Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

Este thriller anglo-japonês (coprodução entre a BBC e a Netflix em dois continentes) que tem um título que se traduz aproximadamente para Dever/Vergonha, conta a história de um detetive de Tóquio chamado Kenzo Mori que é enviado a Londres numa visita de intercâmbio para encontrar o seu irmão mais novo, Yuto, que ele pensava estar morto.

Confesso que me atirei de cabeça para este piloto sem saber bem o que iria ver e sem conhecimento prévio da história, apenas li uma espécie de resumo igual ao que coloquei aqui em cima e verdade seja dita não me pareceu ser nada de especial mas decidi arriscar e não me arrependo.

Logo de início foram evidenciados elementos de drama familiar, procedimentos policiais, confrontos entre gangsters japoneses, assassinatos… Ou seja, um enredo denso e com muito material solto à espera de se fundir (com mais sete episódios de 1 hora cada certamente isto acontecerá). Todos os personagens aqui apresentados pareceram admiravelmente complexos e com relações também complexas. Transmitiram-me a ideia de serem realmente personagens reais que foram colocadas em situações irreais.

Este piloto mostrou-me, aparentemente, um intrigante e estiloso drama com muita coisa oculta por trás que não se sabe logo à partida. De maneira a evidenciar o que referi até vos deixo aqui algumas perguntas que ficam no ar apenas neste primeiro episódio: será que o crime que aconteceu foi mesmo cometido pela pessoa que eles pensam? Quais as motivações para tal crime, ainda para mais tão longe de Tóquio (em Londres)? Qual será o papel de todas estas personagens? Entre muitas outras. Não sei o que vai sair daqui! Tanto pode ser bom como acabar por ser só mais uma série policial de mistério sem nada a acrescentar a todas as outras que por aí andam!

Uma das coisas que me fez querer ver este piloto foi o facto de abranger dois continentes e a mistura entre as duas culturas aqui envolvidas ser muito diferente. No entanto, e curiosamente, as cenas das duas cidades neste primeiro episódio pareceram quase intercambiáveis, com o céu cinzento e viadutos de Tóquio e os playgrounds de néon de Londres. Fiquei muito agradado de ver que se misturaram tão bem e subtilmente. Por outro lado, estava à espera que o choque cultural fosse mais evidenciado (pois seria interessante de ver).

Apenas um à parte: como os personagens muitas vezes alternam entre inglês e japonês, existem algumas cenas engraçadas e awkwards de traduções propositadamente erradas ou pessoas que acabam por não conseguir falar uma com a ou outra.

Concluindo, o episódio de abertura foi ambicioso e ampliado ainda mais pelas excelentes atuações de Macdonald, Sharpe e do elenco japonês, ao lado de uma realização fluída e virtuosa de Julian Farino. Veremos o que resulta daqui. Para já foi melhor do que o que estava à espera!

Filipe Tavares