Classificação

6.6
Interpretação
6
Argumento
7.5
Realização
6.2
Banda Sonora

Para além das infames referências a vida extraterrestre para explicarem momentos chave da história da Humanidade, o canal History, no que toca a séries televisivas que combinam drama, ação e história, claro, destaca-se pela aclamada série Vikings. Desta vez o canal traz-nos a história de uma das principais forças de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos, os Navy SEAL. Mas em vez da história geral temos um enredo focado na Team Six (equipa responsável pela morte de Osama bin Laden) e nas suas missões desde o Afeganistão, contra os talibãs, mas também no resto do mundo.

A verdade é que não há assim tantas séries do género de guerra moderna e como a venda de jogos desse tipo e a recente série Shooter (2016) mostram, existe um amplo público interessado no assunto. SIX resume-se a uma boa experiência no que toca à ação e à representação das táticas dos SEAL, com uma representação relevante por Walton Goggins (The Shield, Justified), mas que não é acompanhada pelo resto do elenco e que peca por demasiados estereótipos, uma escrita fraca e pouco original e um enredo que no final falha ao impressionar.

Passando às pessoas responsáveis por darem vida à serie: William Broyles Jr. (O Planeta dos Macacos, 2001; O Náufrago, 2000 e Apollo 13, 1995) e David Broyles são os criadores e escritores. Lesli Linka Glatter, conhecida pelo seu trabalho em Homeland, é a realizadora dos primeiros dois episódios. Como estrelas, para além de Walton Goggins como “Rip” Taggart, podemos contar com Barry Sloane no papel de “Bear” Graves (The Whispers, Longmire), Kyle Schmid como Alex Caulder (Being Human, Copper) e Juan Pablo Raba a representar “Buddha” Ortiz (Narcos, Agents of SHIELD).

O piloto começa no Afeganistão, onde é difícil distinguir o inimigo de civis inocentes, tema já abordado por exemplo em American Sniper (2014). Rip e a sua equipa partem numa missão para eliminar Muttaqui, um líder talibã, e nessa mesma missão acompanhamos uma realização que com certeza fará lembrar a muitos cenas do filme Zero Dark Thirty (2012). Rip começa a revelar um distúrbio violento acabando por matar a sangue frio um aparente inocente cidadão americano apanhado no meio do conflito.

“He was a threat”.

Dois anos passam e diferentes rumos de vida são seguidos. Rip está agora na Nigéria como mercenário e não SEAL; e parece que denunciar o comportamento disfuncional de Rip no Afeganistão foi uma das razões para Caulder ter saído da equipa. Buddha está a pensar sair também da equipa para ir ganhar mais dinheiro no serviço privado e tem como última missão treinar o novo soldado. Mas tudo para quando a equipa descobre que Rip foi raptado por soldados Boko Haram e, como não se deixa um homem para trás, a Team Six terá que ir à Nigéria salvar o seu antigo comandante.

O espírito de companheirismo dos SEAL é bem focado na série e as cenas de ação, como dito anteriormente, têm grande qualidade. O papel de Walton Goggins como anti-herói é uma “pele” a que ele já está habituado, que lhe assenta bem e que traz um revigoramento à serie sempre que ele aparece no ecrã. O twist de ter sido apanhado pelos Boko Haram deixa a dúvida se o seu papel será temporário ou se o resgate será bem sucedido e a personagem está para durar. No entanto, entre temas apenas arranhados à superfície, caracterizações de soldados que são mais do mesmo a que já estamos habituados e um plot central que até ver não demonstra um carisma completamente cativante, o 2.º episódio será bastante decisivo para mostrar se esta será uma série que vale a pena ver ou não.

Emanuel Candeias