Classificação

5.5
Interpretação
7
Argumento
3
Realização
5
Banda Sonora

[Pode conter spoilers!]

Digamos que ultimamente os dramas sul-coreanos estão a ser o meu sustento. Para além de Hyena, Hi Bye Mama! é mais uma aposta da Netflix numa série sul-coreana. Assim como assim, e para alimentar esta promessa interna de que exploraria mais séries de língua não inglesa, cá estou eu para mais uma desventura.

Hi Bye Mama! é a história de como Yu-Ri e Gang-Hwa – uma típica história de amor infinita entre adolescentes – depressa se transforma num drama quando Yu-Ri morre e Gang-Hwa é forçado a refazer a sua vida, agora com a filha deles os dois em mãos. Já com cinco anos, See-Woo – filha de Yu-Ri e Gang-Hwa – aparece-nos a primeira vez nos braços de uma mulher diferente: a nova esposa de Gang-Hwa. Ao mesmo tempo, Yu-Ri está na sala mas ninguém a vê. Sim, é um fantasma.

A premissa da série é engraçada: Yu-Ri morre quando a filha nasce e, enquanto fantasma, vai acompanhando a sua vida enquanto ela cresce. Óbvio que daqui percebemos que algo vai fazer com que a filha ou até mesmo Gang-Hwa a consigam ver de novo mais tarde, mas claro que não fossem os sul-coreanos a adicionar uma pitada de drama em tudo, e não é que afinal See-Woo consegue ver a mãe fantasma? Wow.

Vou ter que confessar: demorei cerca de duas horas para conseguir ver este episódio de uma hora e quinze minutos. Tive que parar umas quantas vezes para respirar, não porque a série estivesse incrivelmente boa mas porque a insistência na câmara lenta e nos planos dramáticos se tornou incrivelmente cansativa. Deve ser talvez o maior erro desta produção: excesso de choro. A premissa já era dramática por si só. Uma mãe a ter que ver a filha a crescer sem lhe poder tocar ou falar com ela (ou ela pensava)? Serão mesmo necessárias músicas lamechas e trinta planos diferentes da mesma expressão facial deprimida?

Yu-Ri percebe que afinal See-Woo consegue vê-la (graças a Yu-Ri e à energia que lhe transmite desde que ela é miúda) e desgraça acontece quando a criança vai atrás de um rapaz fantasma sem se aperceber e fica presa no congelador da creche. Toda a revolta de Yu-Ri contra a entidade divina que lhe permite ficar ali mas com tantas condicionantes é o ponto de partida para os episódios seguintes – que se não fosse a sinopse da Netflix ou o trailer eu teria dificuldade em perceber qual era. Termina-se o primeiro episódio com Yu-Ri a ter um encontro de terceiro grau com Gang-Hwa e a perceber que voltou a ter forma física no plano terrestre.

Estou de propósito a evitar falar muito sobre a história porque ao contrário dos  realizadores da série, poupo-vos ao drama, à tragédia e ao horror que cada cena tem atrelada. Ainda não decidi se vou continuar a seguir a série, precisamente pelo compasso tão lento e tão exagerado entre cada momento importante do episódio. Para além de que há cenas ali que não fazem sentido nenhum demorarem tanto tempo como ter um atleta famoso a suicidar-se e os fantasmas que ele encontra pela primeira vez enquanto fantasma perseguem-no como fãs loucos. Oi?

Enfim, se vos confundi foi para que compreendam os meus vários pontos de interrogação também.

Hi Bye Mama! é uma série assim-assim. O conceito é engraçado, a realização não foi muito bem conseguida, mas as personagens são empáticas – especialmente Yu-Ri. Talvez acabe por ver o segundo episódio e logo se vê se a minha vontade de concluir a história não é destronada pela minha incapacidade de suportar tanta lamechice.

Joana Henriques Pereira