Classificação

9
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

[Pode conter vestígios de spoilers]

Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker é uma minissérie de quatro episódios que retrata a história da empreendedora e pioneira Madam C.J. Walker (Octavia Spencer), uma mulher que se dedicou aos cuidados dos cabelos afro-americanos, ao mesmo tempo que lidou com rivalidades, a família, os seus tumultuosos casamentos e o facto de se ter tornado na primeira afro-americana milionária.

Julgo que o interesse deste enredo depende muito de cada espectador. Com isto quero dizer que pode não ser apelativo para todos, mas de certeza que encontra o seu nicho para brilhar. O que mais me despertou interesse foi, sem dúvida, o elenco, desde Octavia Spencer, Tiffany Haddish, Garrett Morris a Blair Underwood, são já, para mim, caras conhecidas pelas quais desenvolvi um certo carinho. E, digo-vos, não falham.

Para além da maravilhosa interpretação do elenco, a banda sonora e a cinematografia foram os aspetos que mais se destacaram para mim, parecendo terem sido escolhidos ao pormenor cada música, cada plano e toda a paleta de cores. Tudo isto culminou numa bela obra de arte que dá prazer de olhar e ouvir.

Para um piloto de uma minissérie de quatro episódios pareceu-me desenvolver-se na passada mais correta, não foi lento nem enrolou em momentos desnecessários, foram 45 minutos bem “diretos ao assunto”. Vou admitir que mal comecei o episódio me remeteu para uma vibe de um filme e, sejamos honestos, quatro episódios de 45 minutos dariam muito bem para transformar num filme. Claro que isso não me incomodou, foi só algo que senti.

As personagens são-nos bem apresentadas desde a sua personalidade às suas motivações e deixem-me já dizer que não prevejo um futuro muito brilhante para a personagem de Octavia Spencer – toda a sua obsessão por ser independente financeiramente pode custar-lhe um marido bem carinhoso. Claro que já sabemos à partida que será milionária, mas isso não significa que terá tudo na vida e acho que há coisas que irão ficar pelo caminho. Não digo que discorde da sua forma de pensar, até porque foi moldada consoante as suas vivências e daí é compreensível.

Algo que não gostei muito foi a competição e o ódio que instalaram entre as duas personagens femininas, mas se foi assim que verdadeiramente se desenrolou na realidade, terei de olhar para o lado. Ainda assim, a escolha da série em, num mundo imaginário, coloca-las a lutar num ringue para mim foi só ridícula e quebra um pouco com todo o ambiente da série.

Se o tema despertar algum interesse, tendo em conta a qualidade e já agora a quantidade de episódios, recomendo totalmente!

Ana Leandro