Classificação

6
Interpretação
5
Argumento
6
Realização
5
Banda Sonora

Criminal: France faz parte da série Criminal, série que se passa numa sala de interrogatórios, mas com quatro equipas diferentes, uma inglesa, outra espanhola, outra francesa e outra alemã. Por esta razão, a série não tem um episódio-piloto, mas sim quatro, porque cada um dos Criminal é independente dos outros, podendo dizer-se que são quatro minisséries dentro de uma série. Desse modo, aqui fica a review do piloto de uma dessas minisséries e, como todas seguem a mesma estrutura, não irei fazer a review de mais nenhum piloto, mas sim uma review conjunta de comparação de todas as minisséries em breve.

Este primeiro episódio de Criminal: France baseia-se num acontecimento real: os ataques de 13 de novembro no Bataclan durante o concerto da banda Eagles of Death Metal.

Sinceramente, não estava à espera que fossem basear o episódio num acontecimento real específico, estava à espera de um acontecimento fictício e, não sei se foi por isso, mas fiquei um bocado de pé atrás em relação ao episódio. A narrativa vai-se desenrolando, mas parece um pouco forçada em certas reviravoltas. A suspeita não demora a inventar uma nova desculpa quando é confrontada com as acusações de que a mesma não estava no concerto e altera a história completamente. Não fiquei muito convencida com a interpretação de Sara Giraudeau, a atriz que interpreta a suspeita Emilie Weber. Penso que a atriz poderia ter dado outra vida à personagem, achei-a sempre demasiado distante e nunca me consegui ligar a ela. A inspetora-chefe, Audrey Larsen, deveria passar uma imagem de pessoa forte e assertiva, mas pareceu-me demasiado frágil, não conseguindo passar a imagem que me parece que era pedida dela.

Não gostei de alguns cortes que foram feitos ao longo dos episódios, quando havia alguma pausa no diálogo e passavam para outra cena. Pareceram-me demasiado forçados, como se faltasse ali qualquer coisa, mas como não conseguiram descobrir o quê, decidiram fazer este compasso de espera.

Em termos de desempenhos, os outros atores corresponderam todos ao que lhes era pedido, foi pena estas duas personagens terem ficado aquém, pois foram as que mais me prenderam a atenção e gostaria que tivessem sido interpretadas de outra forma.

A narrativa, como já disse, pareceu-me um pouco forçada. Não é isto, afinal é aquilo, mas afinal ainda não é aquilo e depois o motivo do desfecho é completamente cliché. A personagem mais interessante e que me deixou intrigada para saber quem é e o que se passou com ela para ter sido “expulsa” da equipa foi a Laetitia, que parece estar a lidar com qualquer problema relacionado com vício ou mental.

Em suma, e tendo já visto os outros Criminal, este foi o episódio-piloto menos apelativo de todos, o mais fraco em termos de narrativa, de desempenho, de argumento e até de banda sonora, demonstrando que a música, por mais minimalista que possa ser, pode estragar um episódio se não for introduzida no momento certo.

Cláudia Bilé