Classificação

5
Interpretação
6
Argumento
6
Realização
3
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Passada no Afeganistão, Combat Hospital (Hospital de Campanha, em português) segue a vida de médicos e enfermeiros militares e civis num hospital militar numa zona de guerra.

Combat Hospital segue, no geral, todos os princípios de qualquer outra série médica. O foco está, acima de tudo, nas relações interpessoais e na vida pessoal das personagens, enquanto a parte médica serve mais de pano de fundo à ação. Neste aspeto, a série é bastante bem sucedida. Novatos e veteranos são-nos apresentados de forma sucinta, mas eficaz. Rebecca (Michelle Borth) e Bobby (Terry Chen), acabados de chegar, são o grande foco do piloto, enquanto Simon (Luke Mably) e, principalmente, Xavier (Elias Koteas) servem de “guias”, apresentando as personagens, assim como o público, à realidade da série. Há um número modesto de personagens secundárias que aparecem e que poderão vir a ser interessantes, mas que, para efeitos deste piloto se ficaram pela periferia, uma decisão que não posso deixar de louvar. Não há nada tão confuso e caótico como um piloto que não passa de uma descarga furiosa de informação. Coisa que, neste caso em particular, poderia até ser uma mais valia dada a temática da série. No entanto, é mais uma vez de louvar a decisão de criar essa ideia do caos e da confusão de uma zona de guerra de forma deliberada (e com base no enredo) e não como consequência de um piloto mal pensado. 

Posto isto, há uma coisa que é para mim uma falha imperdoável. A informação que nos é dada nos primeiros minutos deste episódio, a primeira impressão que temos da série e que vai inevitavelmente influenciar a nossa visão sobre tudo o que acontece daqui para a frente, é de tal forma contrária ao tema da série que roça no ridículo. Aquilo que poderia ser uma série muito interessante é imediatamente manchada pelo impacto inicial. A abordagem leviana e completamente banal aos primeiros minutos de uma série que deverá ser um drama médico e militar é muito dececionante. A banda sonora aqui tem um impacto enorme. Completamente dissonante com o que se está a passar no ecrã e com o ambiente militar e de zona de guerra que se está a tentar estabelecer, a banda sonora remete para um tipo de série completamente diferente. Talvez a intenção fosse precisamente aliviar um pouco o ambiente pesado que seria de esperar de uma série destas, mas na minha opinião foi a grande falha da série.

Para quem quiser uma série leve e gostar de dramas médicos ao estilo de Grey’s Anatomy, esta poderá ser uma boa aposta. No entanto, para quem estaria mais interessado no aspeto militar, diria que não vale a pena. É uma série que promete muito, mas que infelizmente deixa  imenso a desejar.

Raquel David