Classificação

8.5
Interpretação
8.6
Argumento
8.3
Realização
7
Banda-Sonora

Baseado no filme australiano de 2010 com o mesmo título de David Michôd, Animal Kingdom conta a história de Josh, cuja mãe acabou de falecer de overdose. Nisto, uma vez que desconhece o paradeiro do seu pai, o jovem vê-se forçado a ligar à sua avó que mal conhece. Esta avó não é uma avó qualquer. Janine ‘Smurf’ Cody é a cabecilha de um gangue mafioso composto pelos seus numerosos filhos irreverentes e radicais. Baz, Craig e Deran são homens bem aparentados, sem maneiras, e os termos vergonha, decência e delicadeza não pertencem ao seu dicionário. Ao ser recebido por esta nova família, Josh – ou, como é mais conhecido, J – é submetido a uma formação para integrar a conduta criminosa da família, até que o seu tio Pope sai da prisão, o que significa mais sarilhos para a família.

O filme Animal Kingdom tornou-se uma pérola do cinema independente assim que procurava mostrar que não é preciso pertencer-se à grandiosidade hollywoodesca para conseguir fazer um filme de máfia e golpadas com um orçamento elevado. Aliás, o filme conta com prestações magníficas que auxiliaram um enredo simples polvilhado com suspense e thriller constantes. O ambiente inquietante do filme foi transposto para o pequeno ecrã e o resultado foi bastante positivo. Recrutando uma atriz carismática como Ellen Barkin para os pés da tenebrosa Jacki Weaver da versão australiana, e Scott Speedman, Ben Robson e Jake Weary para os tios mal-comportados, terminando com um assombroso Shawn Hatosy no papel de Pope, Animal Kingdom conseguiu, não só, captar a essência do seu material de origem, como alargou os horizontes com uma história flexível e suscetível a grandes desenvolvimentos.

Finn Cole, que já é um conhecido para os fãs de Peaky Blinders, brilha no seu primeiro grande papel de protagonista e adapta-se de forma incrível às exigências do seu papel. Aliás, o elenco parece ter entrado de corpo e alma nesta ousada aposta do canal TNT. A intensidade dramática é equilibrada com doses de arrepios, capazes de fazer inveja a muitos filmes de terror. Mais aterrorizante do que não vermos o que nos assusta é exatamente aquilo que está mesmo em frente aos nossos olhos e do qual não conseguimos escapar e, em certos momentos do episódio, a tensão entre J e Pope é, no mínimo, inquietante. Ainda que o piloto consiga ser um respeitável legado ao filme, para os amantes da máfia, Animal Kingdom promete tornar-se um dos maiores sucessos deste verão.

Por norma, não costumo gostar de pilotos, muito menos destas adaptações tresloucadas de filmes para séries, mas Animal Kingdom parece estar no caminho certo. Resta saber se a equipa de argumentistas consegue tratar o enredo com o respeito que ele merece sem “meter a pata na poça” dos clichés televisivos que abundam por todo o lado.

Jorge Lestre