Classificação

7
Interpretação
4
Argumento
5
Realização
8
Banda Sonora

The Eddy é um drama musical que decorre na cidade contemporânea e multicultural de Paris, centrando-se em Elliot Udo (André Holland), um famoso pianista e coproprietário de um clube de jazz. Quando a filha adolescente (Amandla Stenberg) aparece de forma repentina, Elliot precisa de encarar as suas fraquezas e amadurecer.

Ainda não tinha visto qualquer episódio desta série e já me estava a causar dois sentimentos totalmente distintos. No início estava super entusiasmada, em primeiro lugar porque teria as mãos de Damien Chazelle na obra; adoro todo o seu trabalho na área do cinema, por isso sabia que aqui não seria exceção. Só mais tarde descobri que apenas iria realizar dois episódios, mas ainda bem que o piloto é um deles. Em segundo lugar, a sinopse só enuncia coisas boas na minha ótica: um drama musical em Paris? É a minha cara! Tudo bem que Chazelle abusa ao meter-se em tantos projetos com a mesma temática, mas se descobriu o lugar onde brilha, porque não continuar? No entanto, quando a série realmente estreou, constatar que os primeiros dois episódios têm uma duração de 1h10 afastou-me bastante da visualização do piloto que deveria ter sido automática, dado o meu entusiasmo.

Tinha tudo para dar certo, a meu ver, mas não deu. Onde a série consegue brilhar, realmente, é no óbvio, na componente musical, mas como poderia ser de outra forma? Não podia, nem seria aceitável. Aliás, pelo que li todos os músicos da série são também músicos na vida real, estes sim que tiveram aulas de representação para assumirem os seus papeis. Confesso que achei isto interessante e não considero que a prestação deles tenha sido má.

O meu problema com o piloto foi o facto de ser enorme, se desenvolver a uma passada extremamente lenta e com diálogos muito banais e monótonos. É mais uma experiência documental do que uma série de ficção dramática e toda a realização é uma prova disso. O enredo e a escrita pareceram-me pobres, tanto que não me afeiçoei a nenhuma personagem em particular. Acaba por dececionar bastante pelo potencial multicultural que poderia ter sido mais bem explorado (para além do facto de os atores serem de diferentes nacionalidades). Algo que me irritou e a outros espectadores, como já tive oportunidade de ler, foi o facto de as personagens alternarem constantemente as suas falas entre o inglês e o francês. Não me interpretem mal, adoro séries que explorem outras culturas e idiomas que não o inglês, mas a mistura das duas no mesmo diálogo só porque sim não me agradou.

The Eddy parece apoiar-se na música e na cultura e em nada mais – não há qualquer enredo.

Sinto que esta série não é para todos os gostos. Considero que este piloto exigiu um posicionamento muito forte da minha parte que não consegui ignorar. Estão aqui de certo marcadas as minhas preferências pessoais, pelo que percebo que para outras pessoas The Eddy até possa ser uma completa obra de arte – no meu caso, não funcionou. Se lerem esta review e identificarem certas coisas que não admiram numa série, não vejam, mas se, na vossa ótica, alguns dos aspetos que menciono como negativos forem um forte fator a favor, não deixem de espreitar!

Ana Leandro