Classificação

8.5
Interpretação
8
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

Com tantas opções de séries para ver e plataformas para escolher, os serviços de streaming estão a tentar arduamente encontrar maneiras de destacar as suas séries. É o caso de Interrogation da CBS All Access. Esta série é um procedimento enigmático que permite que os espectadores assistam aos oito episódios entre a estreia e o final da temporada pela ordem que quiserem. Um conceito bastante diferente e inovador a meu ver. Eu comecei pelo primeiro, mas estou agora indeciso em qual dos restantes nove episódios vou pegar para dar continuidade a esta nova maneira de acompanhar uma história.

Interrogation, mais propriamente falando, é uma série de crimes não lineares centrada num interrogatório de pessoas que podem estar envolvidas num caso de homicídio que durou 20 anos.

Qual o objetivo desta experiência? Para nos fazer a nós, enquanto espectadores, sentirmo-nos como um verdadeiro detetive, ou seja, colocar-nos subjetivamente no lugar de um inspetor que trabalha num caso difícil e cujo surgimento de pistas e mais pistas raramente resulta num caminho linear. E bem… qual será o resultado desta experiência? Acho que tanto pode correr bem, sendo uma série bastante divertida de acompanhar e em que podemos ser nós a decidir que fio desta teia deve ser seguido a determinado momento, no entanto pode correr mal e acabar por sair uma série de televisão frustrantemente desorganizada, que parece estar a trabalhar contra este seu novo truque, confundindo os espectadores e ampliando muitas vezes as suas fraquezas e apenas raramente atingindo pontos de intriga. Vamos ver o que acontece, pelo menos eu vou! Por um lado porque fiquei bastante intrigado com esta ideia e por outro com o que irá acontecer a seguir… Até porque, e faltou-me referir, tudo o que acontece é baseado em factos reais (o que aumenta desde logo o meu interesse).

Mas falando deste primeiro episódio. Houve boas e convincentes atuações aqui, com Peter Sarsgaard e David Strathairn a liderar o caminho, no entanto o retrato maníaco que Kyle Gallner faz do drogado Eric Fisher parece um pouco exagerado (mas nada que deixe a qualidade do piloto em causa). Para além disto, foi misterioso, envolvente e instigante, dando-me vontade de saber mais pistas sobre o que realmente aconteceu e de quem será a culpa. E definitivamente deixou-me a questionar o que realmente é ou não verdade.

Como curiosidade, atualmente, devido a muitas séries que têm abordado este assunto, tal como When They See Us, está na moda serem-nos apresentados casos de pessoas injustamente presas e condenadas, e este é logo um cenário que pesou muito na minha mente, e possivelmente na vossa, enquanto assistia ao Detetive Russell a interrogar Eric. Será que o mesmo aconteceu aqui? Faz sentido o que está a acontecer? Basicamente chego a suspeitar tanto do processo que procuro falhas na investigação e na acusação. Também vos acontece quando assistem a séries deste tipo ou sou só eu?

Concluindo, parece-me ser o tipo de série em que se pode ficar facilmente viciado; correr todos os episódios, ansioso por descobrir a verdade, mas ao mesmo tempo tenho medo que, por causa do “design” da série, falte o momento de despertar interesse e que, por exemplo, certas reviravoltas/descobertas possam não atingir todo o seu potencial por não ter assistido a um episódio diferente antes.

Filipe Tavares