Classificação

7.5
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização
7
Banda Sonora

Atenção: esta review pode conter pequenos spoilers.

Foi no passado dia 14 de setembro que The Third Day teve a sua estreia mundial através do canal HBO, chegando no dia seguinte à plataforma de streaming HBO Portugal.

A minissérie dramática britânica/norte-americana narra as jornadas individuais de dois personagens, um homem e uma mulher, que chegam a uma misteriosa ilha em alturas diferentes. A sua produção divide-se em três partes, cujas histórias se interligam. A primeira parte, “verão,” é da realização de Marc Munden e tem como seu centro Sam (Jude Law), um homem que é atraído para esta ilha na costa britânica. Aqui, encontra os seus habitantes, determinados em preservar as suas tradições a qualquer custo.

É Sam quem protagoniza este primeiro episódio. Após salvar uma jovem na floresta, o londrino leva-a para casa, na misteriosa Ilha Osea, onde os habitantes locais se preparam para um curioso festival anual que celebra a história da ilha. À medida que conhece os estranhos habitantes da ilha, Sam fica cada vez mais desesperado em regressar ao continente, mas a ilha mostra-se difícil de escapar.

Desde os seus momentos iniciais que o episódio-piloto de The Third Day me puxou à memória o filme Midsommar, de Ari Aster. Para além de partilhar a sua temática, na medida em que o personagem principal se apresenta como um estranho preso em algo que não lhe é de todo familiar, existe também algo de bastante desconcertante na forma como a série se apresenta, tanto visual (através dos planos usados, assim como os seus ângulos e a própria gradação de cor) como sonoramente, submergindo de imediato a audiência na sua misteriosa (e perigosa) atmosfera. A única crítica negativa que aponto à série, neste aspeto, parte de algo muito pessoal: apesar de este tipo de estética visual e sonora ser algo que aprecio em filmes com temáticas semelhantes, é, também, algo que se torna um pouco maçador e pesado numa série, pelo menos na minha opinião. Tal como aconteceu com Midsommar, ainda que tenha gostado bastante deste primeiro episódio, será algo que dificilmente aguentaria ver múltiplas vezes, pelo que me sinto na obrigação de o referir como aspeto negativo.

A interpretação do personagem por parte de Jude Law, no entanto, é o grande highlight da série. O ator navega rapidamente entre as várias facetas de Sam, desde homem consumido por dor à típica vítima de um filme de terror. É através do seu ponto de vista – algo tendencioso e talvez duvidoso – que exploramos a ilha e os seus habitantes, à medida que vamos descobrindo mais sobre o seu próprio passado.

Ao elenco da série juntam-se ainda figuras como Katherine Waterson que interpreta Jess, uma turista que visita a ilha e se torna na coisa mais próxima que Sam tem a um amigo em Osea. Já Emily Watson e Paddy Considine interpretam os Martin, um misterioso casal que gere o pub da ilha.

De forma geral, este episódio piloto de The Third Day faz um bom trabalho ao definir o tom da série, apresentando-nos os seus elementos-chave e deixando algum espaço para interpretação de modo a cultivar a curiosidade da sua audiência, puxando-a para dentro da narrativa. Os elementos visuais e sonoros são apelativos, apesar de poderem tornar-se opressivos. No entanto, as performances são cativantes e, no geral, The Third Day apresenta-se como uma boa produção.

A segunda parte da série, intitulada “outono,” será transmitida ao vivo num evento em Londres, após a transmissão da secção “verão”. Por fim, a terceira parte de The Third Day (intitulada “inverno”), realizada por Philippa Lowthorpe, terá como personagem central Helen (Naomie Harris), uma forasteira que chega à ilha em busca de respostas, mas cuja chegada precipita uma turbulenta batalha para decidir o seu futuro.

Inês Salvado