Classificação

6
Interpretação
8
Argumento
7
Realização
5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Num mundo distópico em que o Império Apricano invadiu a Europa e estabeleceu o seu domínio sobre o povo europeu, Sephy (Masali Baduza) e Callum (Jack Rowan) vivem separados por uma sociedade racista, segregada e opressiva. As vidas de ambos tornam-se progressivamente mais instáveis quando o seu romance começa a mudar na maneira como ambos encaram a sua posição social, assim como a validade dos ideais que os mantiveram afastados até agora. 

Chamar ao mundo de Noughts + Crosses uma distopia é o tipo de exagero ligeiro que infelizmente diz mais sobre a nossa situação atual do que sobre a ficção que nos é apresentada. Foi por isso mesmo que a série me chamou à atenção. De uma forma muito menos analítica e bastante mais interessante do que eu conseguirei fazer nas próximas linhas, Noughts + Crosses apresenta-nos um mundo marcadamente racista em que a raça “superior” (Crosses), privilegiada e discriminatória, governa sobre a raça “inferior” (Noughts) sem qualquer tipo de compaixão. Por esta altura talvez estejam a questionar o meu comentário anterior relativamente à diferença entre o mundo distópico de Noughts + Crosses, é justo! Mas é isso que é fenomenal na série. Sem exageros, sem tentar frisar o óbvio, Noughts + Crosses evidencia uma discriminação passiva, um racismo do dia a dia que se esconde na banalidade e muita vezes nos escapa. 

Esta realidade distópica é, para o bem e para o mal, a parte mais interessante da série. O romance que surge entre Sephy e Callum é relativamente expectável e a performance de todos os envolvidos é bastante segura, mas nada que valha (a esta altura) um grande louvor. A grande força da série é, de facto, o enredo que, para além de ser entusiasmante, é particularmente pertinente. 

Para os fãs de sci-fi, para os fãs de distopias e especialmente para os fãs dos livros de Malorie Blackman, aqui está uma série a não perder. 

Raquel David