Classificação

8.5
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
9
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Central Park não é a primeira série animada da Apple TV+, mas é a primeira feita para adultos e crianças, tendo à partida condições para ser uma série interessante de seguir: é dos criadores do hit de longa data chamado Bob’s Burgers e tem como plano de fundo algo que todos nós conhecemos ou já ouvimos falar. Um dos mais, senão mesmo, o parque mais famoso do mundo – Central Park.

Esta é uma estranha comédia (não notei muito deste lado neste primeiro episódio, confesso) interessante, quente, diferente, sobre o gerente deste parque e a sua família que vivem numa antiga mansão dentro de Central Park, em Nova Iorque. Owen é então uma espécie de guarda florestal urbano, com muito amor pelo que faz e que dá tudo o que tem para manter o parque no seu melhor. A sua esposa Paige é jornalista e os seus dois filhos, Molly e Cole, são estranhos na sua maneira de ser mas ao mesmo tempo divertidos.

Posso-vos dizer que gostei de como a história de cada uma das personagens se desenrolou e de como eles foram sendo apresentados ao longo deste primeiro episódio de 20 e poucos minutos, existindo alguns desfechos interessantes. Foi também um episódio que me fez pensar, de um modo subtil, sobre as relações/problemas entre espaços públicos e privados que existem atualmente e sobre os interesses da humanidade.

Ah, falta também mencionar um grande pormenor… Central Park é também um musical e, por acaso, de grande qualidade. Aliás este primeiro episódio foi quase um musical completo da Broadway disfarçado de comédia.

Além do pedigree musical do elenco – incluindo nomes como Odom e Daveed Diggs, de Hamilton, bem como Kristen Bell e a sua co-protagonista em Frozen, Gad, que interpreta o narrador (pelo menos neste primeiro episódio) – as músicas inteligentes e dignas de repetição conduzem a narrativa de forma suave e cativante mas, infelizmente, às vezes torna-se um pouco demais, ou seja, é realmente percetível o esforço que eles fazem para sair algo cantado e acaba por não parecer natural, até porque é suposto este conjunto de personagens serem pessoas comuns do dia a dia. A juntar a isto, com tantos momentos musicais existe pouco espaço para momentos de riso (será bom? será mau? vou deixar para vocês decidirem). Veremos como flui esta dinâmica nos próximos episódios.

Esta série teve assim, para mim, um positivo ponto de partida e, a meu ver, com muito espaço para melhorar, tendo os valores de elenco e produção necessários para chegar ao ponto certo, mas para isso tem de ‘relaxar’ um pouco e tornar as coisas mais naturais encaixando melhor os dois géneros (musical e comédia).

Filipe Tavares