visto a série original, aconselho que não tenham as vossas expectativas muito altas e que não tentem comparar as séries (eu sei que isso é difícil e contra mim mesma falo), mas acredito que assim talvez consigam apreciar muito mais o episódio e talvez a série num todo também.

Cármen Silva