Classificação

6
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

Contém spoilers!

Repleta de novos dramas e novas personagens, The L Word: Generation Q é a muito antecipada sequela da série de 2004, na qual Jennifer BealsLeisha Hailey e Katherine Moennig retornam aos seus papeis originais como as icónicas Bette Porter, Alice Pieszecki e Shane McCutcheon.

Para quem acompanhou The L WordGeneration Q será como voltar de um (muito) longo hiatus. Retornam algumas das nossas personagens favoritas, retorna o drama que tão bem conhecemos e o caos que aprendemos a adorar e, passados estes dez anos, temos finalmente a satisfação de ver algum merecido character development. O único problema disto? Bom… tudo.

Talvez seja muito injusto estar já a julgar a série inteira pelo piloto, e não se confundam, não há maneira de  me convencerem a desistir de Generation Q, mas como fã do original estou… dividida. Devo admitir que não sei bem o que esperava e pior que isso: não sei bem o que queria desta nova série. Mas este compromisso, este meio-meio, não é suficiente. Esta série, que deveria ser uma coisa nova, uma nova aventura neste mundo com o qual os fãs do original já estão familiarizados, traz de novo todas as questões que ficaram pendentes sem oferecer qualquer tipo de resposta. Quer dizer, afinal, quem matou Jenny Schecter? Vamos mesmo ignorar que isso aconteceu? Okay que tivemos toda uma temporada final para lidar com o assunto, mas visto que não ficou resolvido, alguém me pode dizer o que se passou? Alguém me quer explicar como é que a Alice, desde sempre a personagem mais caótica, mas também a mais genuína, está agora no meio de um divórcio que não é dela, a tentar ser mãe de filhos que não são seus e que claramente não a querem, claramente desconfortável, mas sem qualquer indicação de que esteja a tentar sair dessa situação? Quero dizer, voltámos a 2004? Será que não aprendemos nada? E, já agora, COMO ASSIM, a Shane é casada??? Assim como voltam todas as coisas que adorávamos nesta série, volta também o desastre automóvel que foi a última temporada e por muito que não consiga parar de olhar, não prevejo bons resultados. Mas estas são, claro, as preocupações de uma fã.

De um ponto de vista menos investido e eventualmente mais justo, The L Word: Generation Q apresenta-nos a um grupo de personagens interessantes e fortes e dois grupos de amigos chegados, ligados por duas ou três pessoas cujas amizades prometem unir estes dois mundos. Como piloto, o episódio é muito funcional, o que, diria eu, é resultado da quantidade de informação a introduzir num curto espaço de tempo. Agarra-nos o interesse e toca em todos os pontos importantes sem, no entanto, desenvolver qualquer um deles de forma inteiramente satisfatória, apresenta-nos a todas as personagens, estabelece as suas relações e prepara uma continuação prometedora. Lá está, não é brilhante como stand-alone, mas tem tudo o que se possa exigir de um piloto.

Para os recém-chegados, talvez isto se venha a provar suficiente, mas para quem está de volta, deixo o seguinte disclaimer. Não é a série de que nos lembramos. O novo leque de personagens parece muito interessante e poderia eventualmente ter sido interessante o suficiente para substituir o elenco original, mantendo o ambiente de que nos lembramos. Não tendo havido essa substituição, pelo menos por completo, ficamos numa espécie de lugar intermédio entre o passado e o presente que poderá não ser muito satisfatório. Mais ainda, para quem acompanhou a série original, a clara tentativa de recriar o impacto que The L Word teve há mais de dez anos pode tornar-se cansativa. Em 2004, uma série como foi The L Word destabilizava só pelo facto de existir. Actualmente, pouco mais é que irreverente e o processo de a tornar mais do que isso poderá correr muito bem ou de forma absolutamente desastrosa. No entanto, a julgar pelo piloto, qualquer que seja o futuro de Generetion Q, valerá a pena. Na melhor das hipóteses será um comeback épico; na pior, vai ser um desastre muito divertido de ver.

Assim sendo, só me resta dar as boas-vindas aos novos fãs. Mais do que nossa, esta série é vossa, divirtam-se. Para quem, como eu, retorna passados estes dez anos, olá de novo. A ver se não morre mais ninguém, não é? E que não acabemos esta temporada sem conhecer a mulher que pôs um anel no anelar esquerdo de Shane McCutcheon.

Raquel David