Classificação

6
Interpretação
4
Argumento
6
Realização
6.5
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

Freud conta-nos a história do psicólogo do mesmo nome que é considerado o pai da psicanálise. Ou pelo menos seria isso que era de esperar, certo? Depois de um bom filme de 1984, quando alguém voltasse a pegar na história de Sigmund para trazê-la para a televisão, esperava-se (ou pelo menos eu esperava) uma série semelhante a Mindhunter onde contavam factos reais, mas de uma forma mais lúdica e com o seu toque de ficção, e atenção que a história de vida de Freud dava uma boa série.

Ridicularizado por todos os seus colegas, tanto por não acreditarem nas suas teorias sobre a mente, como nos seus métodos de hipnose. A Netflix tinha tanto por onde pegar, trazer ao público temáticas como o ego, o superego e o ID, o inconsciente versus o consciente, a interpretação de sonhos, o lado sexual numa altura em que esses assuntos eram tabu. Foi Freud que trouxe o conceito do complexo de édipo, entre muitos outros temas inovadores. Os casos que Freud tratou e documentou, davam sem dúvida uma boa minissérie. A versão trazida pela Netflix para o ecrã também é uma minissérie, mas onde Freud resolve crimes através da hipnose.

Para ser franco e justificar o porquê de a nota não ser assim tão baixa, a primeira metade do episódio está bastante aceitável. Adoro a reconstrução que fazem de Viena em 1880, toda a preparação para o grande momento em que Sigmund vai apresentar a sua técnica de hipnose aos seus colegas médicos (até a própria sala de conferências faz jus às originais), para depois ser considerado um falhanço, uma vergonha para a área.

Onde a série falhou redondamente foi na vertente mais policial, onde envolvem Freud num crime de uma rapariga que foi mutilada nas suas partes íntimas, que era a amante de um dos militares. Também na maneira como tratam o vício que Freud tinha com a cocaína (atenção, está comprovado que ele tinha realmente), mas na série parece caracterizado de uma forma estranha, ora lhe dão importância, ora passam como se fosse algo banal. Talvez fosse esse o efeito pretendido mas não me agarrou. E ainda estou curioso para saber quem é que olha para a história de Freud e pensa: “Isto dava um bom drama policial”.

Onde tenho sentimentos mistos é sobre a parte da hipnose, alguns dos efeitos eram um pouco estranhos, mas desta vez de uma boa forma, e fiquei interessado o suficiente nas visões de Fleur para ter pena de não descobrir todo o seu sonho ao deixar a série por aqui.

Em suma, acho que pegaram num tema cheio de potencial para terem um novo Mindhunter, até os títulos dos episódios davam a entender isso, cada episódio com o nome de um fenómeno ligado à psicanálise, mas depois o episódio não retrata isso, apresentando um começo meio confuso e emaranhado. Da minha parte, para já, vou deixar a série por aqui. Talvez no futuro, como estudante de psicologia, volte a ver os restantes episódios e dê uma hipótese de se redimirem.

E vocês, gostaram ou também não ficaram fãs?

Raul Araújo