Classificação

8.5
Interpretação
9
Argumento
8.7
Realização
9
Banda Sonora

Contém SPOILERS!

Bem-vindos a mais um piloto! American Gothic, a mais recente série da CBS, acompanha o quotidiano dos Hawthorne, uma família influente de Boston. Tudo indicaria que se trata de uma família perfeita, não fossem os antigos esqueletos que teimam em sair do armário para denegrir toda a imagem que os rodeia.

A cena inicial, embora sem grande impacto, acaba por ser o pontapé de saída para a problemática que vai acompanhar toda a série: a queda de uma placa de betão num dos túneis construído pela empresa do patriarca da família Hawthorne, Mitchell.

Mitchell, com o apoio da sua esposa, Madeline, criou um império imponente no ramo da construção civil. Assim, ascenderam socialmente e criaram os quatro filhos com a melhor formação humana, social e académica que existe no país. A influência da família é tanta que Alison, a filha mais velha, está em plena campanha a Mayor da cidade. E nós sabemos a intensidade com que os americanos vivem as suas campanhas eleitorais, onde os segredos e o passado dos candidatos são explorados detalhadamente na praça pública com o auxílio dos meios de comunicação social. Até ao momento, o maior problema da campanha de Alison é camuflar o ambiente faustoso que rodeia a família, algo que a afasta do eleitorado. Mas, em breve, este será o menor problema que Alison encontra nesta sua ascensão.

Já que estamos a mencionar a família, vou descrever sucintamente os restantes membros: Tom, o marido de Alison, parece o companheiro saído da capa de uma revista, têm filhas gémeas e aparentam ser a família perfeita; Tessa é uma jovem professora, casada com o promissor detetive Brady; Cam é licenciado em artes, ex-toxicodependente e, durante o período negro do seu vício, casou com Sophie e têm Jack, o filho pré-adolescente que ambiciona dissecar corpos. Já o episódio ia avançado, chegou Garrett, que abandonou misteriosamente a família aquando do término dos ataques do serial killer do sininho prateado.

A queda da placa de betão da cena inicial acaba por fazer chegar à luz do dia a primeira e única pista sobre uma série de homicídios que ocorreram há catorze anos pela mão do serial killer do sino prateado: um cinto usado para asfixiar uma das vítimas. Mais tarde, em casa, Cam e Tessa descobrem uma caixa com sinos prateados, usados pelo serial killer, e recortes de jornais dos homicídios perpetrados por ele… tudo leva a crer que o assassino é parte integrante da família!

A situação vai-se agudizando com o passar do episódio, sobretudo quando uma das gémeas de Alison ouve Garrett a murmurar ao pai que vai contar à família o que o patriarca fez no passado. Mas o suspense atinge níveis insanos quando Madeline mata o marido após este lhe dizer que têm de contar a verdade. Não há dúvidas que o assassino do sino prateado pertence à família e as minhas apostas estão entre Mitchell e Madeline!

Com o decorrer do episódio, acabamos por ver a cortina da perfeição cair e os defeitos dos Hawthorne a serem expostos. Cam sofre uma pesada derrota face aos problemas que surgem na família, cede ao vício e, pior, regressa para Sophie. Alison vive dependente da sua coordenadora de campanha, Naomi, e não estranharia que tivessem uma relação íntima. Brady, o marido de Tess, ambiciona ascender na carreira com o caso do assassino do sino prateado; até pede à cunhada que puxe os cordelinhos para que tal aconteça. O pequeno Jack demonstra já uma mente distorcida ao torturar o gato da vizinha. O olhar sombrio de Garrett esconde um segredo tenebroso do que realmente aconteceu há catorze anos, colocando-o no top três de candidatos a assassino do sino prateado. De todos eles, apenas Tessa não tem revelado comportamentos negativos, contudo, não me parece que os segredos que esconde do marido lhe estejam a fazer bem.

Embora esta série não faça o meu género, tenho de admitir que o enredo do piloto foi construído de forma inteligente, apresentando bem os personagens enquanto desenvolve harmoniosamente o enigma que constitui a base da série. Tivemos então um episódio bem estruturado, um dos melhores pilotos a que assisti este ano. A série, embora não traga nada de original, torna-se assim uma das promessas desta summer season.

Rui André Pereira