Classificação

6.9
Interpretação
7.1
Argumento
7.2
Realização
6.8
Banda Sonora

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

No passado dia 10 de janeiro, o canal americano NBC veio a reforçar a sua programação para a temporada de 2019-2020 com Lincoln Rhyme: Hunt for the Bone Collector. A série, baseada na obra literária The Bone Collector de Jeffrey Deaver, conta com Russell Hornsby e Arielle Kebbel no elenco principal, interpretando Lincoln Rhyme e Amelia Sachs, respetivamente.

Enquanto patrulha as linhas de metro de Nova Iorque, Amelia dá de caras com aquilo que parece ser a mais recente vítima do infame assassino em série conhecido como o Colecionador de Ossos. Isto coloca-a no caminho de Lincoln Rhyme, um detetive que, anos antes, se viu forçado a reformar-se após um encontro com o assassino o deixar paralisado do pescoço para baixo. O regresso do colecionador de ossos leva a que Rhyme volte a juntar a sua equipa, que conta agora com a adição de Amelia enquanto olhos de Lincoln no terreno.

Quando ouvi falar desta série, rapidamente me apercebi que viria a fazer parte da minha lista de programas a espreitar neste novo ano. Ainda que não esteja familiarizada com o livro ou filme (algo que, para alguns, pode ser considerado um crime), pareceu-me ter todos os ingredientes para uma boa série policial: dois protagonistas que diferem em quase tudo e cujas personalidades e pontos de vista colidem com alguma frequência, acompanhados por um caso e antagonista principal que certamente darão muitas dores de cabeça. O que há para não gostar?

Agrada-me o facto de ter entrado para este universo sem qualquer termo de comparação com adaptações anteriores porque, para ser franca, não fiquei de todo desiludida com o que vi. Desde os primeiros momentos do episódio, Lincoln Rhyme faz um bom trabalho em expor a quantia perfeita de informação para contextualizar o seu público, ao mesmo tempo que começa a criar laços entre a audiência e personagens. Se, por vezes, Rhyme consegue ser um pouco duro e cheio de si mesmo, facilmente percebemos a razão por detrás de algumas das suas qualidades menos positivas. Já Sachs é uma personagem que mostra com maior facilidade as suas emoções e com quem mais facilmente nos relacionamos, algo que é impulsionado também pelo seu passado trágico.

Dado a sua backstory e personalidades, não será grande surpresa o facto de Lincoln se preocupar mais com provas físicas, contrastando com Amelia, que tem mais interesse pelo aspeto psicológico de uma cena de crime, assim como pelos elementos humanos que possam ter estado envolvidos num crime. Rapidamente nos apercebemos das várias formas em que ambos podem chocar, mas é igualmente clara a maneira pela qual se complementam. Afinal, “the broken take better care of the broken”.

Outro aspeto bastante interessante e cativante sobre a série é o facto de ambas as personagens terem limitações, de uma ou outra forma, estando Lincoln restringido ao espaço do seu quarto e sendo que Amelia sofre de stress pós-traumático. Não é todos os dias que vemos este tipo de representação em séries, muito menos pela parte de personagens principais, e acho que não só é importante como adiciona novas possibilidades narrativas à história.

Já em termos técnicos, a série incorpora elementos visuais gráficos que relembram um pouco o estilo de The Good Doctor e que funcionam bastante bem dentro dos episódios, transportando o espectador para dentro da mente brilhante de Rhyme. Em termos sonoros, não existe grande recurso a música excetuando para pontuar determinadas cenas. Por fim, as personagens secundárias parecem ser também promissoras, ainda que me incomode um pouco o facto de existir já algum tipo de set up de interesse amoroso entre uma destas personagens e Amelia.

Estaria a mentir se afirmasse que a série não tem os seus problemas. Pessoalmente, aquilo em que mais reparei foi o facto de o ritmo e a carga dramática parecerem diminuir significativamente em algumas cenas, fazendo com que estas não conseguissem captar completamente a minha atenção. No entanto, considero-o um problema menor e acredito que facilmente será retificado.

Lincoln Rhyme terá a sua estreia nos ecrãs portugueses através do canal AXN na próxima terça-feira, dia 28 de janeiro, às 22:57.

Inês Salvado