Classificação

Class apresenta-nos, a pouco e pouco, um grupo de estudantes - cada um da sua elite escolar (a nerd tímida, o popular, a inteligente e o new guy) - que descobre contra a sua vontade que existe um mundo para além daquele que eles estão acostumados a lidar.

8.5
Interpretação
8.3
Argumento
7.2
Realização
4.3
Banda Sonora

Caros leitores,

Hoje trago-vos a review de um dos mais recentes spin-off’s de Doctor Who: Class. Os fãs do The Doctor já tinham sido presenteados com Torchwood, também inspirado na série, e chega mais um presente agora!

Class apresenta-nos, a pouco e pouco, um grupo de estudantes – cada um da sua elite escolar (a nerd tímida, o popular, a inteligente e o new guy) – que descobre contra a sua vontade que existe um mundo para além daquele com que estão acostumados a lidar. Coal Hill parece uma escola normal até começarem a existir relatos de que as pessoas estão a desaparecer e a ser atacadas por sombras. As nossas quatro personagens principais são vítimas diretas destes ataques e juntam-se assim numa aventura tipicamente recheada de emoção e velocidade – mesmo à moda de Doctor Who.

Uma vez que falamos de um episódio piloto, prefiro falar-vos da sensação que a série me traz em vez de vos descrever o episódio em detalhe. Class tem tudo para correr bem: um cast super diversificado (tanto em termos de caracterização estereotipada dos alunos de uma típica escola secundária, como em termos de género e de orientação sexual, etnias e mentalidades), uma linha condutora de guião muito bem estruturada (com piadas inteligentes e muito pouco fáceis) e, claro, todo o realismo típico das aventuras de Doctor Who.

Os nossos personagens principais são:

  • April: a nerd tímida a quem ninguém passa cartão, mas depressa demonstra uma coragem incrível ao tentar sacrificar-se pelo bem comum
  • Tanya: a inteligente que tem 14 anos, mas graças ao seu elevado QI conseguiu saltar uns três anitos acima no ensino secundário
  • Ram: o popular que joga futebol e tem a namorada mais bonita da escola (que, coitada, acaba por morrer e traumatizá-lo), mas gosta de conversar com Tanya pela inteligência dela (tudo isto em segredo, obviamente)
  • Charlie: o new guy, que afinal é um príncipe de um planeta que foi invadido e destruído pelas sombras que estão agora a persegui-lo, em busca de um cofre que contém todas as almas do planeta de Charlie
  • E, claro, Miss Quill, que está para sempre confinada a ser escrava de Charlie e obedecer-lhe como castigo por ter sido rebelde e ter tentado tomar o trono de Charlie

Claro que sendo um episódio piloto, o nosso querido Doctor tinha que aparecer. Esta intervenção vem como uma espécie de conforto, de algo familiar a que estamos acostumados, mas que permite introduzir a série que chegou – e se tudo correr bem, para ficar. O Doctor, claro, ajuda-os a resolver o problema dos ataques das sombras  – que estavam a perseguir o nosso príncipe extraterrestre – mas fica por resolver a racha que ele tenta fechar, mas não consegue. E fica o aviso: a partir de agora, este bando terá que se inter-ajudar para conseguir combater o extraterrestre que vier com más intenções para a o Planeta Terra.

Em termos visuais, penso que Class está um bocadinho sangrento demais e com os pormenores de horror demasiado bem definidos para se poder estender a audiências diferentes da de Doctor Who. Acho que é uma série que os fãs conquistados de Doctor Who vão gostar (é sempre um docinho enquanto a série-mãe não chega) e tem um grande potencial para se desenvolver, mas será que não se vai manter num nicho demasiado específico? Hmm, a ver vamos…

Joana Henriques Pereira