Classificação

7.5
Interpretação
8
Argumento
8.5
Realização
9.5
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

Tales from the Loop é uma nova série da Amazon que é uma espécie de antologia. Digo uma espécie porque cada episódio nos vai contar uma história diferente, mas todas se relacionam com uma coisa central, o Loop. O Loop é uma máquina construída para descobrir os segredos do Universo, mas escusado será dizer que vamos sair do episódio sem sabermos mais sobre ele. Aliás, eles próprios nos dizem durante o episódio que nada faz sentido. Portanto iremos ver oito histórias de pessoas diferentes que vivem na cidade construída por cima desta máquina. Acabei de ver o primeiro episódio e, tal como prometido, estou confuso, ainda nem sei dizer se gostei ou não.

Raramente começo uma review por este ponto, mas neste caso tinha que o fazer: a banda sonora está espetacular durante o episódio completo. Às vezes um simples piano faz a diferença subtil num momento de suspense. A história deste episódio é sobre Loretta, uma menina que perde a mãe, sendo que esta desaparece fruto da investigação que andava a fazer à volta do Loop. O episódio é bem conseguido no seu objetivo inicial, faz-nos ficar agarrados a querer saber o que acontece neste mundo distópico tão estranho. Sim, isto passa-se numa sociedade onde já existem robôs. Durante esta estranha história, Loretta tem uma pedra que levita e no final do episódio descobrimos-lhe a origem, mas já analisamos isso mais à frente.

O nó no nosso cérebro vem a cerca de 15-20 min do final, quando Loretta descobre que existe outra versão dela, cerca de 20 anos mais velha e já com um filho, que a estava a ajudar a procurar a mãe. Um salto temporal um bocado estranho e que nunca fica bem explicado. “Things here don’t make sense”. Por um lado ainda não consegui perceber bem essa parte, porque, no final, Loretta devolve o pedaço que faltava ao Loop (a tal pedra que levitava) e regressa ao começo do episódio, mas desta vez sem encontrar uma pedra. Portanto ela está presa num loop temporal, daí o nome da máquina? Será que todas estas histórias são semelhantes nesse ponto? Não consigo encontrar respostas a estas perguntas sem me arriscar a spoilers do resto da temporada.

O interessante é uma questão que se levanta: a Loretta adulta promete ao filho que irá estar sempre ali para ele, ao contrário do que aconteceu com a sua mãe, que se deixou levar pela investigação. Este ponto mostra a tentativa de aprendermos com o passado e que o que foram os erros dos nossos pais não precisam de ser os nossos ou será que sim? Nunca chegamos a saber se Loretta não se deixa levar pela investigação, neste caso tentar descobrir o que é o Eclipse, quando alguém se deixa levar pelo coração do Loop. Ninguém sabe o que há depois disso. Na minha perspetiva, simboliza a morte. Tememos que aconteça, ninguém sabe o que há depois disso, mas a vontade de estudarmos e descobrirmos é muita.

No fundo, se ficaram confusos depois do que leram, desta vez garanto-vos que não foi a minha escrita, é mesmo o tema! Se gostam de Westworld acredito que vão gostar desta série, apesar de Westworld ter outra qualidade, pelo menos inicial. Acabam por ser minimamente semelhantes no seu género e na questão como inserem alguns temas filosóficos e tecnológicos nos seus episódios. Hei-de continuar a ver a temporada, mas é daquelas para se ver com muita atenção e calma.

E vocês, deram uma oportunidade à série?

Raul Araújo