Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
6.5
Realização
9
Banda Sonora

[Contém leves spoilers]

Room 104 é uma série de antologia passada sempre no mesmo quarto de hotel e conta-nos as histórias de pessoas que lá passaram, sendo que cada episódio tem um tema diferente, incluindo este The Murderer.

Já tinha escrito a review do primeiro episódio da 3.ª temporada e não foi muito positiva; achei-o algo confuso (talvez por não ter visto nada da série anteriormente). A minha crítica a The Murderer é bem mais positiva, arretada apenas pelo facto de ser um episódio solto e não ir ter continuação. O formato é interessante, histórias desconexas, mas o problema é que nós, os espectadores, gostamos de uma boa história e aqui, quando encontramos uma, sabemos que não irá ter continuação.

Mark Duplass, um dos criadores da série, escreveu pela primeira vez um papel para si próprio, o de um artista que assassinou a própria mãe e criou um álbum, que se tornou viral à volta disso, onde confessa como matou a mãe e toda a gente que ouve acha que é arte. O conceito é interessante e, possivelmente, uma crítica à maneira como interpretamos a arte hoje em dia, de uma forma superficial que tem que parecer profunda, ao ponto de um homem estar a gritar por ajuda a dizer que matou a mãe e ninguém perceber. Uma hipérbole, mas um ponto bem apanhado.

Um grupo de rapazes que são fãs descobrem-no e convencem-no a ir tocar ao vivo para eles no quarto. A história desenrola-se e uma rapariga acaba por formar uma ligação maior com ele, terminando numa cena muito creepy e perturbadora, mas boa. O que no fundo é uma boa descrição do episódio: é meio perturbador, mas ficamos agarrados ao ecrã e Mark traz um realismo assustador a Graham Husker, ao ponto de querer procurar saber se a mãe de Mark está viva e de boa saúde.

A música foi um ponto muito bom no episódio. Assistimos a alguns originais criados para este episódio e Mark sabe tocar bastante bem enquanto se safa no canto. Foi um bom toque adicional ao episódio. Provavelmente, o mesmo, sem termos realmente assistido a uma música de Mark, não teria o mesmo efeito.

A única parte negativa de Room 104, que vai terminar nesta temporada, é mesmo ser uma coletânea de histórias totalmente separadas. Quando ficamos com perguntas por responder, ou quando sentimos que gostámos particularmente daquela história, não vai continuar. Faz-me sentir como se estivesse constantemente a ver pilotos de séries que nunca vão para o ar. Há alguns bons, há alguns maus, há alguns terríveis, mas nenhum continua.

E vocês, o que acharam? Gostam deste formato da série?

Raul Araújo