Classificação

6
Interpretação
4
Argumento
3
Realização
5
Banda Sonora

Depois dos seus pais serem deportados de volta para o México, cinco irmãos têm de aprender a cuidar de si próprios e do negócio da família para evitarem ser separados e inseridos no sistema de acolhimento familiar.

Quaisquer que sejam as falhas de Party of Five, uma coisa que pode ser dita com toda a certeza sobre este piloto é que não tem qualquer pudor de fazer uso da classificação de drama. Todo este primeiro episódio parece quase exclusivamente desenhado para apelar ao nosso lado mais emotivo e, de facto, faz precisamente isso muito bem. Perante o actual clima político dos E.U.A., já começam a surgir várias histórias como esta, mas a da família Acosta atinge-nos com mais força por uma razão muito simples: esta não é uma pequena adenda ao enredo principal, não é um detalhe, nem o enredo de uma qualquer personagem secundária. Esta é a história desta família e o gatilho que estabelece a premissa da série, pelo que as consequências da deportação deste casal nos atinge na totalidade. Isto, diria eu, este encapsular do drama familiar da deportação de ambos os pais de cinco crianças que não têm mais família, é o ponto forte da série.

O grande ponto fraco, infelizmente, é o próprio enredo. Emocionalmente, está tudo lá. Os atores são jovens, mas mostram-se à altura do desafio e as próprias circunstâncias facilitam a performance. Mas uma coisa que dificilmente a performance compensa é a falta de coesão do próprio episódio. Saltamos de momento em momento sem a fluidez a que estou habituada. A maioria dos momentos em cena pareceram-me desconexos e vazios. Ao contrário da emoção, que facilmente se justifica, os eventos dramáticos parecem forçados. Os próprios jovens Acosta parecem não entender as dificuldades das circunstâncias em que se encontram porque, na verdade, essas dificuldades não se sentem. São mencionadas várias vezes e são a razão para muitos dos problemas da família (principalmente dos gémeos Beto e Lucia), mas não estão refletidas na acção. Apesar de toda a confusão, apesar da aparente incapacidade em lidar com a nova situação em que se encontram, na verdade não lhes falta nada e isso causa alguma confusão. É claro que nestas séries, as pessoas acabam sempre por ser capazes de muito mais do que seria de esperar, mas geralmente o enredo é bom o suficiente para acompanhar a sua luta. Neste caso, o que temos é uma família numa situação impossível, mas essa situação está a servir apenas de gatilho para a ação e o resultado é uma história a que falta, acima de tudo, história.

Pode ser o caso que tudo o que Party of Five realmente necessite sejam mais uns episódios. Mais um ou outro evento que nos permita entrar de tal forma na ação que tudo encarrila e começa a fazer sentido. É possível que a aparente falta de enredo deste primeiro episódio (em que, de facto, nada acontece senão a deportação dos pais dos Acosta) seja resultado da quantidade de informação que tipicamente temos de absorver num piloto, mas infelizmente, duvido que seja esse o caso. Quem se lembra de Fosters tem aí uma série muito superior num tema muito semelhante. Para quem não se lembra, talvez essa seja uma melhor aposta.
Raquel David